vendredi 10 juillet 2009

Nunca canso de sentir.

Ai ai pudim...

Embaixo dos meus pés nuvens de caramelo, são leves, mas grudam.
Meus pensamentos, algodão doce, enrosca infinito e dissolve na saliva.
Minhas idéias salas vazias, em que se morre à porta e não há quem abra.
Minhas mãos, pobres criaturas adormecidas, não servem mais para criar histórias, contornar símbolos.
Meus olhos enxergam torto, distorcendo e confundindo faces e amores,
Meus seios apontam o futuro, mas não seguem outras direções.
Ao redor de minha pele, anestesia, e as cores seguem pastéis e sem vida.

Me mordo forte pra ter certeza de que estou viva.

E vou falar dela...

Olho de mulher forte e vagabunda.
Me encara como quem chama pra briga
e depois desiste
porque a batalha já está vencida.

Boca de mulher vadia,
voz pesada e arredia,
Se faz um personagem
e se esquiva de si.

Seus cabelos enrolam em mim,
Ouço suas fantasias,
pena que não sabe fazer poesias,
Nem amo e só.

Nem como a outra que me encantava
Essa só me faz dar risada,
Não sou desse timbre,
não gozo assim.

(Mas um dia o jogo muda
e a força ganha da doçura.
Aí as palavras serão outras
E quem sabe a moça
cause algum arrepio em mim.
Será?)

Ai ai quindim

Sugiro não ser
para ver
se o que há
é querer

Poder dizer
e escolher ter
assim você
sem do mundo
esconder

Provar se doce é rir
ou ter que ir
e controversamente insistir
em não partir

porque você assim
de tanta ternura,
me dá tontura
e ai de mim,
que já não sou tão segura...

Por isso vou me indo
Sem me despedir
Porque quem sabe
eu ainda te encontre
passeando por essas ruas daqui.

("ai ai quindim...")

mardi 7 juillet 2009

verdades ao Mundo.

Mundo,

Tira minha roupa,
me deixa nua que hoje eu quero aprender a ser sua.
Quero sentir seu cheiro,
falar seu nome,
ver sair você da minha boca.

Hoje eu quero te pegar com força
e te olhar nos olhos,
porque quem tem a te dizer sou eu.

Quero saber de todos os seus segredos
e descortinar sua rotina,
me esbaldar em seus braços,
rir de suas fraquezas,
me fazer mulher sobre você.

Hoje quero andar por sua casa,
bagunçar sua vida,
desarrumar seu tédio,
me atirar em seus desejos.

Te segurar forte,
como a quem se tem domínio,
te lamber inteiro,
te desarmar,
te mostrar que hoje,
quem diz o que quer,
sou eu.

mercredi 1 juillet 2009

"Coração bobo, coração bola, coração balão, coração são joão..."

Nasceu de planícies desconhecidas,
apareceu assim nos intervalos de tempo,
se fazendo gente,
tomando contornos expressivos
e marcando espaço no peito.

Ele se dizia uma polaroide
queria registrar tudo sem demora,
sem esperar que as coisas alcancem sua hora.
Vivia a se perguntar
como conquistar a vertigem do que é efêmero
e a beleza das coisas que vão devagar.

Ainda assim era apegado à verdade
e conseguia fazê-la chegar
não importa em que parte,
Carregava ela no bolso
e vez ou outra a descambava pra quem quisesse escutar.

Coração de menino e tamanho de gigante,
Tinha olhar doce e mãos ansiosas,
de pouco em pouco conseguia desvendar mistérios,
descobrir segredos, desatar nós e construir laços.

Foi devagar se chegando, devagar se pondo,
e quando pensou que não,
já desbravava mundos, já destruía muros,
enfrentava dragões e passava até por furacões...

Era um desses poucos que andam por aí,
Que apesar da destreza, do tamanho e da força,
Conservava em sua natureza aquilo que se há de melhor pra guardar.

Um quê de beleza, um outro de delicaddeza,
um tanto de certeza, doçura
e muita sinceridade pra partilhar
Ainda tinha o jeito de olhar no olho,
de falar de frente, de enfrentar...

Só tinha um grande defeito, a polaróide.
Não aguentava, longe de uma certa Confusão ficar.
Volta e meia perto da bendita se encontrava,
E sem explicações já nem tentava se afastar.

Tinha decidido que pela tal moça confusa
iria se declarar, só não sabia o que iria ocorrer
quando esse momento chegar.
E decidiu viver, para saber no que a tal Confusão ia dar.

E quem tiver sossego pra acompanhar o fim dessa história
vai ver como a tal Confusão,
com suas doidices de menina;
e a polaroide em conflito,
com seus dotes e artimanhas de rapaz teimoso,
Vão por fim terminar...
E que não se tenha pressa pois tem batalhas que resistem a se findar
E confusão é uma moça prosa, que demora a se desenrolar...

lundi 15 juin 2009

Conversando com Caetano

Perdeu, jogou de lado, agora é que não deu.
Ameaçou, arriscou arremessar pra fora da janela.
Não viu, não assumiu, não permitiu, não consentiu.
Deixou passar, ficar pra trás, perder valor, não mais amar.

Atropelou, mastigou, engoliu, perdeu de vista o vulto.
De cima assistiu seguir a cena sem nem mais um susto.
Andou, parou, suspirou, fumou e nem um segundo passou.

Voltou ainda sem saber o que estava a fazer.
Dormiu, acordou, hesitou, respirou, deixou o telefone tocar.
De curiosidade morreu sem procurar saber o que ela dizia.
Não preferiu, não expeliu, não conferiu, não quis promessa.

Quis sem querer, fez sem fazer, disse sem dizer.
Esqueceu o que faltava na soma, o que completava o jogo,
o que valia a pena apostar.
Se arrependeu, olhou pra trás e já não estava lá.

samedi 13 juin 2009

Não é você, sou eu.

Esse desejo que não se segura nas próprias pernas,
um dia desse caio de banda sem você pra aparar a queda.

jeudi 4 juin 2009

Alfabeto.

Talvez minhas palavras saibam se soltar mais pelas letras do que pelos sons,
Falo melhor quando escrevo,
Engasgo menos, destrincho mais.

Papel em branco é meu melhor e mais velho amigo,
a ele faço confidências que às vezes nem eu conheço...

Adeus voz, serei agora só letra.

lundi 1 juin 2009

Do deixar de Ser.

Anteontem vinha andando na rua, atravessou com pressa, o carro buzinou alto chamando sua atenção e a de todos, ontem ainda contabilizava todas as contas que deveriam ser pagas nos próximos dias e as que iriam ficar penduradas por mais um mês. Em um instante de calor, comprou uma água na barraca e comentou da instabilidade do clima. Voltou à rua com seus pensamentos que não sossegavam com tantos afazeres a resolver.

Ontem levantou com os olhos pesados pensando que as 7 horas que tinha dormido passaram tão ligeiro quanto os 30 minutos de casa para o trabalho; ligou para a namorada, comentou sobre fatos corriqueiros de seu dia cheio e desligou esquecendo de dizer que a amava. Correu para a sala, mas antes, encheu um copo d'água na tentativa de se lembrar dos 2 litros diários que o médico mandou beber. Sentou e pensou que com tanta coisa na lista, tinha vontade apenas de tomar uma cerveja.

Na semana anterior tinha sido aniversário de sua irmã, a família toda reunida e, entre a sobremesa e o suco, as perguntas frequentes sobre os rumos da vida. Pretendia se mudar em pouco tempo, arrumar um lugar com a namorada e começar uma vida a sós. Contava do curso recém iniciado e da importância de as pessoas refletirem sobre a questão das cotas para negros como uma necessidade no país em que vivemos.

Tinha uma vida saudável, fora as aventuras dos finais de semana. Comia carne vermelha moderadamente, não exagerava no açúcar, nem na gordura, praticava exercícios físicos com regularidade, sempre que podia caminhava pela praça perto de sua casa, não fumava, a não ser alguns cigarros de maconha nos fins de semana, mas nada que mudasse sua rotina. Era viciado apenas em vídeo game, motivo de brigas eternas com a namorada que insistia em concorrer com seu vício.

Naquele ano, completaria 26 anos e já começava a pensar no que faria no dia, já que todos os amigos iam cobrar algo, então era melhor que pensasse logo, do que esperar alguma surpresa desagradável. Gostava de reunir as pessoas queridas, era sempre engajado nos programas com o grupo de amigos da infância, inclusive, tinham um dia certo de jogar futebol, geralmente nas quinta-feiras à noite.

Ontem não tinha nada de especial marcado em sua agenda, só mais um dia comum. Provavelmente no fim do dia, iria se encontrar com a namorada, talvez um filme ou comer alguma coisa, não sabiam ainda.

Hoje deixou seu quarto com as coisas que tocara alguns minutos atrás, deixou os textos que havia encomendado na xerox, a conversa que deixou pra depois, os sapatos que já tem a forma de seu pé, as camisas que ficaram com seu cheiro depois que usou... e ao meio dia ele não existia mais. Sua vida havia desaparecido junto com todos os planos. Na mesa do café da manhã ficou o suco deixado pela metade. Hoje, nas ruas em que ele passava, na cadeira onde sentava, no telefone onde falava, no coração de quem ele amava, nas roupas que ele usava, no ventre de quem o colocara no mundo, havia só uma ausência e dali em diante, ela nunca mais seria desfeita.