dimanche 29 décembre 2013

Amor de sangue

Sob nuvens espessas,
chuvas torrenciais
 e sol escaldante,
Só o que sobrevive
 é um amor inteiro
de bases não geográficas,
 que flutua pelas mãos
que se agarram,
pelos ombros
que se fazem casa,
pelo olhar cúmplice
e a fé
de que tudo
vai ficar bem

samedi 21 décembre 2013

L'amour sinon

Quando estive em guerra,
ele foi o beijo em armistício,
 Agora, no furacão,
Ele é o sopro  sutil
Que envolve o corpo
E o leva para um lugar seguro
...

dimanche 8 décembre 2013

Rêver Réveiller, Révéler



Je rêve
Je me réveille
Je me rêve
Je réveille
Je rêve île
Je, île de rêves
Je re vois il
Je rêve...
Je ne rêve plus
Plus, je ne me révéle


De l'absence

Quand me couche j'éleve l'air umide en quelque chose de flou, un peu invisible, presque doux...
Morpheus, pourtant, m'a volé tous les souvenirs des nuits ... Je me réveille encore fatiguée et prise par l'absence de rêver...

Adeus

"Deixei as  chaves sob o tapete,
em frente à porta.
Estou indo
Sem data para voltar."

vendredi 6 décembre 2013

Eu volto sempre

Repouso a cabeça em seu peito
e quase me entrego.
Um pouco mais
e estou rendida.

A imagem
de vê-lo partir
me faz o querer
mais ainda
perto.

Com ele posso
despir-me
desarmando
toda a casca
armadura azeda e cruel...
Posso andar olhos cerrados...
Posso.
...
Gela em mim,
segundos após
o terror de
após me abandonar
voltar
a ser só.

dimanche 1 décembre 2013

 A busca não pode findar.

Édipo I

Quando eu tinha sete anos
Meu herói não pôde mais me levar nos braços.
Desde então procuro braços que me carreguem.
E corações que resistam ao peso meu.


carta/casa de amor em decomposição.

A porta entreaberta
Os chinelos brancos de correias azuis
A marca dos passos molhados ao sair do banho
A camisa branca jogada  sobre a cadeira
A vitrola cantando samba
A cafeteira, ainda com café, sobre o fogão
Os pratos sujos na pia
Na mesa branca papéis, plásticos, pedras, nomes, endereços, pontas de cigarros, cartas antigas, bilhetes passados, uma lembrança do Peru, óculos de mergulho, o cinzeiro azul.

Lá em cima, as plantas sedentas, bebendo rápido a água, o sol desbotando a madeira, os cupins deixando oca a casa, o mar imenso, os navios graves avisando a chegada... ou a partida...
A embalagem vazia perto da cama
A garrafa meio cheia de água.
O vento cinza sobre a renda branca, voando, voando... o vento branco sobre a renda suja, voando, voando... o vento levando a renda, a poeira, os cupins... O grave lá no mar, o coração se afogando...
O baú  inacabado feito com as mãos... mãos inacabadas em baús
 As roupas misturadas penduradas ... empoeiradas...
A cama vazia... o quarto vazio... os olhos vazios...
Tantos outros detalhes vão lentamente desaparecendo, carregados pelo sol  e pelo vento, até se afogarem silenciosamente no mar...




Do amor

Quero-te agora ou nunca
com todo o furor e a indecência,
bem como o mais nobre sentir do peito humano:

- Quero-te amor.

mercredi 27 novembre 2013

Solidão de manhã

A poesia escorregando por nossas mãos.
Ele a reencontrando,
Eu nem a reconhecendo.

Um silêncio, um silêncio profundo...
Os sonhos emudecidos aos meus ouvidos:
cabeças costuradas, beijos às escondidas,
amantes alheios, as mulheres dos outros
pretéritos perfeitos...

A solidão voraz em meus olhos
quase alcançam companhia em outro
mas não.
Desejo incontrolável
e tudo sempre sob controle.

No desconhecido que atravessa a rua,
a possibilidade de
mas não.
Por que?
é chegada a hora talvez
de ir-se outra vez?

dimanche 10 novembre 2013

Morte súbita

Os minutos finais de uma disputa
acirrada em que só um pode vencer,
é matar ou morrer.

meu ouvidos ouviram essas palavras
repetidas vezes
pela boca verde do estetoscópio
que salva vidas.

"Morte súbita"
minha boca esfriando
os dedos de minha mãe colados
aos meus
nosso silêncio diante do mistério
da graça do destino.

Lá longe você não ouviu
essas sílabas pretas
pontiagudas, metálicas
descendo qual espinhos
sob nossas guelas.

Nós te guardamos
De todo esse mal.
Meu coração, eu te dou
em amor, em saúde,
em respeito, em cuidado.

Aperto sua mão, olho seus olhos,
peço outra vez a todo o sagrado
que seu coração seja herói
e os nossos também,
que a disputa dure
por muitos e muitos anos
e que súbito seja apenas
todo e qualquer encanto
de vida.

Amém.

mercredi 30 octobre 2013

CASA

Na distância, 
minha casa era o cheiro do mar
A gota salgada que escorria 
umidificando o corpo seco.

De longe, 
minha casa era 
a cor do sotaque relaxado
desbocado, enxerido,
carinhosamente manso.

O doce do quente 
da água
do sol
da saudade
dos afetos
dos meus
dos outros em mim.

Nesse instante,
minha casa é poeira,
restos, lembranças turvas, 
algumas memórias 
e o corpo já úmido 
busca incessante
essa casa perdida,
desacreditada,
nunca vivida,
ou reconhecida...

Minha casa sou eu
tentando achar um lugar
para descansar de mim.

lundi 28 octobre 2013

A midsummer night's dream e as letras em inglês.
É o mais perto que chego de uma ausência
O meu lugar nos braços do outro
não é meu lugar
é lugar do outro.

Fiz uma concha e revivi
algo que se foi com o tempo.
Outras mãos arrodeavam meus seios,
adentravam minhas pernas
faziam coquillage para eu-vênus.

O video passava
enquanto eu quase dormia...
Não consegui esquecer a lembrança
Não consegui reviver a cena
lamentei em sonho
a presença ausente de um passado.

Este corpo está tão só que não sabe ser abraçado.

10 versos para 10 não lugares.

Há 10 dias não escrevo.
São 10 os lugares que me pedem para ter casa.
Mais de 10 minutos tentando escrever.
10 segundos duram o suspiro e o silêncio.
Há 10 horas sonhei e esqueci o sonho.
Há 10 meses havia uma casa e um coração.
Agora são 10 os lugares que não consigo preencher
10 possibilidades de não caber.
10 segundos, minutos, horas, anos tentando dar/fazer sentido...
E são muito mais de 10 os momentos de agonia.

vendredi 18 octobre 2013

Mudo

De dentro da bolha, grito
Pulmões a toda força.
Fora, nem eu, nem você,
Ninguém ouve.

jeudi 17 octobre 2013

Ruínas

Antigo é o mundo,
Ruínas em tudo
Imenso é, mundo;
Vasto e silencioso
Em todo este ruído estrondoso...
Os olhos cravejados ao chão
Vai mulher...
Os punhos emaranhados
Nos incontáveis, trôpegos,
Embaraçados fios
Do amor
Antiga a dor, infante
Desse sexo em guerra
Exilado, roubado, em troca,
Amordaçado.
As ruínas de lá longe
Vivem aqui, dentro.
Gaguejam as sílabas do amor maldito
Arranham vermelho quente
A carne viva
Desmascaram o resto fingido
De honra e paz
Escancaram o horror de (des)conhecer
Esse amargo, amertume na boca.
O ouvido zombe
O gelo sobe pelos pés
Algidez de tornar-se pólvora disparada,
Tomando o corpo
Forçando enfim
Todo este
Em ruína e silêncio...

mardi 15 octobre 2013

Do medo do amor

Enquanto ouvia
A voz doce prevendo
Para mim, dias amáveis,
Afáveis, de carinho e
encostar de ombros,
De ser inteira em tantos...

Senti aguda e estridente
Em meu peito
O horror do medo
De ser para sempre
 solidão.

lundi 14 octobre 2013

"É só mistério não tem segredo"

De tantas histórias, tantos amores, o que ecoou nas bocas, ouvidos e olhos das moças sentadas à mesa foi a frase, parafraseada, recriada para caber em nossos dias:
"Há menos mistérios entre o céu e a terra do que no coração de uma mulher".

Intuição

Intuitivamente eu ri até não mais poder
Intuitivamente Shakespeare me chega em presente
Intuitivamente esse silêncio é não querer
Eu querendo tanto sem saber

Procurando espaços para sofrer
de tudo o que já conheço
desse amor mentiroso que foge correndo
se um dia chega a parecer
Desejando solenemente o que aqueles olhos
amarelos me davam.
O amor à beira do rio marrom
onde flores de algodão
viravam travesseiros de nuvem
as horas caminhavam lentas
Argila tocava repetidamente nos auto-falantes
e eu era
simplicissimamente
encantada
rodeada
e rodeando amor.

Círio com C.

A santa atravessaria a cidade,
A corda estaria abarrotada de gente
Os voluntários levariam água
A multidão estaria nas ruas.

Só após a notícia no jornal,
Um dia depois,
Eu viria o que não conseguira
ouvir antes.

Minhas não palavras
estavam perto em pensamento
durante toda a procissão.

Durante toda a romaria
vi patos no tucupi
a fé dos que creem
as lágrimas nos olhos e
a solidão de estar longe.


Amarelinho

O céu era azul no sábado
E eu me fiz azul
para lhe fazer par.

Fogo, água e corações.

Distanciar os corações
começando pelo distanciamento
dos corpos.

Para se distanciar os corações,
deve-se iniciar pelo distanciamento
dos corpos?

Afastar-se para não afogar-se.
Afogar-se: encher-se de água dentro.
Afoguear-se: tomar-se de fogo
de fora para dentro.
-tão parecido, tão distinto-


É preciso aproximar os corações
quando a água é carinho na pele
e o fogo é acalento para pés e mãos.





A água da chuva não é gelada
nem quente, neste solo tropical.

samedi 5 octobre 2013

Cobre tudo.

[Os atos têm me ultrapassado.
Antes que pense si
Já se foram a boca, as mãos, os pés.]

Solidão não é de se querer
É aperto extremo.
Diminui os tamanhos de quase tudo
só aumenta o vão de dentro.
Gota d'água em buraco fundo.

O coração está seguro aqui
neste não lugar de não pertencer
Se escorrego daqui ou de lá
é de se entregar
deixar amar...

Ainda não. Em nenhum lugar
neste aperto imensidão
há espaço para mais um.

Por ora,
só hipóteses
que flutuam,
vezes delicadas,
vezes doídas
nessa tal caixa apertada
e vazia.


mardi 24 septembre 2013

Me abriga

Queria que  fosses uma rede,
Despojaria então meu peso
Sobre teu tecido
E teria teu balançar
A Ninar meu sono...

Os sonhos viriam frescos
Como as frutas de tua terra
Acompanhados de música
Doce como as de teus dedos.

Sê rede... e eu me entrego
sonolenta e cansada a ti...

lundi 23 septembre 2013

Amanheceu

Não há inspiração nas manhãs de segunda-feira.
Há preguiça, dúvida, saudade, resto de sonho, calor, preguiça, saudade, dúvida, fuga, vontade, saudade, preguiça...
Onde está o amor nas segundas-feiras?

Rir

Gargalhar
é lembrar
que viver
é só estar
Presente
e rir
de si
dele
do mundo.

Gargalho e sou viva.


Vi

 Um corpo que se arrebenta e mil flores sobre o túmulo de vidro. Quem ela ama?

Tempos de guerra e amor.

Seguro sua mão...
E solto.
Olho você...
E esquivo.
Abraço você...
E te largo.

Ando em guerra
por dentro,
As trincheiras
já gastas,
Revelam
a traição:
querer passar
oculta
para o outro
lado
é um desejo
incessante.

Toco você...
E desvio.
Amo você...
E te deixo.


"Você vai ver o que você quer ver"

Tantas mulheres
Me contaram histórias
Com seus versos
Seus gestos
Às vezes,
Com só um olhar.

Revisitei hoje
todas elas.
Pelo corpo
E voz
De uma outra
Que veio também
me ensinar.

Em gratidão
deixei
espalhadas
sobre o chão
onde pisava
gotas transparentes
de amor e saudade.

dimanche 15 septembre 2013

Reconhecimento IV

Aviões de papel
Bilhetes escondidos
A rua dançando
na madrugada
garoa testemunha
de nós.

Símbolos de guerra
regados
em doce graviola-cajá

Descanso em ti
sou menina
caretas
chistes
sou
.
.
.
Me olhas
te penso
e te reconheço
querido
quase amor

vendredi 13 septembre 2013

Reconhecimento III

A ovelha negra,
a mais perdita.

Eu.

Reconhecimento II

A de voz mansa,
pueril,
que guarda um diabo
-quase doce-
por dentro:

Eu

Reconhecimento

Aquela que repara a barriga
e o olhar perdido
de alguns pássaros.

Sou eu.

ausentar-se, apresentar-se

O presente me revela:
ausência e  presença;
contraditória moeda
de dois...
tantos...
lados.

Me ausento
pois ainda há
espaços vazios
e partes mal encaixadas
de mim
em mim.

Quando sou presença,
estou inteira,
consigo costurar
quase todos os fios
meus.

Quase sempre
é o presente que
me traz,
me faz
presença.

Quando sou ausência
são eles
os devaneios
quase sempre
do passado
que me dispersam
em meu corpo...

E este,
ainda que invólucro
constituído de tecido único:
pele,
Não dá conta
de me fazer presente...
e me distraio novamente.

Caixa preta

A caixa foi a única
sobrevivente
do amor que
aqui houve

Preta,
abarrotada
de besteiras

Se a tivesse
descoberto antes
saberia antes.

Todas as bobagens
que ali estão,
- E ressalvo disto
apenas Alberto Caeiro-
Hoje quando reveladas
Se mostraram presságios
envelhecidos...

Do fracasso que

seria

era,

foi

nós

dois.


Jetlag

Aeroportos para mim
Tornaram-se a lembrança
De seus olhos apaixonados

À espera pelo amor
distante

Passo pelos aviões
Suas portas abertas
E não há mais nada.

Como você pôde
ter morrido tão brutalmente
Sem rastro
Afago
Afeto

Os aeroportos
Andam vazios
De amor.

E eu já não entendo
Nem acredito
Em nada que
Trate deste assunto.

lundi 9 septembre 2013

Morar na Urca

Passarinhos cantam
em nossa janela
enquanto o café
perfuma a mesa
na varanda

Te espero
ouvindo uma música
e rodopiando
passos de dança

O sol ainda
amarelo claro
nos observa
começar o dia

Mais uns instantes
e chegam teu riso
e tua matutina
poesia

Tudo aqui
é tão doce
quente e calmo
como o o amor
que eu queria.

Rio de Janeiro

Imensa solidão de verão
com enormes possibilidades
de amor e promessas.

jeudi 5 septembre 2013

Eixo

Escorrego
minha língua
sobre
a sua.

A sua lambe
a minha pele
(já não mais)
arredia.

Deixo os lábios
aqui para
sua mordida.

Mordo
os seus,
Saboreio
você,
Desarmo
você.

Está feito.

Cadenciamos
o transe
de minha boca
(minha pele, minha carne, minha...)
na sua
e da sua
na minha.




mardi 3 septembre 2013

a tarde e suas cores

Pássaros cantam em agonia,
o céu cai de azul turquesa 
à um azul-alaranjado-rosa-magenta

Em minhas costas
os grãos de beleza reconhecem
os olhos que os vêem,
seu timbre e
o peso de seu corpo 
sobre as estrelas deste céu.

A noite vem, 
ternamente 
cegando tudo 
silenciando e
acalmando os vulcões

[ainda que o sangue esteja lá.
Vivo e vermelho.]

lundi 2 septembre 2013

Sobre a guerra

Fracasso e derrota
são os nomes
desta segunda-feira,
Desta casa,
Dessas pernas
E da ausência dele.

Fracasso e derrota
Ressoando nos ouvidos
Nos olhos e
em meus pés moles.

Fracasso e derrota
São os nomes
das últimas segundas-feiras
Deste ano.
O não reconhecimento do corpo é ordinário nas ruas onde ando.

Breve diálogo com o estrangeiro

- Ainda não entendo
- O que não entende?
- Como conseguiu...
- Mas o que de tão extraordinário?
- Se vens de tão longe...
-Sim, minhas estradas são outras.
-Não entendo como pôde ser tão fácil pra ti
-Tenho lá minha sapiência.
- As portas estavam fechadas e tudo já tão enferrujado...
- Mas não se trata de força, de fato...
- Suas mãos de fora conseguiram abrir essas portas de ferro, que há tanto guardavam esses  \cantos inabitados de mim. Chega você, estrangeiro, e me revela esses lugares, abrindo as portas e me deixando cara a cara com esse pedaço estranho de mim.

- Não vejo para que tanto, eu sou apenas um homem só procurando abrigo e suas portas fechadas me pareceram esconderijo perfeito.

lundi 26 août 2013

Ah gosto!

As chuvas, os buracos, os acasos...
Agosto vai chegando lentamente ao fim.

vendredi 23 août 2013

Bobos

Bobos são aqueles
Que tudo sabem
E só eles podem
Tudo dizer

E quanto a menina,
Que dorme
sobre a ignorância,
Como pode ela
 boba ser?

mardi 20 août 2013

Da minha varanda

Trovador,
Cantas uma música,
concedes-me quase presente.
Revelas oráculos e me deixas
Tão atônita diante dos mistérios

Tenho aprendido contigo
A escutar imagens,
Enxergar silêncios
Duvidar dos despropósitos
De mero acasos...

Teu lirismo tem tomado
Aos poucos minhas manhãs

Percebo-me coberta
por seu manto,
Como pequeninas gotas
De orvalho,
que umedecem  as folhas
Ao nascer do dia.

Assim repousam
Tuas delicadas palavras
sobre mim

dimanche 11 août 2013

Engano III

Palavras,
esses seres
estranhamente
encantadores.

Dize-me:


Dizer-te quero:
Quero-te,
Não digo-te,
Com-tudo.

Queres,
E dize-me
Sem dizer.

E se quero-te?
Só se
Com tudo
ou
Toda via
Querer-te,
Dir-te-ei.

.

Croquis pour Condaline

Condaline fermait les yeux et  faisait des rêves eveillés.
Autant d'amours elle avait que son coeur risquait d'exploser.
La fille a perdu les notions de temps et de spacialité,
Son corps ne faisait que se balader
Autour des arbres verts et du vent de l'été...
Condaline ne connaissait rien de ce que disait les sieurs
sur le mystères de la vie, de la nature ou de son corps ou coeur
Mais à chaque fois qu'elle fermait les yeux un nouveau sentiment
découvert et reveillé se dessinait de la pointe de ses pieds jusqu'au
plus court fil de cheveux

jeudi 8 août 2013

Memória do corpo

I
O encontro
Cheiro de pele fresca, doce pele a sua. O cabelo molhado, os cachos que me beijam junto com a boca, umedecendo meu rosto. Seu nome é fruta madura em meus lábios. A voz tranquila, meio menino, meio distante, mais distante. As mãos são veludo, mas de temperatura boa, água morna em dia de chuva. As mãos tão perto, que não faz sentido a voz longe. Despido-me para sentir meu peito tocar você. Carne macia, identifico sua altura, a textura de seu peito contra o meu, nossas diferenças. Elas estão, principalmente aqui, na textura/ matéria/disposição/conteúdo de nossos peitos...

II
A lonjura

Tenho só lembrança sua. Algumas delas. Umas se confundem com sonhos antigos, outras, com histórias que inventei, outras ainda são não-lembranças ou lembranças de uma ausência.
A pele que me contorna, que ficou tão perto, tão dentro, é também estranha e inóspita. Às vezes, não reconhecia suas notas, seus timbres, que são muitos. Eram estranhos os passos na dança, não houve dança. A dos quadris sim, a dos órgãos, não. Houve silêncio. O silêncio das montanhas. O silêncio me fez desconhecer você. Meu silêncio nasceu da distância de sua pele na água gelada, do não afago na beira da água, da terra perdida que nos levou à água escura. Quase tudo em você é desconhecido...não-presença?  Não-querer? A pele era tão doce junto à minha, mas as noites perto eram tão longe. O silêncio da mata juntou-se ao som da água... Não, nada é certo...e os silêncios podem ser só a espera, pelo amor que não vem.

Passando longe...

Dormia eu,
em sua cama
lado seu, lado meu
e continuava só.

Atravessava eu,
a ponta da Bahia
com o outro,
mar imenso, sol caindo
e continuava só.

Lia eu,
lindos poemas
do outro,
de flores, datas,
memórias de mim
e continuava só.

O amor passando longe daqui...


mercredi 7 août 2013

Vinheta para Gael

Vem tranquilo,
Gael.
Vem, pequeno gigante,


Vem sereno,
Gael,
Que o mundo nasceu
pra você nesse instante.

Imagem-passado

Um filme de rolo
com fotografias
desconhecidas
foi encontrado.

Um filme de rolo
velado
com fotografias
escondidas
repousa sobre
a escrivania,

Um filme que não,
jamais será
revelado.

Um filme com histórias
repetidas
que ninguém
mais
quer saber.

mardi 6 août 2013

Branco

Uma conta branca em sonho
Se arrodeava no pescoço.
Todos esses oxalás
ao redor de mim,
Chegando...

O branco da calma,
Vem manso
Cobrir os arrepios
Enxugar os olhos.
Chegando...

A calmaria vem em sonho,
Acordo procurando
Esse branco,
Essa calma,
Oxalá em mim...

mardi 30 juillet 2013

Da redondeza do viver

I
Havia uma tartaruga
sem vida na areia.
A morte da tartaruga e
Seu cheiro forte.

O mundo deixando
seus recados...
A vida acontece
no invísível.
Embaixo d'água
ou sobre a terra.

II
Margarida era flor
Deixou o jardim
Foi-se margarida.

Dias antes
chegava
o jardineiro.

Gael, sereno,
doce, menino.

Recomeçando tudo,
todo o ciclo.
Regando flores,
margaridas,
violetas,
rosas...
flores.

samedi 27 juillet 2013

Engano II

Onde se vê calma,
Há um inferno.

Superfícies de vulcão
São sempre
terrenos mansos.

jeudi 25 juillet 2013

Cuidado

Tiquinho mais de você
Mal nenhum ia fazer

lundi 22 juillet 2013

domingos e fins

A melancolia desponta
pelo filme na tela
pela tela em branco
pela ausência.

Outro dia
tudo era antes
quando eu
Outrora
Era tudo tão
Naquela época.

Hoje, agora
o domingo acaba
levando em seus braços
esse sem nome
que desce em lágrima
ou em aperto no peito
ou em saudade de nada.

Hoje, agora,
já virou antigamente
de novo...

Das conclusões

A carne antecede o verbo.
O verbo dignifica a carne.

dimanche 14 juillet 2013

"Como dois e dois" ou Caetano é uma grande companhia.

A música ia e vinha e fazia voltas em torno da moça.
Ela tinha olhos profundos e cansados.
Rodopiava sua taça de vinho.
Pés descalços, vestido comprido.
"Tudo em volta está deserto".
O resto já não lembrava.

Uma garrafa ou duas?
Quantos amantes?
Destes, quantos amores?
Quantos cigarros esta noite?
" Tudo certo"?

O tapete colecionava manchas.
Cada uma, uma longa, triste, feliz ou curta
história.
Ela rodopiava sua taça de vinho.
A lua esta noite era crescente.
Crescente como as incertezas.

O refrão era o único mote.
" Meu amor"
Mais um gole, um rodopio.
Mais um tudo em volta está deserto.
Mais um tudo certo.
Tudo certo...


Engano

Tanto ruído
por nada.

Pouco
muito pouco.

Quase nada.

Equívocos
não deixam nunca
de acontecer.

mardi 9 juillet 2013

Vi você de longe, sentado tranquilo na mesa do bar
Inclinei a cabeça, tentando encontrar seu olhar...
Nada mais ao redor precisava rimar,
insisti em me fazer, por você, notar
com tal certeza, só não perceberia, quem não fosse de acreditar em
ilusões, em histórias,  em canções em amar ...
usei os meus, os seus, pedi a bença de todos os orixás
sabendo que por alguma razão havia de ter cruzado seu olhar...

Segui com muita paciência todos esses anos
inquietude, ainda que momentânea teve seu lugar
levei outros rumos, outros amores; você, os seus, outros, outras...
Vida nem sempre espera o tempo do encontro, mas fiz com toda calma
aguardar...

Ainda me perco em seu tempo,
titubeio com seus sinais,
ando tonta com seus cheiros...
Há de haver deciframento para esse alfabeto,
inclusive para essas palavras que são só silêncio...
Deixam-me endoidecida de tanto pensar... mas
encontro você e todo o resto parece se acalmar...

Gangorra coração.

Oscilo meus dias
entre adivinhar você
e quando vai aparecer...

Distraio muitos instantes
com essa saudade-não-saber

Surge você
meus olhos amornam
emudeço
quase acredito saber
te achar

Some você
oscilo meus dias
entre adivinhar
sonhar
se vai
aparecer...

Surge você
com a notícia
de que vai
sumir mais

Some você...
Surge você...
Some cadê...
Surge ...

samedi 29 juin 2013

Depois de tanta chuva
encontrar seus olhos
é como terminar
de escoar a lama
do quintal.

E a lama
sempre volta
quando chove.

Vale.

Aquele é o mesmo
vale que minha memória
me foge.
O mesmo rio gelado
abraçou minha história
meu corpo
minhas lembranças.

O tempo essa vela acesa
sempre,
sempre.
Aquela água escura arrepiando
minha espinha curta,
esguia
fina.

Lembro da mão sobre as minhas,
a foto que guardou a memória
os olhos
o cansaço
a certeza.
Suas mãos,
aquelas
as mesmas.

Hoje as águas eram geladas
eram as mesmas águas
antigas e novas ainda.
As mãos?
Onde?
As minhas, aqui.
Eu inteira
perdida.
Não,
achada e só.
Nesse rio vermelho e gelado.

Minha espinha acorda mais esguia.
Ele cai na água depois,
se põe à distância, depois.
é inteiro ausência, depois.

Ainda que só,
rodeada e só
coberta de mim
Esse vale tem
essa força que é da água
gelada
arrepiando espinha
construindo novos caminhos
sobre mim,
sobre si mesmo.

Ainda vale
procurar essas mãos
na sua ausência-presença
ainda que as águas turvas
tudo escondam.

Vale.

lundi 17 juin 2013

Da textura de (uns) bichos

Moluscos são escorregadios.
Ao encontro com o sal,
derretem.
Concluo então, que:
Preciso virar sal
e derreter alguns moluscos
por aí.

vendredi 7 juin 2013

toca

Olhando você,
penso:
-O caminho natural dos corpos é o toque.
É natural o caminho.
O toque.
Te toco.
Tocas-me
En-toco-me-em-ti.
Em ti,
não menti.
Mmm...e(n)ti...

(suspiro)

II
É, natural...
Seu corpo em meu.
Em meu corpo, em ti.
Me entoca,
te toco,
naturalmente,
assim...

Penso:
- O caminho natural é seu corpo em mim.

mercredi 5 juin 2013

Augusto Omolú.

Mais de 50 pessoas dançavam você hoje e todo aquele prédio histórico  vibrava em sua honra.
Eu que não te conheci,
te senti tão vivo,
tão forte naqueles corações,
que quase te conheci.

A frase de teu filho ecoava
em minhas lembranças.
Foi numa manhã qualquer,
" você não conhece ele?
Você não conhece ele?"

E a partir daquele dia eu te conheci.
Te conheci,
mas não tive tempo.
Não houve tempo
de ver teu olhar de perto,
reconhecer teus passos,
tua linguagem,
os movimentos de teu corpo,
tua sabedoria.

Omolú é o orixá da cura
e eu cá me perguntava
que tipo de cura é possível para isto.
O que pode curar essa dor.

Um espaço vazio
 imenso
que se abre
no meio do mundo
quando alguém se vai.

Mas pior,
quando era arte
e difundia ela pelo mundo
e espalhava
tantos pupilos
e tanto saber,
tanto amor, tanto.

Omolú cobre de palhas
um corpo de chagas.
E só penso em seu corpo
coberto de chagas
no domingo.

Mas não quero pensar,
porque seu corpo era
muito maior
do que o que se foi.

E Omolú é o orixá da cura.
Foi a cura
que eu vi dançar
aqueles corpos suados esta noite,
a cura naquelas palavras de amor.

A vida
e a cura na percussão
que te acompanhavam esta noite.
Ainda que o corpo e
stivesse inanimado
e cheio de chagas 
em algum lugar perdido...
todo o resto está vivo,
nos corpos que você ensinou
a dançar
e que eu vi tão forte
vibrar o chão
daquele prédio antigo
esta noite..

Atotô.

vendredi 31 mai 2013

Levestar

Sonhar é sempre
o início.
...

Leve que é,
não tem em si
a idade do mundo,
nem a idade do sonho.

Leve, pois,
a mim
em todos os seus encantos.

Leve cada pedaço
e eu assim só
quero conhecer
seus cantos

Levar suas mãos
leves sobre minha
pele
ado-sê-la.

Sem raízes,
levitar os pés
até o toque
seu chegar
leve até o meu
coração.

Levada
vou,
assim sem
pensar em
nada.

Mais leve
que dias de sol
no mar,

Mais calma
que a voz sutil
que sai.

Leve, pois,
tudo,
deixe-me reduzida
a nada.



mercredi 22 mai 2013

Divido dívida. Interessado(a), favor se apresentar.

Devo-te poesia.
Percorro as mãos por um bolso,
não encontro.

Estão apenas  papéis velhos,
antigas presenças,
dias que deixaram
só esse resto de lembrança.

Procuro pela pele...
não encontro.
 Aqui estão arrepios,
muita solidão
e algumas gotas
da chuva
de dois dias atrás.

Insisto no peito,
oco está.
Tão fundo
que faz eco.
Buraco negro,
escuro...
nada há.

Com pesar,
respiro e
devolvo-te o olhar
e em poucas palavras
repito

o mesmo ditado
velho ditado:

Devo, não nego.
espero, em breve,
poder pagar.

mardi 21 mai 2013

Do desnecessário.

I

Desnecessariamente,
criou-se a poesia
para passar o tempo,
desnecessário,
daqueles
cujo coração
não se equilibram

ao útil,
ao que serve,
ao que funciona
para

algo.


II

Desnecessariamente,
as bocas se beijam,
as peles se tocam,
os olhos se olham.
Desnecessário é
o não amor,
do corpo.

Desnecessário pensar.
E outra vez,
mais uma
vez,
pensar.

Desnecessário foi
deixar o tempo
passar.
E deixar o necessário,
desnecessário estar.



Reinventando:

Bom humor tem limites.

lundi 13 mai 2013

A pele

 Prólogo:

Tecido
que absorve
tudo
o tempo
inteiro.

A minha
anda
procurando
cheiros
virando
esquinas

Repetindo
as frases
esparramando-
-se
sobre
si
mesma.

...

Quand
ta peau
est devenue
salive
sur mon sein
tout que j'ai
absorbé
était
tien.

je t'ai eu.

afogada.

A cidade segue tomando banhos diários
Eu enxugando o rosto molhado,
Entre um suspiro e outro,
alguns sonhos escapam
no ar que sai.

Iemanjá não deve gostar de mim,
ou faz de pretexto por gostar demais.


É muita água, água demais,
escoando, caindo, voltando,
indo, indo, indo...

jeudi 9 mai 2013

Traços ou íntimo exposto ou lembranças após um filme de lembranças.

Porque ao bater a porta, tenho que me esforçar para lembrar de não te esquecer. E para te esquecer, é só ouvir as outras vozes, que ecoam, à essa hora, 23h51, todas do mesmo quarto, onde a TV e muito amor estão acesos.
Mas ainda se ouço outros, ainda assim não te esqueço. ponho um pedaço de açúcar na boca. Sinto toda a língua salivar o doce, o sangue adoçar, acalmar... devagar adoçar... Mas ainda não esqueço.

Pensei que se tudo estivesse guardado em uma caixa, e que se a colocasse lá no fundo do armário, depois de alguns anos, algumas traças e mofo, isso tudo não mais existiria. Mas não há doce, não há outras vozes, não há sossego. Em verdade, tudo isto há, mas você está sempre lá.

Não, não se trata aqui do amor que passou, não me refiro àquele que chamava de meu há algum tempo atrás. O que insiste aqui é outro, é outra. A mesma, a de sempre. A que vaga sem destino, circulando, embaralhando fazendo nós em si mesma. E de repente, me vem a cena da moça que dança com a corda e que dançava com a lua. Esta aqui também dança. Não com a lua, corda também não há e não, felizmente, tamanha tristeza. Há essa incansável, incessante, impossível, esta incontornável, esta indizível, esta.
Esta que tentou colocar-se em uma caixa e guardar-se no fundo do armário. Que se camuflou, escondida, tentando caber no coração do outro, que agora perdeu. Que se dobrou organizadamente em duas malas de 32kg, pegou um avião e cruzou o atlântico. Esta que não atravessou todos os oceanos. Que abandonou aqui   o seu amor, jogou ao chão os buquês de margaridas. Tudo o que fica sempre é esta.

A que olha no espelho e vê um rosto bonito às vezes, narigudo às vezes, com orelhas grandes às vezes. Uma boca bonita, olhos impossíveis, olhos que não se sabem, olhos que não se lêem, olhos. Que aguardam e se agarram a qualquer mínima pista de alguém que os leiam. Olhos castanhos escuros, janelas.

Então não coube em 64kg, nem em uma caixa no fundo do armário, nem em espaço algum não cabe. A moça me contou lembranças de outra e eu a vi costurando lembranças suas. Para descobrir o que da outra não a era, não precisava sê-la, não será.

E dela, nesta, ficou o que se dança. Os passos pequenos de pés crianças, embalando o sonho. Ficou o dançar solitário, os olhos de Belilove em meu corpo de menina, que aprendia a pôr no corpo, em todo ele, o coração. O baú de fantasias coloridas, numa casa enorme, frente ao mar, onde às sextas-feiras, esta aqui podia ser tudo o que cabia em seus sonhos e em seus passos...  Ficou também o desencanto mais tarde. Um vazio que não sumia com nada e o corpo que se paralisou pelas vozes dos outros.

Mas esta não cabe numa caixa e tudo está aqui, circulando ainda e ainda e encore e encore, en corps, en corps... Quando a França faz sentido e correr solitária pelas madrugadas do deuxième arrondissement parece ser mais um acontecimento do corpo, encore. Quando o silêncio se fez e me disse que seria melhor se não olhasse a verdade. Que os olhos no espelho não tem fundo, não tem fim, não se sabem... Encore...

A água, o tempo, a sutileza, a delicadeza, o furacão, o corpo, a água, o tempo, a delicadeza, a sutileza, o silêncio, o vazio, o furacão, a calmaria, o choro, o mar, a água, a delicadeza, o corpo. São as letras que mais me encantam, me emovem, movem-(m)e, fazem-me dançar.

dimanche 5 mai 2013

Lições de um amor perdido

Coração,

Você me contou histórias
de barcos e navegadores,

Você me tirou para dançar
no quiosque,
me disse que eu era
a mais linda
e que seus filhos sairiam
de minha barriga.

Coração,
como é mesmo o nome daquele
pintor?
Você me mostrou
o vaso de Duchamp
e o azul de Klein.
Abriu a porta para mim
e abriu para você
o meu
coração.

Agora você se foi,
coração.
E ainda me pego
fazendo planos.

Mas quando respiro
um pouco mais fundo,
Percebo que conheceria mais

e outros mundos sem você,
e que à parte
esse buraco negro de decepção,
um baú cheio de lembranças
e uma caixa preta fechada,
tudo que você me deixou
foi sua ausência.

Respiro outra vez
e percebo que se
não tivesse você
aberto meu coração,
nem uma vez,
por nem um instante,
ele seria seu
e eu não haveria
desperdiçado
tantos sonhos
em vão.

Assim,
docemente te digo:
- Vá e não volte
mais, coração.

mercredi 1 mai 2013

Em algum lugar perdido de 2008

"Ele todo é samba.
Em compassos marcados de sorriso e prosa.
Escorregando entre notas,
entre as curvas
de escalas espaçosas.

Ele todo em ritmo.
Um maracatu de um homem só,
só e se basta de tanta música
que exala
em encontros desmarcados
andando no contra-tempo
solfejando os rumos de nós.

Ele todo o groove,
o balanço do corpo
em passos distraídos

Leve que nem bossa
dia de domingo,
Intenso como um soul
Ele todo reservatório de música...

E eu me pego dançando."

vendredi 26 avril 2013

"Gira mundo cão" ou "um mês = 30 dias ou um fim"

Hoje,
há um mês
que você nasceu
há muitos
anos.

Há hoje,
em minha boca,
um mês
que você
em fel,
morreu.


mercredi 24 avril 2013

Deixa em paz.


Ai, agonia,
passa e não volta,
não deixa nem rastro de tua estadia por aqui.

Ando olhos mareados,
sem rumo,
sem destino.
Não há nada
E tudo o que havia tu me levastes,
agonia.

Tudo que havia era ele,
que me arrodeava entre os braços,
e tu, toda, desaparecia ali.

Vai, agonia,
não me deixa nem remota
lembrança de tua estadia,
Vai e não volta.

Que esses olhos já cansados,
já não sabem o que fazer
sem ele.

mardi 23 avril 2013

Órgãos invisíveis.

Ouvi dizer que quando o coração fica miúdo,
é, na verdade, o Timo que se recolhe.

Pois bem,
o meu anda tão ínfimo que
quase não se acha.

Timão,
por sua vez,
é o comandante
principal,
do direcionamento
de um barco.

Este eu nunca
soube governar,
pior agora,
com timo tão ínfimo
e sem barco
nunca ter tocado.
...

Já o Tino,
esse é outra coisa,
é justamente a ele,
que me agarro nessas noites
que timo, coração, pulmão, timão...
nada dá conta...
O

Du desire



Cet incontrolable volonté de te dire.
te trouver
te tenir
ne te laisser partir.

lundi 22 avril 2013

Abril, mês de chuvas no litoral.

Nessa época do ano,
o vento sopra forte.
Por aqui,
ele assovia tão alto,
Que,
por vezes,
até canta.

Nessa mesma época,
seu  silêncio
vem tomando tanto,
que sua presença
começa até a não estar...

Nessa época,
tudo que começo
a só ouvir
é o vento,

(ouve:)

levantar,
    '
arrastar,
    //
embalar,
    '
assoviar,
    '
cantar,
   '
passar...

E tudo seu vai virando só lembrança.

vendredi 19 avril 2013

Xangô e Iansã em explosão nos céus.
Força bruta no ar...

E aqui dentro desse coração terra,
Tudo que quero é apagar o fogo.

Iemanjá e Oxum com vossas águas,
escutai as minhas orações.



dimanche 14 avril 2013

Do poder da transformação ou da loucura da humanidade.

Como virar borboleta e esquecer que se foi lagarta?
Como ser neurótico, surtar e esquecer que se foi neurótico por tanto?
Então, como ser louco, neurotizar e esquecer-se todo o surto?

Em loucura, o homem diz:
"Ontem eu sonhei que estava num hospício e as pessoas estavam loucas ao redor de mim."

Hoje acordou como se nada tivesse acontecido.
Bata-me uma garapa e tome seus remédios regularmente,
eu replico.

jeudi 11 avril 2013

o amor que se tem


Por todas as vezes que vi seu olhar repousar sobre mim,
Por todas aquelas que minhas mãos e as suas foram uma.
Pelos planos que viraram vida.
Por todas as palavras ditas.

Pelas outras indecentes, sussurradas.
Pelos caminhos obscenos que nossos corpos tomaram,
Pela nudez deliciosa onde nossas mãos caminharam.


Por cada gradação de seus cheiros que eu conheço.
Por cada textura de sua pele que reconheço,
Por toda temperatura sua que em meu corpo se funde
Por saber seu tom, seu timbre, sua cadência ...


Pela distância, que por tanto tempo, e ainda, é presente,
Pela presença que foi possível em ausência.
Pelo cuidado, pela parcimônia e pela  delicadeza.



...

Por estes e por tantos outros versos, tantas outras linhas,
Soube, sei, senti, vivi e ainda espero
o amor que existiu aqui.

Imperatriz

A imperatriz deixou de ser.
Ela só o era enquanto os olhos dele
assim fizeram-na.

A imperatriz rasgou a seda do vestido,
hoje anda mendiga nos bosques
da cidade cinza.

Os olhos dele já não a olham,
e também já não se vêem.

Ele perdeu-se também.
Não sabe seu nome,
sobrenome,
não reconhece suas pegadas.

Ela não mais imperatriz,
ele não mais.
Não se sabem,
não se tocam,
não.

mardi 2 avril 2013

Ainda ontem estive em versos,

Todo meu nome virou letra maiúscula de poesia.

Ontem estive também em sonhos,

E se eram azuis as cores do cabelo,

Eram mais vivos do que o que há hoje em vida.

Ainda ontem, fiz versos esperando dois sóis chegar.

Hoje venceu ontem com a brutalidade de um animal

faminto
sobre sua presa.

Toda a memória de ontem ficou ali,

Comida, suja de sangue, desaparecida.

Presa, ainda que não fosse a presa,
na boca do lobo.

Doce era ser poesia,
ter cabelos azuis,
acreditar no amor.

Doce era sempre o ontem.









Da falta de notícias. Ou dos adornos perdidos.


A mala está semipronta,
Aberta e espalhada pelo chão.
O chão espalhou-se por tudo,
Os adornos estão dispersos
Em todo canto há.

O viajante desapareceu,
Tomado foi pela partida
Partiu-se enfim viajante de si.
Embriagado em seu não-destino.
Não deixou faísca de seu paradeiro

O mundo o deu por desaparecido,
Não se sabe se entre as montanhas,
Ou se no fundo do mar.
Apenas foi-se.

Adornos estão por toda parte
Procuram a quem adornar
Na etiqueta estragada presa na mala,
Um número apagado diz:
Em caso de emergência ligar.

O mesmo número
jã não muito se enxerga,
Se for este o certo, vive a chamar,
Ou ocupado sempre está.

Após quase um mês,
Deu-se assim por falecido,
o viajante.


mardi 26 mars 2013

A cidade é maravilhosa
A cidade era maravilhosa
A cidade é monstruosa
A cidade é.

Virou pó


É preciso cuidar,
se há mar,
é preciso.
Hoje, varrendo o chão,
só a poeira e o que sobrou da noite de ontem.
Um animal morto,
Alguns copos sujos,
A velha sabedoria:
somos sós no mundo.
Todo o resto a gente inventa.
Não há amor.
Não há mais nada.


mercredi 13 mars 2013

Tanto em-si-mesm-ou-se que virou pedra. Aquela, no meio do caminho.

lundi 11 mars 2013

Eu não vou mais
Me perder não vou,
Vou mais,
Não vou me perder
mais


samedi 9 mars 2013

É dia novo,
amanheceu luz branca amarelada na janela.
Aqui sempre é calor, 
mesmo escuro é calor.

Virou-se o dia 
tudo continua tranquilamente
revirado.
As frutas tem  gosto de sempre, 
já enjoados,
café muito doce 
ou muito amargo.

Há praia... 
preguiça
Há saúde...
então há vida.

Mas o que há que não há? 

Amanheceu de novo,
E esqueci  os meus sonhos.



vendredi 1 mars 2013

Amor d'água.

 Não é possível que  seja de algo outro que não a água... Se seu elemento é fogo, os sentidos do mundo estão realmente invertidos.

Vez ou outra, ele evapora, se dissipa em pensamentos, vai para longe, deixa de si só a invisível presença no ar. Para então, depois de algum tempo, condensar-se, desaguando água doce, sobre a terra e sobre a  Baia de Todos os Santos.

Dessa sua descida leve, dois caminhos se sucedem: Sobre a terra, é sobre mim que deságua. Terra, esta sou eu, esse é meu elemento. Cá estou, com os pés secos, rachados, às vezes do calor, a vida quase se esvaindo, balançada pelo vento, o chão tudo sugando, esmorecendo  sumindo, sumindo... Quando então, chuá! Ele vem doce, sobre mim, irriga-me toda, dos pés à cabeça, refresca, acalma, levanta toda a vida em mim. Deixa minhas raízes mais fortes, minhas extremidades vistosas, bonitas. Ele, quando é água doce sobre a terra, me faz florir, afasta os bichos, deixa-me inteira, mais forte, para continuar firme nesse destino que é ser terra.
Seu outro caminho é quando se derrama sobre a Baía de Todos os Santos. Faz-se então mais poderoso, imenso, é como se do mar viesse e para lá voltasse. Sei, que ainda em vapor, é para lá que ele vai. Sei por seus olhos distraídos, que se acham, ao se perderem por tantas horas na Baía. Sei também por suas lentes, que registram água, água, cor de água. Pelo que pinta, sei. Sei por Iemanjá, que guarda nosso sono quando ele me cobre nas noites férteis. É para a Baía, para o mar da Bahia que ele sempre vai.

Assim, quando se precipita sobre a Baia, sua água doce se joga inteira sobre o verde escuro misterioso desse mar. Levanta a areia do chão, mistura-se inteiro ao sal de Iemanjá, recobre-se de sua proteção, ela o o protege, enfeita, o beija inteiro, faz dele seu filho homem; ele lhe cobre de mimos, diz palavras de adoração e respeito, exalta sua presença maternal e de mulher.

Sua água doce, é então toda salobra e de salobra, toda salgada, poderosa, inteira. Quando ele está nessa forma, em mar, é quando se crê imenso. Não só se crê, mas o é. É forte, pode derrubar árvores centenárias, promover inundações, fazer desaparecer cidades inteiras... Pode também abrigar vida. É em sua forma de mar que ele é protetor de toda a vida que tem dentro de si, encobre toda ela,  todas as suas espécies e os guarda num silêncio profundo, onde os sons que pouco se escutam são os graves que ecoam lá de longe, de fora de si.

Mas não pode permanecer para sempre mar. O ritmo do mundo calca ciclos e a vida nunca os paralisa, não se permanece um algo só por muito tempo...

Aqui, na terra onde vive, o sol é forte, incide quase que perpendicularmente sobre toda a superfície, dá-se pois a impossibilidade de ser água fria, empedrada, sólida congelada. O que se prossegue é que, a partir das águas salgadas, assim como da terra onde ele tudo banhou, o sol o esquenta, tinindo, amarelo, forte, tanto, tanto, que de água líquida daqui e dali ele vai se transformando, pouco a pouco recuperando sua forma inicial de gente. Gente: esse contorno que ele tem pouco antes de evaporar outra vez e se desaguar, começando sua jornada de água novamente.

Acredito que pode estar aí o equívoco de alguns, ao lhe acreditarem fogo. É fato que sem a tal bola de fogo ele não poderia recomeçar e dar prosseguimento ao seu ciclo infinito de água, mas não se pode confundir sua essência nesses caminhos. Seu elemento não pode ser o fogo, senão, ele não desaguaria tão doce, delicadamente sobre mim, senão, seus olhos não seriam mareados, levados, vapor d'água.  Se fosse fogo, sua casa não seria o mar, Iemanjá não seria sua Iyá, não seria então para lá que ele sempre voltaria.

Hoje eu vi - com esses olhos marrons, com os pés escorregando, tentando encontrar equilíbrio entre as pedras - como ele é de água. O vi, em formato de homem, ter os pés cobertos pela água, catar sob ela, pedrinhas cor d'água e se encantar com as cores. O vi se dissipando em estacas de madeira, juntando-as com cuidado milimétrico, para voltar ao mar, para ainda em seu formato de gente, encorpado pelo sol, repousar sobre as águas que são também ele, procurando o silêncio que só encontra naquelas águas... para onde depois irá ainda voltar. O vi hoje, construir, com empenho que só o amor permite, aquilo que o levará para perto do que é sua essência e naqueles instantes, tive certeza. Meu amor é água. Doce, salgada, delicada, intensa,forte, imensa, mar....