jeudi 25 mars 2004

A príncipio a idéia de se encontrar horas sozinha num ambiente semi-conhecido, lotado de pessoas, roupas e olhares, foi como um primeiro passo para a desistência... Mas promessas são promessas, pelo menos para uma garota boba que acredita e espera dos outros as mesmas reações que tem, sem notar, apesar de umas boas quedas, que existem chãos mais escorregadios que outros e sapatos menos aderentes...
Então, para não perder a coragem de transformar solidão em autosuficiência, escolhe-se a roupa mais bonita, a mais alva, a mais tentadora, a que deixe transparecer, apesar de qualquer boato, a vocação para olhar nos olhos e enlouquecer... tanto o alheio quanto o interior. Põe-se a maquiagem mais forte, que ilumine os traços do desarme, levante os cílios, corrija o imperfeito e conceda soluços vísiveis às mentes aguçadas.
Após longos minutos de primeiras impressões, o que resta é a presença inacabada do que ainda será percorrido pelos ponteiros...
Infelizmente, aturar amados e desamados após mais de seis miligramas de álcool por litro de sangue torna-se um fardo tanto quanto não suportável para uma velocidade de 100km/h em 360º meio perturbados... Por livre escolha (leia-se: falta de opção) entrega-se à sedução da perda de consciência na tentativa de criar um mundo mais agitado por algumas horas, danças menos culpadas talvez...
Aquelas frutas esmagadas no copo fundo, o mau-humor de quem servia, a quantidade de açúcar, a percepção dos pequenos grãos mal misturados ao componente principal, a não familiaridade dos rostos, todos os gostos, os sabores, as provocações, os pensamentos proibidos, só pensamentos, as idéias, o movimento, a crueldade, a impaciêcia, as confissões...
Uma noite metade frustrada, metade conseguida...
Sem sentimentos.
Sem a intenção de embebedar telas em branco com criações alheias, mas sem querer excluir a admiração pela capacidade de transformar tatos, sensações, percepções e segredos em palavras, é necessário comentar a quase perfeição encontrada em cada páragrafo daquela mulher! Antigos relatos que se tornaram eternos pela durabilidade incansável das fraquezas humanas e suas necessidades de serem... não compreendidas, mas, ao menos, postas em panos brancos, folhas em branco...
A sensibilidade de cada olhar pode ser transmitida por linhas de peculiar lucidez,chegando essa a se confundir com um êxtase de sensações e equivalências de vidas tão destoantes... tão iguais por serem humanas...
Ode ao que se mantém faminto e inacabado com o tempo!
Tempo, tempo, tempo... Transborda das minhas mãos, foge das minhas intenções, me perco nas horas, torna-se tarde demais para concluir os pensamentos em dígitos...

jeudi 18 mars 2004

Close to the wild heart lives someone who is just alone singing a child's song...

dimanche 14 mars 2004

-Por que os domingos? Eles são sempre nostálgicos, e vem, junto a chuva, essa saudade de fatos nunca escritos, sempre observados, ou lembranças recentes, com um sumo de esperança para o futuro...
O lugar marrom inacabado, com tantas histórias de notas, tantas risadas; aquelas pessoas, tão singulares, tão parecidas, e tão secretas... Os movimentos parecem em camera lenta, como as cenas de memória em todos os filmes, talvez agora faça sentido, a técnica usada para as recordações... Os pés que se movem com o som,a dança desregrada de pés desacostumados com o hábito de dançar, os rostos abertos, sinceros, os olhos que brilham com a realização de ouvir, fazer; aquela música...a música tão imperfeita, tão transfigurada, coletiva, pessoal... os pensamentos livres, conservados em cada 360 graus , em cada mundo... "nenhum milhão de dólares por esses segredos" porque eles tem dono, e um único dono é suficiente pra transformá-los em felicidade e taquicardia...
Que todas as vezes sejam assim, mas com sua diferença essencial!