mercredi 27 octobre 2010

Tudo mentira, Caetano.

Meu coração só se cansa,
Meu coração só se cansa,
Meu coração só se cansa,
Meu coração só se cansa...

Um dia vai ser melhor?

Agoragonia

Tenho os mesmos grilhões,
As mesmas amarras,
Os mesmos pesadelos.

O que é, que enfim não solta,
não larga,
não enxota,
não me deixa ir,
não me livra?

Tão assim invadida de mim,
assusto e sufoco.

Acordo suor em noite fria,
durmo agonia nas pernas,
no rosto, no corpo inteiro.
Choro música de metrô,
Agrido amor.

Não acredito.
Não digo,
Não.
Não ouço sim.

Preciso me salvar de mim.

jeudi 14 octobre 2010

Indefinir.

Meu coração não é daqui,
ando desalento, sem saber
Se construi o afeto, se ele a de vir.

Por ora, não filtro nem aqueço o ar,
Desce gelado e novo,
Tocando a garganta e o corpo por dentro,
Esfriando tudo, deixando tudo gelar,
Para conservar mais, ser mais durável,
Não envelhecer, não apodrecer.

Que não congele,
não vire sólido, porém.
Que seja quente e derretido
como o chão de mim, como meus sonhos.

Que o abismo vire mirante
e que os olhos alcancem para além da queda.