Sobre o tal dia duas coisas:
- A primeira delas é a constatação de que a vida é mesmo proporcional à importância que se dá a ela, e assim, por vezes, ela passa a perna, enganando, fazendo perceber que algumas tempestades eram copos d'água e algumas poças eram buracos imensos. É bom viver e só reparar depois, caso contrário, é muita preocupação.
- A segunda delas é a cena que se configurou no findar do dia. Era um restaurante bonito e silencioso, muitas mesas vazias e onde haviam pessoas, estas falavam baixo e gesticulavam pouco. Ela entrou linda em seu vestido preto, um salto discreto, mãos frias e bolsa sem alça. Entrou só no lugar, chamou alguma atenção pelo tamanho da solidão que lhe fazia companhia, sentou à mesa que ficava no meio do salão, talvez um pouco mais para a esquerda. Chegou o garçom, um vinho por favor, forte e seco, não, não, taça não. Isso, a garrafa. Por enquanto só, obrigada. Quem assistia de fora, era como se uma câmera rodeasse em círculos seu lugar e se afastasse vagarosamente enquanto os goles de vinho desciam secos pela garganta. Tinha um nó engasgado, mas continuou linda toda a noite, e toda a noite a cadeira à sua frente permaneceu vazia.
samedi 24 octobre 2009
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3 commentaires:
Pra desatar este nó, uma boa conversa, temperadamente animada, sem excessos, franca e entrecortada de sorrisos sutis, cúmplices.
Pra se ter esta conversa, basta o convite. E a cadeira não ficará mais vazia.
A vida não nos passa nada. Somos nós que nos enganamos, conscientes ou não deste flagelo universal da importância.
Flor, achei triste, muito triste... mas linda, a moça de vestido continuará, mesmo que a pessoa que não ocupou a cadeira não esteja em frente a ela. continuará linda porque assim o é. e feliz com certeza!
Tadinha da moça do vestido !
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