lundi 4 décembre 2006

Para quando o sol beijar o mar e o tempo se dissolver em alegrias esquecidas.
Encontra poeira dele dançando entre seus ares, cintilando fluida e leve. Em encontros descabidos e mal-estruturados esse sopro chega até ela. Mil partículas de sonho, esparramadas pelo vento. Ao redor de seu corpo um redemoinho cintilante de bocas e risos, perdido entre vontades e invenções, fantasias desfarçadas.
E ela dentro, de olhos cerrados, a sentir o arrepio subir pelo dorso, dançando boba e rindo, coberta inteira por todo o envoltório de luz cintilante que a conduz por esses passos inesperados. Um redemoinho gigante de sensações leves e gosto de fruta doce, saindo do pé, andando pelo mundo de lá pra cá, sem fazer sentido, nem hora, sem programar o próximo estado.
Só essa fluidez de partículas de luz cintilantes, conduzindo uma dança incompreensível, sob sensações e vontades ... E seu corpo manso dentro que se deixa e dança até o "não sei quando" chegar.
E ela é.

mercredi 29 novembre 2006

É preciso que se espante os males
De canto agudo ou grave
Que não reste uma vírgula por dizer
Nem um quinto de palavras a devolver

Sufocar é uma morte dolorida
De pouco em pouco não há um sopro de vida
Sobra das vontades o "devia ter"
Da falta de coragem

Os dias apostam corrida
Sem agendar hora
O sentido do sentido
É o dono quem faz

Não se explica
por vezes
Em palavras literais
O que se solta no canto
E dos males
Só o espanto jaz

lundi 30 octobre 2006

Entre os passos atentos na calçada molhada, observou algo que há muito fazia sentido: O problema com a matemática era claro... Não gostava de quadrados ou retângulos... Se derramava mesmo era por cilindros desformes e espirais...

dimanche 15 octobre 2006

Indagações de um domingo pré menstrual.
Quantas pessoas estão sós nessa hora do mundo?
Quantos minutos distraídos vão passar por esses dias?
com quantas vontades se constrói um amor?
Quantos corações é preciso quebrar até achar a frase certa do biscoito da sorte?
Quantas luzes não se apagam à noite com medo do escuro?
Quantos táxis perdemos até decidirmos ir de ônibus?
Com quantos paus se faz uma canoa? (Ahn?)
Quem se perdeu no labirinto do minotauro? O minotauro?
Onde foi parar o controle remoto?
O que faria o mestre esquilo?
Os anjos têm sexo?
Os anjos fazem sexo?
Os anjos nasceram por sexo?
Quem disse?
Intervalo: "tem alguém gritando e correndo do outro lado da rua".
Quem deu nome às coisas?
Quem chamou "coisa" de "coisa"?
E agonia, é o que?
Gravatas apertam o pescoço?
É possível aprender com o manual?
Alguém pegou meu manual?
Leite com manga mata?
Intervalo:"à princípio, tudo mata..."
Vamos embora?
Agradecimentos especiais à co-autora: Leila Marciaaaaaa

lundi 2 octobre 2006

Quando não se precisa mais de explicações.


Ele já não suportava mais... Nem olhava nos olhos de tanta impaciência, de costas, posicionado bem no centro da atenção dela.

Ela de longe, esperando ele se virar, diz:

- Por favor, discorda de mim.
Quando não se precisa mais de explicações.


Ele já não suportava mais... Nem olhava nos olhos de tanta impaciência, de costas, posicionado bem no centro da atenção dela.

Ela de longe, esperando ele se virar, diz:

- Por favor, discorda de mim.

mardi 26 septembre 2006

Seus olhos despencam cansados. Sobre o caderno aberto sonhos se reproduzem sem autorização. Ela cansa sem esforço, pesa sem carga. A cabeça fechada, atos falhos, cansando de falar... ela dorme. Sono interditado e vontade que cansa.
Que vontade, meu Deus, que vontade... Ela acorda para si e inventa diálogos que nunca acontecerão. Nunca é a palavra que a persegue e no momento da fantasia volta sempre ao nunca. Levanta-se, olha-se no espelho, finge e pronuncia:

- Eu não sou de qualquer um... Em verdade, pertenço a quase ninguém, até de mim sou escorregadia e não pense que isso é voluntário, porque se eu pudesse escolher não estaria aqui, tirando a roupa em sua frente, mostrando minhas vergonhas para você... Você não me conhece, nunca se atreveu a chegar mais perto e essa maldita falta de interesse só me deixa com mais vontade... E um motivo desconhecido, sabe? Eu não queria, aliás, não quero. Mas existe algo pulsando aqui dentro que me empurra para esse desepero de te encontrar em qualquer lugar, de sentir essas mãos tranquilas passando por essa carne de puta casta, tem um qualquer enigma nesse jeito debochado que você tem de me olhar, me desconcerta com esse maldito sorriso... e eu que achava descobrir um perverso, me engano - duas vezes- sem saber o que é você: o menino tranquilo que me olha pelos espaços entre as pilastras ou o infame que brinca com o mundo... E eu, que não pertenço a ninguém, fico presa na ponta de um abismo entre querer e não poder.

Falta o ar, há o nó na garganta, olhos que quase transbordam mas seguram firme e nunca se permitem, mãos travadas de ódio, não se conhecer é assustador. Ela senta no chão, as mãos agora apoiam a cabeça que olha para baixo e se movimenta num não... Respira fundo, engole tudo.

Há muito pouco tempo para pensar sobre si. Levanta, penteia os cabelos, liga o som e dança.

dimanche 10 septembre 2006

De uma manhã de quarta-feira
8:35h- Essa música me sacudindo por dentro...
Cenas inéditas em horas matinais improdutivas,por onde andam esses pés? Os meus, aqui, inquietos agarram-se às lajotas enquanto tentam concentrar-se para alçar vôo. Inútil tentar, eles nunca se livram da corda amarrada à pedra, que é pesada demais, e se encaixa num NÃO.
Quero água doce, limpa e gelada... Caindo da nascente diretamente em mim. Quero sabor e embriaguez, olhos fechados e voz alta, quero a força dessas cordas vocais explodindo entre as paredes e alcançando o outro lado: de mim, do mundo e de quem ouve. Quero uma gota tranqüila pingando dos olhos, olhos que brilham e não têm culpa.
10:32h- Explode, dasanda, encanta a mim, o meu, meu corpo manso, aqui, seu, todo, trava, finge, saliva, me engole, emudece, me enche, assim inteira e o céu redondo que é... Não sou à vontade, nunca sou à vontade, me inquieta, só, esta; me vence e não pede medalha. Onde anda? Onde está? Me amarra, me esconde, me prende e me conta, então. Motivos concretos para esee desejo desconhecido, concretos de cimento em um prédio megalomaníaco, que contenha em toda sua escadaria esse grito, que minhas amígdalas já não vibram... Já não sentem e não têm lembranças do que já engoliu...
Eu me esqueço, desarmo e continuo:
- Glândulas lacrimais.
- "Você é louca?"

dimanche 3 septembre 2006

Bienvenue! Et les mots continuent...


Meu corpo é dócil
Sou toda obediência
Sorriso e complascência
Concordo em toda constância

Crescente recesso de mim
Um frágil deserto
O avesso do animado
Em todos os tempos de fim
Sou silêncio e respondo
Correspondo ao outro
Em direções as quais não pertenço

Reconheço sílabas com estranheza
Vivo rumo à negação
Nego quando sou
Sendo só consenso

Mansa e sutil
Doce, dormente
Em nós quebrados,
Todo o meu corpo (con)cede.

lundi 24 juillet 2006

Da manifestação dos desejos.


#1, início de Férias.

Conheço esse lugar, ela pensou. Realmente lhe era muito familiar, convivera com aquelas paredes, os muros, aquele cheiro de coisa velha durante muitos anos... Longos 11 anos... ela lembrava bem. Era curioso amanhancer ali numa noite qualquer, quando no dia anterior não tivera nenhum acontecimento marcante que remetesse àquela cena, mas como muitas coisas não se explicam, ela estava lá...

Pareceia uma amnhã bonita, não havia rostos em todo o espaço, haviam alguns carro, mas todos desabitados... Ninguém que fazia parte do cenário. Ela esta no estacionamento, na ala dos professores, usava uma calça jeans e uma blusa branca, uma mochila nas costas. Quando a história se iniciou, a cena era essa. Ela, de roupa comum, uma mochila e alguém. Uma pessoa sem rosto que apenas se despedia e falava algo não relevante, andando para longe em seguida.

Sozinha então, ela abria a mochila e tirava um lenço de cabelo, vermelho rubi (ou vermelho sangue?). De alguma forma parecia que a pessoa que se despedira falava algo sobre o lenço...
Ela tinha o cabelo solto e após retirar o lenço da mochila, o amarrou na cabeça, ficava como uma passadeira, e lembrava muito aquelas tiaras de personagens como a branca de neve e outros conhecidos...

De repente, ao dar o nó no lenço, sua roupa toda mudara!!!! Ela agora usava um vestido, vermelho como o lenço, todo rodado, num estilo retrógrado que remetia à decada de cinquenta. Ela estava feliz! E começara a correr e a pular pelo estacionamento, indo parar na frente da igreja velha de sempre... Mas algo incrível acontecia... Toda vez que ela pulava ia muito alto, muito mais alto do que um simples pulo aguentaria!!! Ela mesma tinha medo! E seu vestido abria-se em uma circunferência vermelho sangue, vermelho vida! E tudo que via lá de cima era seu vestido vermelho sobre o passado. Sobre a paisagem do colégio antigo, desabitado de rostos conhecidos... E pulava cada vez mais alto e a sensação de pouso no chão era tão gostosa e assustadora como estar lá em cima...Era voar?!?!

E assim continou... Não contava os pulos só sentia o frio na barriga... Era muito bom... Em instantes surgiram mais dois para a acompanhar!!! A Bailarina e o Palhaço! Eles também vestiam vermelho e pulavam como se voassem... Justificaram a aparição por fazer divulgação de algum espetáculo e pulavam para isso, era uma dança no ar...

O Palhaço, a Bailarina e ela... Ela sem definição... Só acontecera de parar ali, no lugar tão conhecido das memórias boas e sua roupa mudara de cor e adiquirira o encanto de pular como se voasse... Era uma sensação inexplicável e isso bastava...

mardi 11 juillet 2006

Automática - Quase catatonia
Do vestido rosa, comprido em flor, deixou o resto, o rosto e o ponto. Um abraço quem sabe, um soluço não cabe em seu céu cor de nú. O fôlego preso e um anel folgado nas mãos do sonho, dormindo em pesadelos do doce desejo de não ser. E quem se vê? No vão do chão onde é o fim e começa de baixo o que não é querer. Nas palavras soltas me desenvolvo em noite escura de vento cantando alto e o automático do coração volta ao vestido no resto. Liga e diz a verdade sobre o que não se sabe, não se prevê. Um tiro no escuro ou no claro,tanto faz quando não se tem alvo, as linhas tortas do mundo, o suspiro profundo, da rima sem dó, nem sentido, nem sol, nem fá sustenido e um jogo de erros e acertos se desfaz e refaz.
Voltando sempre ao início quando a partida acaba.

mercredi 5 juillet 2006

Não dá pra ter rascunho, sabe?

Era puro. Via de fora e sabia que era puro. Fez parte da minha imaginação pré-adolescente, fez parte das minhas imagens de colégio, depois de um tempo passou a fazer mais parte dos meus dias e fez então, parte da minha vida.

Era assim, simples: ele nasceu pra ela e ela nasceu pra ele. Não havia ordem ou caos no mundo que provasse o contrário. Eram como irmãos, as duas peles, os olhos, os cabelos, a música... Era música! Música em todas as sutilezas que eles emanavam quando passavam, era como se todos fossem embalados por uma música que não se ouvia, mas estava ali, clara a todos.

E eram calças largas, rasgadas, sorrisos, mãos dadas, papéis em branco que viravam poesia... Da onde vinha aquilo tudo? Então essa coisa de amor, existe mesmo? O que se via era claro, óbvio e lindo. Não precisava de nada mais e as respostas eram simples. Com olhos de criança, era fácil acreditar em tudo, inocência, sim! porque não? É o que falta, o que se reclama, então que se faça uso... Quando há uma manifestação clara de amor, sem a mínima pretenção de o ser... e inocentemente se faz! Daqui para lá a vontade, a admiração, a curiosidade. De lá para cá, nada que se saiba, mas uma energia, uma força boa vinda de algum lugar sem endereço.

Foram anos, geografia era matéria boba, como ir e vir pode ser trivial. De longe aprendizados, histórias, pizzas e risos... puro... É a palavra que continua a ressoar...

Um 3º me disse:" Há três tempos. O que foi, o que é e o que será". Mas agora, enquanto falo, tudo já não virou passado? Então o que temos? O que foi e o que será? Ou menos que isso?

O que é então?! Agora, neste exato momento? O que é?...

É muito rápido, se desfaz que nem gelo, não dá pra ter rascunho, sabe?


dimanche 11 juin 2006

Os bebês são egocêntricos. Talvez essa fase perdure por mais tempo nessa existência boba...
Ele não tinha mais cabelo, em verdade, possuia alguns fios na lateral ... Mas o topo era calvo, calvo... Isso importava tão pouco quando ele falava... E daquele serzinho pequeno, calvo e orelhudo, eu ouvi: "o que você está fazendo com a única vida que tem?" A pergunta vai e volta e vai e volta e não chega a lugar nenhum... Porque saber não é fácil e saber que se sabe é mais difícil ainda. Desço a barra de rolagem e vejo retratos, retratos tão individualistas e não consigo mais responder do que que o mundo precisa. Sei que tem muito de mim em tudo, ando falando demais de mim, ando em círculos e ouço círculos. Talvez eu precise de outros assuntos, outras novidades, outras dores e outros prazeres. Ouvi muito sobre o homem essa semana... Tantos nomes famosos, tantos intelectuais renomados, tanto que eu desconheço, tanto que não procuro... E tudo isso culmina num ponto ferido de argumentação: ninguém sabe de nada.
Como saber do real? Se ele não foi significado por ninguém, se existe antes da linguagem e do mundo simbólico, como saber de algo que não tem um significado, uma representação... É essa maldita sensação que todos têm? É ela, por acaso?
Uma confusão de sentidos e de faltas... Um desamor, uma impossibilidade, uma coisa.
O que escrevo agora não faz o menor sentido e mais parece um diário, eu não emito opiniões e, portanto, não devo chegar a conclusões. Não tenho um tema hoje... Escreveria sobre a bicicleta que ando procurando pelas ruas, mas pode ser uma mera ilustração do impossível.
Só sei que os bebês são egocêntricos e eu continuo um bebê.

dimanche 4 juin 2006

Seria só o pó?


A tarde seguia morna e gelada. O céu não tinha cores fortes, nada de especial, nenhuma palavra, nenhum segredo... Um dia médio passava sem pretensões, sem intenções... Mas quaisquer segundos podem mudar tudo:

Ele tinha aquele singelo poder, por vezes escondido, de transformar os símbolos. Fazia malabarismo com as letras, transformava fragmentos em poesia... Carregava consigo um pequeno saquinho de pano com um pó translúcido que cheirava a flores e no momento, que parecia ser escolhido pelo tempo, sem nunca ser determinado ao certo, ele soprava o pó e o mundo se transformava.
Ela se encantava, vivia assim meio bamba, meio sem jeito, mas tinha de certo uma força por ali, conhecia pouco do mundo e talvez por isso se encantasse inocentemente com o cotidiano. Às vezes era tudo novo e os movimentos banais se reconstituíam em danças leves do tempo... Nunca soube donde vinha esse tipo de transformação, mas seus pensamentos iam longe e despertavam sorriso no rosto... Possuía também o pó. Sem saber o por quê, apenas utilizava-o intuitivamente quando os dias vinham pesados...
Por ordem do acaso, afinal, este tal de acaso andava sempre ao lado deles, os dois se encontraram naquela tarde média.
Ao admirar a bonequinha que caricaturava a figura dela, ele pronunciou:

- Ela é a sua cara......só faltou uma perna de pau ou corda bamba....ou um carrinho com estrelas minguantes....elas ainda caem?

- Ô...caem sim, mas nunca mais eu vi uma delas caindo...

- Nenhuma delas me concedeu pedido...em meio a toda correria do primeiro encontro....elas se seguraram no vidro.....Não caiu uma sequer


- Poxa... eu estou precisando encontrar uma delas por ai, meus pedidos também andam meio esquecidos. Mas da próxima vez que eu encontrar uma, guardo um pedido para você, está bem?

- Essas trapaças de nada valem.......pode até resultar no contrário...tem que coincidir com o momento em que os olhos estão abertos...se tentar fixar o olhar...ele desfoca...em segundos você não enxerga mais nada... então é melhor seguir sem se preocupar.

- Vejamos...então eu posso fazer um outro pedido! Eu posso pedir para elas manterem seus olhos abertos nesses momentos mágicos... assim você não perde uma estrela sequer...

- Entendi agora pq você voa...

- Por que eu vôo?

- Sua relação com as estrelas é estreita...

- Digamos que a gente se cativa...

-Vive juntinho delas...você...sempre me dando um pedacinho de sonho.....

- E você, me dando poesia...às vezes eu esqueço

- Esquece...

- É... esqueço que a gente que inventa o mundo...mas agora você me faz lembrar...

E assim eles o fizeram.Inventaram o mundo! Transformaram as cores daquela tarde banal com o pincel das palavras... não sabiam explicar... mas nas duas existências havia algo em comum, alguma coisa perdida que ambos encontravam vez em quando, nesses intervalos de tempo que podem ser tão vazios do mesmo modo que podem encher o mundo.
E foi pó mágico para todos os lados. O aroma do ar mudou, a lei da gravidade diminuiu o seu pesar e o mundo caminhou mais leve nas horas seguintes...

dimanche 28 mai 2006



Era carneiro



Eu acordei. Era o último dia, meu último dia lá e o último dia de vida dele. Sabia que não ficaria para o almoço, esperei não ver o tal bicho... Esperava, na verdade, que ele já viesse morto, ou melhor, multilado e pronto, mas não ia ser assim, ele viria inteirinho, peludo e gordo, largaria seus últimos excrementos pela varanda e mais tarde seria só uma lembrança.

Minha mala era pequena, não tinha ido passar muitos dias, cumpriria algumas obrigações afetivas e voltaria à minha cidade, à minha solidão de geléia, torradas e salada de frutas naquele mês tão vazio. Era estranho. Achava que sentia falta, mas depois de algumas horas, digo horas, e não dias, percebi que prefiro a falta, prefiro a ausência, a saudade, as boas lembranças... Aquela convivência não nos deixa em paz, não nos entendemos, não conversamos e não sabemos nos ouvir. Então, a lógica era clara: viver longe para não nos matar... Devo dizer que isso não importa. O que importa é que era meu último dia, minha mala estava semi-pronta, todas as coisas guardadas, uma semana empacotada, meus objetos pessoais, minhas roupas, o livro intocado, o caderno novo, os cds preferidos, a escova de dentes... Lembrava da escova de dentes? Tudo deveria estar guardado, costumo não voltar tão cedo àquele lugar... E era um pedaço de mim ali... Não no lugar, ou melhor... No lugar também... Mas nas coisas, na mala. Era um pedaço de mim. Havia pedaços de mim em todas as partes... inclusive no...

Como eu ia dizendo: preparei a mala, troquei de roupa, a mais confortável serve para esses dias de viagem, a fome foi chegando e desci as escadas, em direção a cozinha. Sentei à mesa, preparei o pão com queijo, misturei o café ao leite... Quando me lembrei da existência do bicho e perguntei:
- Ué, mas onde está o carneiro? Já mataram?

A resposta não demorou a vir e rapidamente, como num movimento automático, daqueles em que não se pensa, só se faz, olhei para o lado. A porta da cozinha ficava em frente ao quintal, nele havia um tanque grande de cimento e ao lado do tanque uma construção, uma casinha menor com dois quartos, um como dependência e o outro como depósito.
Ele estava lá. Suas patas traseiras amarradas por uma corda ao telhado da casinha, estava de "cabeça para baixo", sua lã era negra, tinha muita carne, sua cabeça quase encostava no tanque, logo abaixo dela havia uma bacia velha de alumínio, estava ensangüentada, quase cheia do líquido espesso e escuro; seus olhos estavam semi-abertos, parecia tranqüilo, não demonstrava dor; não parecia ter se incomodado ao morrer... Agora só pingava, pingava sua vida numa bacia... E não se manifestara, era isso... Morrera sem se manifestar e se acontecesse outra vez, seria o mesmo, seria sempre assim... Um pedaço de carne e lã, agora morto, pingando seus pedaços naquela bacia velha... Um pedaço de mim, morto, pingando naquela bacia velha, morrendo em silêncio, em silêncio...
Eu perguntei:
- Ué, mas ele não grita quando está morrendo? Ele não faz nenhum barulho? Não emite nenhum ruído?
E a resposta veio naturalmente:
- Não...

samedi 13 mai 2006

- Agora é a minha vez. Será que eu teria o privilégio dessa valsa, senhor?

O salão era enorme, estava vazio, nenhum passo perdido. O mundo esvaíra-se, eram apenas dois; ela homem, ele mulher, ali um em frente ao outro na espera do se.
Ele deixou um sorriso tímido, de canto de boca, uma expressão discretamente assustada e a dificuldade em se mover:

- Eu não sei dançar.
- Nem eu

[Risos]

Os próximos longos minutos foram ministrados pela linguagem intuitiva dos dois corpos quando juntos. Nenhum pisar de pés, nenhuma direção contrária... Tudo encaixou-se perfeitamente, eram exímios bailarinos que não sabiam dançar... Rodopios e rodopios, dois pra lá, dois p'ra cá...

lundi 8 mai 2006

And he said:

- Don't go jumping waterfalls.
Só se for assim

Caminhando sem jeito,
meio devagar,
na contra-mão do mundo
e o mundo tem tantas contra-mãos,
talvez ele acabe parando no sentido correto.

Vai num passo certo,
outro troncho,
um no preto outro no branco,
assim calado e sem dono,
morrendo de saber
que sempre pertence a algo
[ou à alguém]
mas sem nunca admitir o pertencimento.

Cambaleando entre a perda
de sentido
e a dúvida,
existindo sem sentir [e]
duvidando até de ser.

Ele anda,
calçada desigual,
sapatos antigos,
pés esquecidos,
a velha dor de cabeça.

Ele vai,
quieto e fosco,
as vezes um cigarro amassado,
um suspiro cansado...
a mesma falta de sempre
as mesmas lembranças de sempre
o mesmo silêncio e o sempre.

mardi 2 mai 2006

Sejamos claros.

Ultimamente,
vem me consumindo
uma necessidade, um tanto exasperada,
de "embriagar-me".
Perder o setido,
sair dessa razão que me resume.

Ultimamente,
muitas noções
têm me consumido,
me desequilibrado,
me desconstruído
sem jamais me permitir.

Ultimamente,
eu já não sei
se deveria ter sido
desse jeito há muito tempo,
e meu tempo tem se dissolvido
rapidamente,
como vitamina C efervescente...

Ultimamente,
em fugas desconfiadas
Alguns desejos vem caminhando
meio bambos,
em curvas meio tortas
me protagonizando...

Ultimamente,
eu vejo Vinicius
e caio
num choro doce...
E olhe que eu nem gosto
de uísque...

dimanche 23 avril 2006

Em algum dia perdido do outono de 2005, ela pausou os minutos e contemplou.


" Suas mãos, agora suaves, escorregavam com doçura e delicadeza do alto da minha nuca até o cox. Aquela existência agressiva de minutos atrás tinha o poder de se transformar no toque sutil das pessoas que amam... Mesmo que não fosse amor.
O que eu sentia era tão simples que trazia uma tranqüilidade angustiante, eram mãos grandes, mãos humanas de sexo oposto, desconectadas de seu instinto animal, apegando-se ao que há de mais belo em cada corpo: o prazer de se compartilhar pela espontânea vontade de. E era um movimento infinito de idas e vindas nas mesmas costas, talvez nos mesmos pontos, mas a sensação era única, era nova e absurda a cada passagem... Era como um feixe de luz, nascendo da carne pelo toque."

jeudi 20 avril 2006

" Mon petit oiseau de grandes ailes... C'est toi et tes yeux que me faitent voler.
Sur le gris de cette cité mon corps est lège... Quand il t'embrace le ciel se tourne un bleu chaud que je ne peut pas expliquer... Et moi? Tout que je vois sont les couleurs que tu porte dans ton ombre... Et tout que je pense est que nous pouvons être le monde."

Sobrevoa aqui, paira alguns minutos no ar, faz como numa coreografia desenhada a dedo, usa a cabeça como guia do que pode vir a ser, as asas a acompanham e o vento soprando arredio torna possível a dança.
Céu azul claro de manhã brasileira. As asas grandes querendo abraçar o mundo, os olhos, abertos para dentro, enxergam só o assoviar da força do vento contra o bico, a doce sensação de não pesar e a brisa fria da altitude.
Asas poderosas de pássaro, vontade nova de pássaro, leveza de pássaro e leveza de pássaro, suas cores quentes e vivas contracenam com o cenário frio de mundo.
É tão vago que quase não acontece, é forte e firme como é preciso ser para voar mais. Não se assusta com chuva, aeroplanos ou qualquer contrasenso do caminho. Segue em frente só, absolutamente só e as nuvens abrem alas para sua passagem...

jeudi 13 avril 2006

Quando cai água lá de cima as cores aqui embaixo ficam diferentes. Os sons são mais fluidos, emendam-se uns aos outros e compõem melodias sutis.

As idéias ficam mais vagas, passeiam caminhos longos e escorregadios, entre moinhos e redemoinhos, descem e sobem ladeiras... Escorregando na água que escorre, mergulhando e ascendendo entre novas conclusões e constatações.

É comum, quando chove, achar queixos apoiados em mãos, sustentando suspiros longínquos e saudades engraçadas. A água tem essa competência, levanta lembranças esquecidas, traz de volta cenas que dormiam, faz alguns filmes e os traduz em suspiros.

Nos dias molhados e cinzas, o mundo fica mesmo um pouco cinza, as folhas ficam foscas e reluzentes ao mesmo tempo. Me parece que céu, terra e mar se apagam ou ficam em luz baixa para que os homens consigam se enxergar. O colorido deixa o céu, a terra e o mar para dar cores aos homens, seus sonhos e pensamentos. Quando cai água dá vontade de dormir! Quando se dorme se sonha, depois do despertar se pensa no que foi sonhado e a lógica se refaz.

Cores, sons, pensamentos e sonhos... Hoje eles me remetem a essa água que vem do céu. Ou isso, ou o contrário. Talvez mais o contrário, essa água doce que me faz lembrar de todo o resto... Simples assim: alguns minutos perdidos, a mão direita apoiando o queixo, o olhar láááá longe, uma infinidade de cenas e por último, para encerrar os minutos, um grande suspiro e com ele todo o oxigênio que se pode levar.

jeudi 6 avril 2006

A placa dizia em letras garrafais:
- Mau humor. Favor não incomodar.
O dia seguiu esse ritmo até o entardecer, a estranheza da vida se punha com o sol. À noite pertencem o esquecimento, o alívio, o esboço, a falta de clareza, nela só se definem os vultos.
As estrelas se mostram, desliga-se o carro, espera-se o elevador, sobem os andares. Roda-se a chave, a porta se abre. O desejado é o silêncio, o barulho é um intruso maldito, a companhia indesejada à quem se oferece um sorriso vago, falso, amarelo.
Nove passos e meio até o único pedaço de mundo a que se pertence por enquanto. A porta bate, a chave tranca e isola o resto do universo. Uma janela grande e translúcida permite que se veja lua, nuvens, algumas estrelas e milhares de fragmentos de vida, em pequenos quadrados iluminados artificialmente.
O corpo em pé, pesado, os olhos fechando, ombros cansados tentam manter uma postura difícil. A música sai pelas duas caixas redondas e verdes. Os passos guiam-se sós, passeiam pelo chão ainda quente de sol. O cabelo solta-se suavemente, os botões da blusa abrem-se sem pressa, a saia escorrega pelos quadris e cai sobre o chão. As notas divagam descompromissadas entre quatro paredes, os pés descalços coordenam-se cada vez mais ritmados, o corpo cansado, agora quase nu, arrepia-se com a consciência das sensações, mais alguns segundos e a nudez é inteira. Nudez de corpo e alma, ambos exauridos, distantes de ruídos e de outros pensamentos.
O ritmo; a dança sem júri; os braços desembaraçados; o balançar das coxas; o abraço ao vento; o giro da cabeça. Um passo p'ra lá, dois p'ra cá, a contagem é assimétrica e conduz a uma simetria perfeita, a congruência de quando não se utilizam técnicas, a falta de raciocínio, a falta de censura. Tudo é um só: pernas, braços, quadris, ombros, nuca e cabeça. O conjunto de contagens de ritmo complexo.
As horas vão indo... Deixando de lado a luz quente, as expectativas, as esperanças. Não se ouvem perguntas, logo, não são necessárias respostas. Um dança nua de corpo cansado e tudo se resolve (nessa noite).

samedi 1 avril 2006

Sindicato dos em-casa-sem-casa/sem-casa-em-casa ou vice e versa

Há dois dias o mundo está meio estranho.
Ontem ouvi alguns imbecis.
Hoje ouço e vejo imbecis do outro lado da porta.
Durmo tarde e sem saber.
Acordo cedo e sem soluções.

A noite ficou meio esquisita.
Veio sem querer chegar.
Vai indo sem acontecer.
Foram serás e poréns.
Ficaram eu queria e talvez.

Jogo letras fora como quem masca chiclete,
Funciona até perder o gosto.
Tenho 7 números decorados no aparelho telefônico.
Uma voz que agüenta.
Outra voz que fala.
As vozes que reclamam.
A noite anda.
As horas se repetem.

Ouço a voz imbecil genitora.
Compreensão é uma virtude muito pequena.
Invento explicações.
Decoro textos não lidos.
Não grito.
Não respondo.
Não entendo.
Não encontro.

Morro mais uma noite.
Vivi dois dias sem motivo.
As horas correm e não passam.
A chuva começa e a noite acaba.


(Sábado em casa dá nisso...)

dimanche 19 mars 2006

Do tamanho.


Gostas d'água pingam de todo canto. Ao mesmo tempo, há uma grande diferença entre gotas d'água e aquela queda d'água gelada que cai sem medo e em multidireções... Num instante todo o corpo já se arrepiou... Mas qual a sensação da gota?

Existem formigas por toda parte. Elas andam em fila indiana, numa rapidez incrível e trabalham sem preguiça durante quase todo o ano... Volta e meia sobra uma formiga perdida... Será que ela lembra o caminho depois? Será que quem escolheu sair do bando foi ela? Será que ela está mesmo perdida? Ou só quis respirar um ar fresco? De repente ela confunde um braço com um pedaço da cadeira e bum! Já foi... Agora é só patê.

Já as baratas são enormes, ridiculamente enormes, vencem facilmente indivíduos de mais de um metro e setenta, sem dó nem piedade... A grandeza é mais do que física... Elas andam só e podem dominar o mundo... As baratas sobrevivem a bomba atômica!

dimanche 5 mars 2006

Quantos pensamentos se pode contar antes de perder a conta? No que se pensa em três minutos e meio de música?
De repente tudo vai e não é possível lembrar de uma só cronologia ou raciocínio de antes. Tudo o que percebeu foi sua mão contra o vento, assistindo sua velocidade, com o cotovelo apoiado sobre a janela e se deixando levar por cada pedaço da cidade cansada.... De repete do minúsculo vem um sopro de vida, um lembrete de geladeira com uma letra quase tão suave que não toca o papel e diz em sílabas largas e luminosas: "deixa a vida entrar"...
E não faz diferença quantos quilos de pensamentos vinham antes disso, cada um tem poucos segundos até o arrependimento, o esquecimento, ou qualquer "mento" conveniente... É simples demais, é tão simples que dói de tão difícil que é...
É tão simples que virou piada, é tão irônico de simples, é tão insustentável e socialmente piegas que ninguém lembra.
É incontrolável quando sai em tons agudos e instantâneos de conversas tão banais quanto a vida
É tão gelado e macio quando é noite e a chuva já fez o necessário pra deixar um pedaço de vida ali, disponível para ser vivido por pés de todas as espécies.
É tão individual quando só um tipo de impressões digitais em todo esse globo saberia o que fazer.
É doce e derrete na boca depois de um dia quente e abafado.
Esconde-se e se mostra em todo canto, a toda hora e é quase invisível de tão simples, é quase tão extático por ser só.

(Try to) keep it always alive!

mardi 21 février 2006

Da janela de trás

Passou a primeira árvore
Passaram as ruas depressa

Só o branco daquelas ruas discretas
Passaram passos com pressa.
Vagavam largos em imersa fluidez
Onde passam vultos
A imagem ao avesso

Quando olha pra trás
Das ruas da frente, o fim se faz

E os passos a serem dados já se passaram
O que ia dizer fez-se verbo
Quando não, pensado.

As folhas ainda de pé.
Virou o rosto e já caíram

Os olhos que piscam
Enquanto o mundo faz a curva
Dos acidentes fez lembrança
Do embrulho, saudade

Vira de novo,
Cansa do velho
volta ao passo passado
Do que já foi quando ainda
está para ser.

samedi 18 février 2006

De cabeça para baixo
ombros ao alto
moedas ao chão

De ponta cabeça
joelho na orelha
idéias na mão

Céu no mar
cidade no teto
folhas no ar
tédio eterno

Vermelha a face
embaçado o mundo
exaustas as pernas
Cansaço profundo

De cabeça para cima
Lá vem a agonia
É tudo monotonia
E morte da rima.

De cabeça para o alto
Tudo ao contrário
Pés fincados
Sorriso plástico.

vendredi 10 février 2006

É saudade, só saudade.
De olhos fechados (ou abertos). Quando qualquer vírgula solta faz voltar o tempo e qualquer pequeno detalhe, que foi capiturado por qualquer dos sentidos, abre a porta sem pedir licença ou sem respeitar o senhor tempo que já envelheceu... Saudade, só saudade... que levanta os fios de cabelo quando o vento passa e lá bem longe é possível ouvir aquela velha gargalhada sem ter nem por quê. Quando os olhos daqui fecham e veêm com tanta veemência os olhos de lá, sinceros, malditos e inevitavelmente verdadeiros, como se tudo ao redor podesse contar uma palavra que seja sobre o que já foi e ainda é tanto que dá medo... Saudade, só saudade... Da dor, do sol, do céu a noite, dos passos corridos, das borboletas invisíveis, do que foi e ninguém sabe, de quando volta e quem sabe, do sumir e estar sempre, o tempo todo... Saudade, só saudade... é o que escapole desses dedos, já marmanjos e tão inexperientes do que pode vir a ser, do que já deveria ter sido, do que nunca é quando não é pra ser, do que engasga, do que cospe e do que respira fundo e tenta só viver...
Saudade, só saudade...

mardi 7 février 2006

"-Olha como o caminho é looonngoo, mãe! Disse a pequena, olhando para o alto, tentando enxergar contra a luz do sol, o rosto seguro da mãe... Haviam tantas idéas naquela cabecinha que um caminho tão longo e vazio serviria apenas para desperdiçá-las a toa, sem uma presença que as desse vida... Perguntara só pelo desespero de imaginar o tanto de chão que vinha pela frente e quantos suspiros vazios teria que ouvir... A mãe, engolindo no seco, apertou-lhe a mão, mirou sua frente, pôs firmeza na postura e num tom sabio, cansado e sussurrado, disse:
- E olhe que sua vista de menina só enxerga até a linha do horizonte, pequena..."

mardi 10 janvier 2006

C'est la deuxième fois...

Aujourd'hui Il a me telephoné, il etáit ivrogne encore, il a me dit sur le lieu, comme tous est vraiment beau... La lune dessus et le petit chien que dorme sur la sable... Des bruits... La musique... L'alcool... Tout!! Il se perd et je vais avec lui...
J'ai ecouté... Rien que Je voudrais ecouter, mais sont mots très belles comme toujours... La nuit est allé... le soleil va se reveiller dans une heure... Ma tête jamais se fatigue...

Oh oui, c'est comme ça: Ma vie en rose (ou rouge?) !!

jeudi 5 janvier 2006

Olhinhos cansados... Costas doídas... Perambula por ai querendo prestar atenção em detalhes e não consegue, distraída que só com seus pensamentos que não páram. Toda vez que o ônibus passa perto do lugar, ela pensa "hoje descubro o que tem escrito ali", minutos depois o lugar passou e ela nem lembrou o que tinha para olhar... É que dentro do crânio, embaixo do couro cabeludo, tem uma piscina enorme, onde alguns pensamentos específicos ficam presos, talvez eles não saibam nadar ou gostam muito de piscinas, vagam por ali durante inteiras 24 horas, as vezes mais, não a deixam se concentrar em absolutamente nada, a não ser na sensação de estar numa pscina redonda com uma correnteza que não leva a lugar algum, apenas dando voltas e mais voltas pela circunferência da pscina, encontrando as mesmas palavras, as mesmas imagens, as mesmas sensações que constituem aqueles pensamentos . Assim eles permanecem, as vezes por mais de semanas, nadando loucamente, distraindo que nem sentem, a cabeça dela que não lembra nem de olhar o que tinha escrito no lugar onde passa todos os dias quando está no ônibus... Pensamentos insistentes esses...
Ô dia grande...