vendredi 26 avril 2013

"Gira mundo cão" ou "um mês = 30 dias ou um fim"

Hoje,
há um mês
que você nasceu
há muitos
anos.

Há hoje,
em minha boca,
um mês
que você
em fel,
morreu.


mercredi 24 avril 2013

Deixa em paz.


Ai, agonia,
passa e não volta,
não deixa nem rastro de tua estadia por aqui.

Ando olhos mareados,
sem rumo,
sem destino.
Não há nada
E tudo o que havia tu me levastes,
agonia.

Tudo que havia era ele,
que me arrodeava entre os braços,
e tu, toda, desaparecia ali.

Vai, agonia,
não me deixa nem remota
lembrança de tua estadia,
Vai e não volta.

Que esses olhos já cansados,
já não sabem o que fazer
sem ele.

mardi 23 avril 2013

Órgãos invisíveis.

Ouvi dizer que quando o coração fica miúdo,
é, na verdade, o Timo que se recolhe.

Pois bem,
o meu anda tão ínfimo que
quase não se acha.

Timão,
por sua vez,
é o comandante
principal,
do direcionamento
de um barco.

Este eu nunca
soube governar,
pior agora,
com timo tão ínfimo
e sem barco
nunca ter tocado.
...

Já o Tino,
esse é outra coisa,
é justamente a ele,
que me agarro nessas noites
que timo, coração, pulmão, timão...
nada dá conta...
O

Du desire



Cet incontrolable volonté de te dire.
te trouver
te tenir
ne te laisser partir.

lundi 22 avril 2013

Abril, mês de chuvas no litoral.

Nessa época do ano,
o vento sopra forte.
Por aqui,
ele assovia tão alto,
Que,
por vezes,
até canta.

Nessa mesma época,
seu  silêncio
vem tomando tanto,
que sua presença
começa até a não estar...

Nessa época,
tudo que começo
a só ouvir
é o vento,

(ouve:)

levantar,
    '
arrastar,
    //
embalar,
    '
assoviar,
    '
cantar,
   '
passar...

E tudo seu vai virando só lembrança.

vendredi 19 avril 2013

Xangô e Iansã em explosão nos céus.
Força bruta no ar...

E aqui dentro desse coração terra,
Tudo que quero é apagar o fogo.

Iemanjá e Oxum com vossas águas,
escutai as minhas orações.



dimanche 14 avril 2013

Do poder da transformação ou da loucura da humanidade.

Como virar borboleta e esquecer que se foi lagarta?
Como ser neurótico, surtar e esquecer que se foi neurótico por tanto?
Então, como ser louco, neurotizar e esquecer-se todo o surto?

Em loucura, o homem diz:
"Ontem eu sonhei que estava num hospício e as pessoas estavam loucas ao redor de mim."

Hoje acordou como se nada tivesse acontecido.
Bata-me uma garapa e tome seus remédios regularmente,
eu replico.

jeudi 11 avril 2013

o amor que se tem


Por todas as vezes que vi seu olhar repousar sobre mim,
Por todas aquelas que minhas mãos e as suas foram uma.
Pelos planos que viraram vida.
Por todas as palavras ditas.

Pelas outras indecentes, sussurradas.
Pelos caminhos obscenos que nossos corpos tomaram,
Pela nudez deliciosa onde nossas mãos caminharam.


Por cada gradação de seus cheiros que eu conheço.
Por cada textura de sua pele que reconheço,
Por toda temperatura sua que em meu corpo se funde
Por saber seu tom, seu timbre, sua cadência ...


Pela distância, que por tanto tempo, e ainda, é presente,
Pela presença que foi possível em ausência.
Pelo cuidado, pela parcimônia e pela  delicadeza.



...

Por estes e por tantos outros versos, tantas outras linhas,
Soube, sei, senti, vivi e ainda espero
o amor que existiu aqui.

Imperatriz

A imperatriz deixou de ser.
Ela só o era enquanto os olhos dele
assim fizeram-na.

A imperatriz rasgou a seda do vestido,
hoje anda mendiga nos bosques
da cidade cinza.

Os olhos dele já não a olham,
e também já não se vêem.

Ele perdeu-se também.
Não sabe seu nome,
sobrenome,
não reconhece suas pegadas.

Ela não mais imperatriz,
ele não mais.
Não se sabem,
não se tocam,
não.

mardi 2 avril 2013

Ainda ontem estive em versos,

Todo meu nome virou letra maiúscula de poesia.

Ontem estive também em sonhos,

E se eram azuis as cores do cabelo,

Eram mais vivos do que o que há hoje em vida.

Ainda ontem, fiz versos esperando dois sóis chegar.

Hoje venceu ontem com a brutalidade de um animal

faminto
sobre sua presa.

Toda a memória de ontem ficou ali,

Comida, suja de sangue, desaparecida.

Presa, ainda que não fosse a presa,
na boca do lobo.

Doce era ser poesia,
ter cabelos azuis,
acreditar no amor.

Doce era sempre o ontem.









Da falta de notícias. Ou dos adornos perdidos.


A mala está semipronta,
Aberta e espalhada pelo chão.
O chão espalhou-se por tudo,
Os adornos estão dispersos
Em todo canto há.

O viajante desapareceu,
Tomado foi pela partida
Partiu-se enfim viajante de si.
Embriagado em seu não-destino.
Não deixou faísca de seu paradeiro

O mundo o deu por desaparecido,
Não se sabe se entre as montanhas,
Ou se no fundo do mar.
Apenas foi-se.

Adornos estão por toda parte
Procuram a quem adornar
Na etiqueta estragada presa na mala,
Um número apagado diz:
Em caso de emergência ligar.

O mesmo número
jã não muito se enxerga,
Se for este o certo, vive a chamar,
Ou ocupado sempre está.

Após quase um mês,
Deu-se assim por falecido,
o viajante.