samedi 12 novembre 2011

Se eu pudesse te mudar o nome, te chamaria Alecrim

De la méfiance.

Si tu voyais comme me regardais,
tes yeux, petites boules de feu me tuaient à chaque mot.
Et tes mains... je ne les connaissent pas quand elles me touchent comme ça.


O amor mora AQUI.

Naquela noite em que tudo era febre,
havia você.

Sutil

Assim leve, respiro você e meus dias adoçam,
a luz entra amarela clara pelo vidro da janela
e a manha é tenra.

Deito sobre seu torso
ou me envolvo em seu contorno,
tudo ao redor é calma,
minha mao adormece salva ao redor da sua
Tudo em mim sabe
onde é o lugar do amor.

jeudi 13 octobre 2011

Entre

Entre nós dois,
entre a cama e a mesa,
entre o vermelho do chão e o branco do teto ,
entre a varanda e o banheiro,
entre a prateleira e a geladeira,

Entre o ponto de ônibus e o restaurante,
entre a ópera e a residência,
entre a escada e a casa.
Entre.

Da falta que o silêncio faz.

Quando estou só, ouço meu estômago, meus intestinos e meus pensamentos.

Ampulheta

No canto da janela, encorada entre a quina e o vidro, estava ela.
Pacientemente passando, areia azul, caindo no vazio, até encher-se de si, e acabar de um lado só.
O sol trincava seu vidro todos os dias ao meio-dia, se estendia comprido até as duas da tarde, quando já deixava quente os tacos da casa.
Vez ou outra, eu me sentava à beira da janela, acendia um cigarro, e o tempo em que passava ali era o que bastava pra ela. Se afunilava toda para um lado só, na velocidade que corriam minhas dúvidas, minhas certezas, minhas incertezas.
Outros dias, quando passava com pressa por ali, a via à espera de alguém que a virasse e que lhe renovasse a vida, eram nesses momentos que eu lembrava que ela existia e que ainda que não a virasse, guardava o tempo.
Foi quando, em dia de vento forte, a cortina brava, pela força de fora, bateu-lhe com força e bastou um segundo, talvez menos...
Areia azul espalhada pelo chão. Entre os intervalos do piso, grãos perdidos. o vidro despedaçado, a lembrança de tudo o que passou.
O tempo desfez-se na queda, da janela até o chão, perdidos por todo o espaço, os mínimos grãos irrecuperáveis do infinito.
O mesmo vento não volta, o tempo não se recupera.
Tudo agora é grão em chão de madeira...

vendredi 19 août 2011

O nome dela é Lua.

[E quando ela era só um nome numa lista, já era especial, encantava sem saber, virou gente de perto, das mais próximas, gente de quem até os pensamentos são pra ser divididos, gente que agente confia no olhar.]

A filha do amor entre a dança e a psicanálise, nasce do céu que faz noites claras, ilumina vidas em toda parte desse mundo.

Ela que nem sabia de seu poder , que se escondia em concha, entre tantos nomes, tantas crenças, tantas.

Ela, que virou outra, renasceu em vermelho, cor forte de primavera tropical, que praticou revoluções, que amou até o caroço e cujo peito foi forte e continuou quente até o dia em que não se pôde mais.

Ela, que entre os tropeços em estradas tortas, não desequilibra do salto. Que conserva o mesmo sorriso, que se desprende em todo amor verdadeiro... ela que se traduz em amor.

Ela, em que o amor é inteiro, é correnteza por dentro, desembocando rios de delicadeza, de sutilezas, de segredos, que só percorrendo profundeza adentro para conquistar a dimensão de sua grandeza .

Ela,
que desacredita,
desanima,
adormece desilusão,
que a vida é madeira de lei,
em floresta densa,
irredutível e imensa,
mas que acorda outra canção,
outra maneira,
outra.
Que se acredita outra vez,
que metamorfoseia,
princesa em mulher,
que acontece
pelo sopro de querer ser.

Ela que dá asas quando os pés insistem em ficar estancados ao chão, que permite vôos, que dança, corpo solto, flutuando pelas mãos do outro.
Mas que só daqueles que tem bem no coração vão poder tocar, que por volta dela nunca há lugar para mau olhar.

[Ela, que mora no quarto ao lado, que enche meus dias de amor e cuidado e que vive levada pelo coração.
Ela, que eu amo amor imenso, que de tão perto, às vezes desconheço, mas que no mundo inteiro, não conheço maior recordação: de ter assim, do lado, tantas histórias, tantas confidências, tantas lágrimas, abraços, esperanças, saudades... tanto tudo e tanto amor]

lundi 1 août 2011

Ponto de Partida

Sou coleção de livros nao lidos e
amores mal finitos,
ela disse.

ME

- Olhos doces,
- Riso sempre,
- Voz sutil
-Mansidão
- Força.
- Braços de abraçar
- ...

Mas se para ela,
uma palavra escolhesse
seria amor.

dimanche 31 juillet 2011

coração latino.

Na manhã de domingo,
ele,
voz rouca,
espanhol latino,

Sussurou em meus ouvidos:
- Querida, no dejes el mundo achicar tu alma...

mardi 26 juillet 2011

Reconheço.

Sob a tempestade,
sob frases não ditas,
e lembranças mal dormidas,

ouço a voz tranquila,
"meu amor".

Naquele instante,
meu coração
se deita,
fecha os olhos
e descansa,

pois reconhece
naquela mansidão
o que é o amor.

jeudi 21 juillet 2011

Não me diz silêncio

Silêncio é imensidão de não respostas,
são todas as possíveis coisas e não coisas desse mundo.

Não me diz silêncio, meu amor,
silêncio é muito pra mim.

mardi 12 juillet 2011

Corpo meu

Ele sempre volta,
em frequência fina,
Aguda de machucar,

Ou grave, forte,
Estrondo
ruído meu,

Ele sempre me mostra
em todos os seus sinais
que está,
é,
sou,
eu.

Ele que me diz
o que eu não sei dizer
o que deborda
nos limites do meu silêncio,

O que escapa
no desvio do olhar,
No balançar morno,

Ele me denuncia
Em todo pesar.

jeudi 19 mai 2011

Escreveu com força na parede do quarto:

-Preciso com urgência escapar de mim.

Naquele dia saiu para nadar.

jeudi 12 mai 2011

De ir embora sem avisar.

Nem retina, nem olhos, nem brilhar, pulsar, viver.
Nem o saber, nem desconhecer, não imaginar, nem perceber.

Respostas não são bem vindas,
Todas as dúvidas moram à esquina
da mesma sacada antiga,
do edifício ao pé da ladeira,
da ciência, que era tão importante quanto à música?

Sorriste um sorriso sincero
E eu que nem te conhecia,
Já te queria bem de coração.

O bem circula,
Pelos Quintais,
Pelos sorrisos
Pelos olhos,
Pela lembrança.

Saudade é um conteúdo líquido
sem antídoto, sem sossego.
Sua graça é ter o amor sempre como companheiro.

dimanche 1 mai 2011

Marcação em domingo de sol.

(...)

Estou lá em coração,
batendo junto à marcação
que suas mãos tocam,
sendo tocada
por essas mãos.

O coração da música é meu,
que daqui segue seu ritmo,
seu compasso,
mergulha por debaixo
dessa imensidão de mar,
acorda nos braços
de todos os santos
para então desembocar em você.

Evaporando água doce,
virando sal,
pulsando em seu fuso,
em suas mãos,
no mesmo compasso do coração,
que se antes, dois.
agora em um só se pôs.

dimanche 17 avril 2011

Da lonjura molhada entre os continentes.

Numa ponta do mar

Deixei um beijo

Pra do lado de lá,

salgado quente,
você pegar.

Podendo mesmo,
dobrava em círculo,
e fazia piscina
essa imensidão
de distância
água
e saudade

samedi 26 mars 2011

Penso alto.

- Sempre quis saber do amor, confesso que te ver dormir me dá uma pista enorme.

Simplicidade.

Queria levar em meus versos s'o o m'inimo,
O que de t~ao pontual e certeiro me levasse sem escalas a seu cora'cao

Queria te dar de presente em palavras,
o que aqui dentro 'e tao 'obvio em sensa'cao.

Trazer para os dedos
o que esse olhar faz em mim,
decifrar em toda s'ilaba
cada gota de felicidade 'e voc^e.

Saber p^or assim em verbo o mesmo sentimento bom
de estar sobre seus ombros
e o mundo poder terminar ali.

Mas a verdade 'e que eu nunca soube ser simples.

Primavera

Enquanto os últimos sopros frios desse longo inverno me acordam de longe, deixando insistentes o recado de " at'e breve", vejo os pequenos pontos luminosos tocar sutilmente a secura da minha rua.

O carinho iluminado dele vai chegando devagar, como se contasse aos poucos seus segredos a tudo que est'a a minha volta...
L'a longe os arbustos cinzas e t'imidos, come'cam a se colorir outra vez em pequenas folhas verde-escuras, as 'arvores enormes do meu quintal recuperaram o abra'co de suas trepadeiras, que fugiram antes com o frio...
Por onde ele anuncia sua chegada nascem flores. As amarelinhas folgosas, as doces rosas, as vermelhas mais apaixonadas...
As ruas vao se descongelando e os pr'edios beges j'a sao quase salmon...
Eu mesma, sentindo ele se aproximar, acordo mais cedo e vou at'e a janela, ele vem delicadamente quente a cada dia mais e mais cedo, me acordar, me lembrando que em poucos dias, o tempo ser'a s'o de flores.
Eu amole'co em sua lveza, contando os dias caminho at'e meu quintal, olho as 'arvores, os ramos, as flores, as copas amarelas e brancas, todos me observando, comentando entre si, assim como eu bem sei daqui:
- L'a vem a primavera...

samedi 12 mars 2011

De dar luz à escuridao.

Que virou sonho,
tomou corpo, ganhou espaço,
aproximou desejo e cuidado,
escolheu nome, traços,

Que ouvia crescer,
tomar forma,
viver.

Que criou fortaleza,
deixou florescer,
Fez primavera,
algodao doce,
Paixao e pelucia.

E de tao imenso, despencou do alto do céu,
explodiu em farelo, despedaço, desarmado corpo,
Fragmentos doloridos, machucados, de cada minima ausencia
que a perda se fez.

Descoloriu, pintou de cinza escuro, grafite borrado,
desmanchou sonhos e derrubou o palco.
Ficou guardado, nos pés do santo
o fim antecipado, dilacerado caminho,
que entre a escolha e a vida,
encontrou-se nao, gritando forte,
ensurdecedor, cortando de dentro a fora, impedindo,
sugando vida, restos, traços, nomes....

Desespero guardado, acorda de vez em quando,
em suor e pesadelo e tendo sempre o desejo
de ficar tudo bem...

Maldade, Deus, maldade.

Amargo, perdao.

De tanto querer lembrar,
esqueci.
Tudo o que cruzei até chegar,
quantas vezes senti o coraçao parar.

Me perdoa, coraçao,
perdi a rota, a direçao.
Nao cuidei
e assim como de la,
eu que nao soube amar.

Deixa quieto agora o amargo,
Nao é de se desconsolar,
nao é regra ter o afago,
nem a atençao tem sempre lugar.

So guarda assim calmo, coraçao,
assim, de vez em quando, sereno,
pra nao correr com a enchente,
o resto tanto de amor entre a gente;

E faz lembrar, coraçao,
Que nao se pode deixar perecer
esse tanto de amor que é o aue faz viver.

mardi 8 février 2011

Desacerto.

Virava ao avesso
e continuava
a mesma.

mardi 25 janvier 2011

Isto é um resto.

Ele disse acordei de sonhos intranquilos, e todos os dias me pergunto o que esses sonhos intranquilos querem me dizer.
Em um instante tive certeza de estar em outro lugar, ser outro o mundo, as condições, ser outra.
Outros segundos, a mesma, a dúvida, as portas sujas, o labirinto de portas fechadas prontas a serem abertas à lugar nenhum.
Qual é a porta que se escolhe para chegar ao lugar certo, e o que é esta tal certeza, que parece nunca me ceder lugar.
Outra noite, o corpo ardia em suor, já nua, e nada restava além da pele, que me dizia algo que não sei ler. A temperatura baixa lá fora, escondendo, por baixo de tanta lã, corações machucados, estragados, apodrecidos e por vezes maltratados.
De onde a gente vem e qual é o objetivo, para que responder a tantas perguntas, se em nenhuma delas há paz, nenhuma delas tranquiliza, apazigua, sossega esse monstro. Onde está. Escondido em que porta, atrás de que armário e como matá-lo?
Entre tantos anos que se passaram, os medos ainda tão os mesmos, as fraquezas que não mudam. "porque você gosta de confusão, você vai ser sempre assim". Ele me disse e eu quis que ele morresse. Eu quis morrer, ao invés, eu quis só ser menos que isso, quis só simplificar, quis acreditar, quis que fosse diferente.
E eu amei, corri, desesperei, encontrei, perdi. Guiei o barco e parei em lugar algum, nem o mar encontrei, nem soube por onde ir... mas se escolher a porta errada, pode voltar, "vem, você pegou o caminho errado". E ainda atordoada, pude voltar. Mas qual o caminho que se traça quando a cada passada é preciso recomeçar.
Esse colchão é péssimo, e desconforto parece ser uma constante em fim.
Preciso do mar.

lundi 24 janvier 2011

qu'est-ce que c'est que le mystère? (Que atrevimento)

Et du mystère je ne sais pas,
De se casser en mil pièces
se défaire en regret,
Se détendre en passion.

Non, je ne connais pas,
De tout que je n'ai pas encore vécu,
De la route du corps, de la surface
jusqu'a son bout.

Je ne pourrais pas dire,
combien de temps il faut
pour casser l'écorce,
écouter les cloches,
faire voler les papillons...

samedi 15 janvier 2011

E o que é eternidade?

Eis que tudo turvo,
Eis que líquido evapora,
E tanta força exaure o corpo.

"Me prende nesse instante
E me deixa ter para sempre esses olhos.
Me extraindo de mim, me assustando de tanto saber.

De tanto não saber e
me entregar um assim só
desejo de ser.

Leva embora todos os sentidos,
mas só se eu me esvair junto.
Virar você, entrar você, ser devorada
e desaparecer.

Eis que tudo passa,
Eis que o sopro destrói o castelo,
Eis que tudo é nada,
E o herói não salva.