lundi 11 décembre 2017

Impossível dizer

A pressa de passar
É a mesma pressa de voltar.
Ah, tempo misterioso...
Se nossas andanças secretas
fossem sabidas,
Quantos não nos chamariam loucos...

lundi 27 novembre 2017

Breu

Na escuridão só o tato nos salva
Os olhos já não servem de nada
Os ouvidos dão alguma pista, mas nos traem
O olfato nos baratina
Só resta a superfície de nosso corpo

Só há o Breu
Desse silêncio vasto
Campo vazio
Que poderia ser um nome
Uma despedida
Uma distância
Um abismo
Um adeus

Nessa escuridão só as mãos
E os corações cansados
nos guiam
Só a boca seca e
Essa gruta negra

Só nos encontramos se sentirmos
O calor do outro
Só assim o breu faz-se clarão
Faz-se relâmpago
Trovão

mardi 14 novembre 2017

Olhar pro alto

Um chamado
Uma espera
Uma hora
Uma seta
Um avião
Um pássaro
O sol
Um mosquito
A lua
A chuva
Uma pergunta
Um adeus
Uma explicação
Um mistério
Um meteoro
Uma estrela que morreu
Uma constelação
Uma nuvem branca
Uma nuvem cinza
O vento que a leva
O que me leva
Aquele amor que morreu
Deus

vendredi 10 novembre 2017

Ode vulcânica solitária à meu pai e à Alejandro.

Esse destino de implodir
Vivo a fazer pequenas ebulições
De dentro pra fora.
O outro me mareja
é extensão das minhas veias
O outro que nem sou

Vivo aninhando esses pequenos vulcões
Meu pai não sabia
Nem eu sabia
Mas estava desde muito
aprendendo a criá-los

No avesso,
explodo
um silêncio profundo
como aquele mesmo
após uma explosão 

É uma surdez
O absurdo é tanto
O ruído é tamanho estrondo
Que cega os ouvidos

Mas a lava escorre dentro
Fervente e fluorescente
No silêncio solitário
Dos olhos
Que não se deixam ser a janela aberta da alma

Então recordo no sonho
o que sinto ou temo
Mas eu não sei
Nem meu pai sabia
E me ensinou a ser gente
Reparar no mar
Nos grãos da terra
E na importância que tem o coração quando bate.

Tudo se mistura na lava
Melhor não dizer ao certo 
Melhor não saber
Melhor não...

Ser não tem escapatória.

mercredi 25 octobre 2017

A vontade mesmo é no mínimo dois corpos e muitas vidas.

vendredi 20 octobre 2017

Da profundidade dos olhos

Esses nossos olhos
Contêm um brilho denso
Um túnel profundo
De onde dentro sai
Uma luz forte
Ofusca a alma de quem vê

Penetra
Resgata
Vivifica

São os olhos do amor
Que darão vida
Onde houver um coração que pulse

Que quando encontram outros olhos
Adentram fundo
Se reconhecem e marejam
A luz quente que aquece tudo

Eles nos dizem
Que onde houver gente
Há luta
E jeito.

mardi 10 octobre 2017

Poço

Vivi tempo demais
Deixei escorrer pelo ralo alguns sonhos
Sem que os agarrasse
Antes, esfacelaram

Sinto ainda nos lábios o gosto
do passado recente
Um mundo inteiro pela frente
Um animal preto e branco
Corpos colados
Um sotaque engraçado...

Tudo agora é crime

Vivi muito tempo
Sem ter tempo pra desatar
os nós que deixei crescer por dentro

Hoje enxergo longe
Uma trilha com cheiros
Flores

Mas...
Vivi tanto que caduquei
Não vejo com olhos de paixão
Calejei os olhos.

Os sinais aos poucos aparecem
Os da pele
Os dos ossos
E
Nos sonhos
Foram muitos
Não os agarrei

Mas foram muitos.