mardi 4 décembre 2012

Dor

Dor nas costas,
as costas levam o mundo,
o mundo que nem sempre é leve
dor.

Rima dor
com amor
Dizem que não há por quê rimar
amor e dor.

Ele s'en-dor-me
a-dor-me-ce
E em toda palavra há dor.
Talvez seja da dor,
sempre estar.


dimanche 2 décembre 2012

Somos mesmo todos sós.

Presente, amor.

Tudo o que ficou para trás são restos e cinzas mortas.
Que o vento já soprou tão forte, já levou há tanto tempo embora.

O presente é vivo, me envolve à noite em seus braços, esquenta minhas mãos,
consola meus infernos. O presente só não sabe quão grande ele é, quão real o sinto em mim.

Segue tecelando,  dia após dia, um emaranhado delicado de amor, de cuidado, sigo costurando nele todos os pontos de fé, um botãozinho de vontade, um outro de paixão. Meus olhos só existem para ele, que me cura da solidão, me acende os dias com sua doçura, me dá vida com suas mãos.

Mas o presente me escorrega, insiste em se voltar para trás, em buscar em cinzas mortas um resto de fogo para provocar incêndios. Ele não sabe, não se sabe, nem me sabe. Não entende da dureza de viver e de apagar incêndios. Logo ele, presente tão meu, não vê que o único fogo que há em mim é dele enfim.

Presente, amor meu, que distante seja todo desfalecer, toda dor, que presente seja só a força, a beleza do nosso amor.

mercredi 7 novembre 2012

Essa estrada que e' so' a sua. Ningue'm pra ela tem gps ou mapa.

mardi 6 novembre 2012

Da não simplicidade

Hoje meu pai me ligou com desejo de comer "macarrão".
...
Eu aqui, há horas, procurando meu desejo,
me esbarro com a simplicidade do querer.

Não, não, não é nada simples viver.

Oxum, vem cá.

Água doce vem
levar embora de mim
Esse banzo sem destino
nem fim

Água, ainda que salobra,
seja doce em minha face,
leva saudade para longe,
disso que não quer existir.

Água vem tranquila,
vem levando à mim
em correnteza sutil

Vem de leve
balançando eu,
e meu coração pueril.

Escorre assim, água,
doce, salgada,
lavando a alma pesada
de mim.

vendredi 26 octobre 2012

Lição:

O que é seu não é do outro.
 da mistura com o outro, se deu.
O que é seu é seu.

"Pesquisas recentes dizem que pessoas egoístas são mais felizes."

mardi 2 octobre 2012

Hoje vinha caindo o sol às 17h38 minutos. A  espuma era branca e leve, desfazendo bolhas, virando espelho na areia. Essa, tomava cor espelhada, verde, amarelo, azul, quase chegava ao laranja e então voltava a ser areia.
  Ela mostrava os olhos lá de dentro, um passo antes da espuma, crescia circular, transparente, virando azul, ficando de pé vertical e ainda panorâmica. Sem uma palavra sequer, erguia-se, mostrava-se dona inteira, dizia tudo. Desfazia-se outra vez em espuma até ser pequena e se derreter, absorvida pela areia. Foi-se erguendo e sucumbindo diante meu testemunho até às 18h04, quando tudo fez-se noite. Mas desde então, suponho ser ainda assim.
Um furacão no deserto.
É muita areia.

Desmoronou-se

Entulho,
poeira,
traças.

São  os moradores antigos de minha casa.

Sento em escombros e espero o circo chegar.

samedi 30 juin 2012

Andar até

De tanto andar,
quase esqueço
o caminho
de volta.

De tanto buscar
um rumo
Perdi a direção.

Foram tantos
os passos
invertidos
desconexos
escorregadios
incertos
benditos
irremédiáveis,
impossíveis,
frágeis,
dóceis,
leves,
pesados,
amargos,
irreversíveis,

tantos.

De tanto chão,
cada feição
fez-se pó.

Engano vão
de achar lá
que longe e fora e


Uma pista
que de tão precisa
desatasse
 o nó
do desassossego


De tanto andar, 
deu-se que
o enfim c-a-m-i-n-h-a-r
só fez-se sentido
quando,
para além de lá fora, 
virou-se andar
ao avesso, 
pus-me então 
a percorrer 
o Dentro de mim afora.


Foi assim que (de) estrada nova
se  fez (me fiz). 






lundi 11 juin 2012

Só a bailarina que não tem ...

Você está no palco,
não há nada além disso.
Não há ninguém.

Não há.
Só há o palco,
E a luz é tão forte
Que não se vê

A ilusão é de multidão,
O corpo é imenso
Mas não há ninguém
Nunca (h)ouve.

Tudo foi num tempo em que
as meninas ganhavam violetas.

- são tão lindas as violetas, mãe.
Eu ganhei violetas,
Tive violetas porque as outras tinham violetas.
Minhas violetas sempre morriam.

E o palco é tão grande,
E lá embaixo é tão vazio.

E de tanto grande
E de tanto vazio.
Fui ficando pequena
Cada vez menor,
Cada vez menos
Até me tornar invisível.




mercredi 6 juin 2012

Ela existe lá de longe
E meu coração acende
outra vez.

Ela, que acredita
ter deixado a candura
Nem se dá conta
de que o que leva
é amor em toda sílaba.

Com ela eu me lembro
flor,
Meu reflexo é qualquer
coisa de melhor,

Por termos nos escolhido
Justamente por isso,

Essa distância é só
um passarinho
diante de tanto amor.


mardi 5 juin 2012

O coração congelou.

Pensamentos indigestos


Engoliu todos assim que deitou. 
Dormiu mastigando-os lentamente,

Para durante o sono,
digeri-los.

Embrulharam-se no estômago
com seus amargos gostos,

O corpo tentou inútil, 
não se tomar inteiro pelo 
hostil sabor.

Era tarde para se opor,
acordou-se ressaqueado,
Todo ele se doía
de uma náusea 
mnemônica e reversa.
de um indigesto (in)sono 
de pensamentos  tolos

Dos buracos que não residem em superfícies.

Tropeço,
Engasgo aqui,
no exato lugar onde
ontem cai.

Amanhã,
caminho
aqui mesmo

de novo
tropeço.

O mesmo.
E eu tão cego
de mim,
não vejo.

Não,
a calçada não
é a mesma.
Eu ainda sou.




mardi 29 mai 2012

Estranho ser

Ultimamente,
Tenho sonhado
com leões
com cabeças de macaco.

samedi 3 mars 2012

Da pequena e do (mestre) gigante

Ouvi sua voz ainda nova,
e aquele timbre
um pouco mineiro grave
nunca mais me abandonou.

Oscilei entre
medo,
admiraçao,
paralisaçao
e seduçao.

Era tudo tao certo
o que dizia
Que minhas retinas se expandiam,
fazendo-se tenta'culos
ao lhe escutar,
querendo para mim
isso que é você.

...

Você me fez falar fora dali
eu hesito com você.
Nunca soube enxergar
você fora do altar.

Sou sempre
pequena demais.

Você me toca o verbo
e me conduz ao lugar
que nao chego so'.

E me pergunto
de onde vem esse poder.
E a resposta
é mais o'bvia do que julgo.

mercredi 29 février 2012

infinito

Despertou para a doçura,
a beleza repousa em qualquer esquina
deitando suas mãos delicadas sobre o vento.

Há algum tempo, essa felicidade efêmera
sonda os espaços que ocupo
Percebo aqui um corpo cheio de si
solto no mundo,
guiado por uma música eterna e anônima.

Solta-se livre,
gargalhadas ao vento.
E ele vai despindo,
arrepiando a espinha,
acordando tudo
todo
o corpo.

Sou tão viva,
vida minha.

Existir às vezes faz sentido.

lundi 6 février 2012

O tempo é um imperativo.
O tempo é imperativo.
O tempo é o imperativo.

Até onde vai o pertencimento

À cada vez que te deixo,
é um pedaço de mim fica aí,
com você,
desse outro lado de um oceano que é tão imenso.

À cada vez que parto,
endureço mais um pouco,
de tanto calejar
essa minha carapaça escorregadia
e perdida no tempo.

Ainda que endurecida e dividida,
algo amolece e se desfaz em líquido.
Durante dias,
quando volto para esse cinza,
qualquer palavra mais amarga
me faz desmontar.

Entre o momento que chego
e as 48 horas que o seguem,
ainda sob efeito de um "jet lag" mal colado,
em um fuso horário
que nunca se acostuma ao velho,
sou toda olhos marejados,
cortando o vento dessas ruas frias.

E o vento seca quase tudo:
boca... pés... mãos ...
em pequenas rachaduras pelo corpo
reconheço a falta de toque.
À cada vez que piso aqui
sou mais do outro lado.

Ao olhar nos olhos dessa gente estranha,
essa disciplina tão recalcadamente ofensiva,
sou sempre mais aquele calor
e o sangue que corre quente.

Fecho os olhos.

Do lado esquerdo ele não para,
pulsa grave e quente,
como o som de onde venho.

Minha pele endurecida
não cansa de me repetir:
não sou daqui.

[De olhos fechados,
me calo de medo.

A memória é fraca,
o tempo é imperativo.

O entre é um lugar que não existe.
Não deixar o tempo ofuscar
as lembranças e a identidade
é um exercício diário.
Hoje faz 506 dias que te deixei.]

mardi 31 janvier 2012

Et je quite.

Um frio que despedaça tudo, que deixa em cacos,
que faz em farelos até as histórias de amor.

Un froid qui casse tout, qui laisse en verre brisé,
qui fait même les histoires d'amour, en petits morceaux.



samedi 28 janvier 2012

Dá-me todos los sueños, los quiero todos bien calientes e crujientes. Mañana sera demasiado tarde.

vendredi 27 janvier 2012

Desconsolo ou da repetição.

Parece que o amanhã chegou
e os pés continuaram fincados ao chão.
Triste prisão,
a dos próprios pés à terra.

À terra alguma,
à terra do medo,
do medo sem fim.

Quando acaba, acaba tudo.
Os sonhos
viraram areia molhada
na ampulheta do tempo,
que de úmida não se move mais.

Triste fim a do não desejar,
não ser,
não provar.

Tudo passa
e volta.
Volta em cada gole travado
do "por que",
do não feito,
não vivido.

Os fantasmas rondando o corpo,
rondando a voz,
rondando um vida cômoda.

Os olhos marejados em cada metrô vazio,
o anonimato é a dádiva
do poder sentir,
porque não se deve,
não se teme.

Mentira,
tudo é temido,
todos são temidos,
tudo é covardia e desespero,
tudo.

O nó,
esse engasgo,
a mágoa,
o fim que nunca fecha
a porta do buraco negro.

Não é pra se entender,
não preciso dessa compreensão.
Preciso largar essa terra suja,
essa areia molhada,
preciso correr,
gritar,
desfazer esse nó.
Antes que o medo seja tudo o que resta,
se já não o é.

jeudi 5 janvier 2012

Amor, há mar, amor, amar, o mar, amor dará.