lundi 31 mars 2014

Aconcheguei-me de lado,
mão esquerda sob a cabeça,
dedos emaranhados aos cabelos
quente, respiro, suspiro,
vou desacordando, desamparando...
Cheiro de sono
é quase floral-cítrico-doce-lavandar...
Ponho-me entregue até o despertar...

Cafonice meninice

Amor,
Quando ler essa carta,
volta correndo pra casa,
te espero acordada,
antes da madrugada
antes de mais nada...

Laroiê

A bocado mundo abriu-se
E meus poros ergueram-se

arrepio

arrepio

Arrodeia-me, bará

Escuto o mundo

Escuto o mundo em mim
Caos em tudo

"Um corpo sem Exu é um corpo em coma"



Amarelo Ouro

A dona da minha cabeça tem olhinhos oblíquos
olhos de ressaca de mar...
correnteza doce sobre esses furacões.
Quem é traiçoeira, eu lhe pergunto
serão eles todos
ou ela só em sua doçura ilusão ?
Quis-te tanto amor
que agora
só tenho enjoo
de querer

Quero agora
só boiar
da barra até itaparica

Ver onde o corpo vai me levar
O mar

Hasta luego

Deixar ir
é quase parir.

O mundo
O novo
o re-começo

Deixar
ir

samedi 22 mars 2014

Km 17

Cruzar as ruas engarrafadas e
chegar até...
itapuã.
Estar em itapuã
Respirar itapuã
Me despedir de novo
de itapuã

Mas sem antes
notar
como eu fui
feliz ali

jeudi 20 mars 2014

Desabitando

Me desculpa o desarranjo, senhor
Há qualquer coisa em mim
que cisma em esbarrar
derrubando todo o entorno que há


Perdoa o desconserto, senhor
há qualquer coisa de desencaixado
em mim
que cisma em não se ajustar

Peço passagem para ir, senhor
há qualquer caminho
dentro de mim, senhor
que precisa se traçar...

Volto mais a tarde,
quando todos dormirem,
e só o silêncio puder me acompanhar
Vão

mercredi 19 mars 2014

amanhecer de lua cheia

O sol nasce a 183 graus
em oposição à lua cheia
Eles se encaram na aurora

Ela vai sumindo enquanto ele desponta rei
Ela, que era imensa,
vai se escondendo longe, diminuindo...
Até quase desaparecer.

Ela dá espaço para ele tudo queimar

Exposição

Despiu-se
era assim:
homem nu desarmado.
alguns arranhões antigos
no rosto
nas mãos ásperas
alguns calos

No peito
levemente à esquerda
uma cicatriz profunda
fechada, larga
e eternamente dolorida.


vendredi 14 mars 2014

Corpo abissal

Abissal somos nós
Não o mundo
o penhasco
Ou o mar

Somos eu , você
E esse peito aberto
 escuridão

mercredi 12 mars 2014

Ja é madrugada
quando em seu colo
ela serena...

Sereia e caçador
cansado de guerras...

Um carinho no cangote,
alfazema dela
nas mãos dele

Silencia o mundo,
a revolução acontece

lundi 10 mars 2014

Encontro/ Desencontro

Silêncio iniciático
vs
Louca dispersão.

Essa é nossa versão.

Drama para que te quero coração

Um soneto de Shakespeare,
Um poema em gratidão,
Um espelho...
Esses e mais
alguns (des)casos
me fazem chorar nesses dias
de fim de verão.

Amor maior.

E sei de toda essa vida
no sorriso
no afago
no afeto
no colo pequeno
Na gargalhada inocente
Nas mãos pequenas
entre os fios de cabelo

A pele lisa, fina, suada.
O amor, o mais profundo.
Eterno, incondicional,
Sem hora, nem data
Sendo
Agora e sempre.
...

No colo pequeno
Nos olhinhos miudinhos
nas sílabas indecifráveis
no abraço
no afago
no afeto
Toda essa vida,

Eu sei.

Memória

Da árvore de algodões, busca vida
O rio, o sol, a argila
O piano
As palavras de açúcar sobre o sono pesado
Tudo é passado


Anoiteceu, vasta solidão

Sobre a grama verde e as estrelas desse hemisfério sul.
Tenho a ti, a mim e nada mais.
Peito pesado neste solo tropical úmido
arrepio todo na imensidão do colchão terra.

Sei-te aqui todo o tempo
Neste imenso vazio silêncio
Ouço a gota
a mesma
que cai do último andar
da frestra desse penhasco
vida

Sou eu essa fresta
essa gota
e toda a imensidão terra chão
que a suporta.