dimanche 2 juillet 2017

Dobrar a esquina

Deixar pra trás
Para renascer
Afinal,
Os dias tem sido azuis
Nessa América do Sul.

vendredi 16 juin 2017

Notas do amor e do fim

Essa flor bruta
Essa fome silenciosa
Que me lembra
De sua presença
Do amor que te tive
E que me devora por dentro

Te amei
Te quis tanto
Tanto
E Agora só tenho essas palavras
Pesadas de adeus
Sua voz
O cheiro
A forma do abraço e do beijo

Te amei tanto.

A flor se esvaindo
Suas pétalas em sépia sedentas
Da água que não vai mais chegar
Bruta e maldita...
Somos nós essa natureza morta
Lá no fundo da retina.

Bilhete ao amor de longe

Meu amor, 
Há um mundo de lembranças
Que eu poderia te contar
Mas hoje,
Prefira apenas 
Encontrar seu olhar 

Nostalgie

Bonjour ma belle âme,
Je t'ai laissé un peu par ses rues
Je le sais.
Je ne reviens pas pour te chercher
Je viens juste pour te voir 
Marcher dans ses  rues anciennes du passé
et être sûre de tous qu'on a passé là. 

mardi 18 avril 2017

Da morte

O pescador abria a barriga do peixe
E tirava as vísceras

Pedro o mirava
E,
naquele instante,
entendia o que era a morte.

Deste dia em diante,
Pedro não come peixe

lundi 27 mars 2017


Como uma página
Em que é preciso se reescrever
Tudo desde o início

Reaprender os traços
As marcas do tempo
Dos amores passados
Das despedidas
As dobras do caminho

Pedra sobre pedra
Palavra sobre palavra
Dedos sobre tato
Aquele verso escondido
Na esquina do pescoço

No contorno dos lábios
Reaprender a acender a fogueira
Que anima a alma
É preciso vontade para viver
Tudo de novo





samedi 4 mars 2017

Despedida

Meus três sóis negros
Estilhaçados em meu peito

Meus três sóis no peito dele
Estilhaçando o amor em mim

Meus três sóis e ele inteiro
Despedaçados em mim

Eu em poça d'água
Um adeus sem fim

Meu menino do coração sagrado
Dou-te adeus como quem se desfaz
Da própria fé

Te amo pra sempre
No tempo em que nos encontramos
Nus na cama de corda
Sob pássaros invisíveis

Quando acreditei
que era nossa a dádiva de voar
Sem asas e em concha

Te deixo como quem renuncia
A si mesma
Pelo horror do mundo
E de nossos próprios demônios

Ainda assim,
Te tenho amor sem fim
No tempo de antes e de hoje
Reconheço meus
os sóis em teu peito
E esse jeito de abandono
Que vi em ti desde o começo.


vendredi 3 mars 2017

Pele sobre pelo

Inspirei.

É forte esse gosto do sangue quente
Soltei-me do alto
Cai sobre seu pelo
Só ergo meu corpo se te deixar partir

Alvorecer de seu pelo na minha,
Animal arisco se derrete sob mim

Te domo porque sou sua
Expiro no seu ritmo
Seu sangue quente no meu

Nascemos do mesmo desejo e calor
Somos nós guardiãs desse mistério

Inspiro seu cheiro selvagem
Reconheço seus os meus passos
Sobrevivemos à catástrofe

Nos agarramos em nó
De pele pelo quente suor
Não ergo meu corpo de sobre ti
Só deixo meu corpo descolar de ti
Se
(Dança)

Só te deixo ir quando não souber
O que sou
E tenho sido tantas

Respiro contigo, te agarro pelas pontas
enlaço minhas pernas ao seu redor

Vamos juntos
ofegantes quentes pele sobre pelo.


jeudi 2 mars 2017

Transmutaçao

Ando querendo cavalgar
Ter cascos duros e resistentes

ao calor ao frio ao amor

Ando querendo respirar ofegante
suando por debaixo do pelo
Respondendo só aos instintos
de animal

Fome, sede, sexo, cuidado

Ando querendo seguir sem destino
campo a fora
O caminho de volta na memória

Ando querendo dormir totalmente nua
corpo inteiro na relva
Ser beijada pela noite
E despertar pelos beijos do sol.