lundi 23 avril 2007

Alhures


Percorro espaços que não são meus
Em verdade, nada aqui me pertence
Assim como eu pertenço a nada

O que me enlouquece
Em paralelo me aquece:
Não ter responsabilidade sobre o ser
Não sofrer por aqui não caber

E eu sou toda invasão dos outros
Busca incessante de identidade de mim
Em pequenas frestas esquecidas,
Abertas.

Invado sem escrúpulos:
Suas roupas
Seus gestos
Seu cabelo
Tudo o que não é meu

Certa que sou de que
não há nada aqui há tempos,
Me debruço em fantasias
Sem remetentes,
Que me comovem em sutis lembranças
Do que não mais é.

Este estranho rabisco, sou eu:
Não decifro.
Não desenrolo.
Só desaconteço.