mardi 24 février 2015

Despertar

Amar-te ia
tao perto de meus seios,
coração.

Vagueio-sereno-fingimento.
mas querer-te ia
entrelaçado entre as mãos

Tao honestamente
foste homem
que ver-te ia
outra vez
como outrora
como nesse instante
logo agora


Quando bem te vi
tive a ti
tao perto:
doce
sagrado
mar
e solidão  


samedi 14 février 2015

Forte

Perdi-me de todos
Encontrei a mim,
 brutalmente

É preciso se perder para relembrar o adeus

Os olhos de naufrágio são os meus
Fitando essas embarcações atracadas

São meus os olhos do adeus irrecuperável
Minhas pupilas de saudade
O sal em meus lábios
As mãos sobre a pedra e o até nunca mais

A revolução começou ali
sobre as terras da glória
Entre a poeira, a brisa, o sal
E o naufrágio

mardi 3 février 2015

Bilhete ao silencio

Sigo com esses olhos marejando ao encontro das palavras que me desvendem algo de teu paradeiro. Em minhas andanças quietas, percorro  alguns tons de azul, outros alaranjados, chego a um vermelho febril e essas cores só vem  contornar minhas perguntas irrespondíveis sobre ti. Te desenhei menino em minha memória, minhas lembranças te contornando: as mãos doces,  o olhar vago, um peito cintilante, discreto e macio.
Em muitas vezes que calei, estive inteiramente entregue aos teus braços. Quis ser nuvem leve em teu colo, despir-me pros teus olhos, beijar-te tanto e chegar muito perto para que fosses meu.
Amanhecia e me dizias adeus, te perdia a cada cantar de galo em que fora tua na madrugada... foste sempre uma despedida... e hoje ainda, longe e recluso, te despedes.
Dessa  vez eu te deixei. Vagarosamente ergui meu braço e acenei ao longe, minha mao, tao tua, para dar-te outra vez adeus...

E tudo isto, eu invento, para fazer-te existir em mim e ser essa lembrança de amor. Do que poderia ter sido, do que fomos quando pele contra pele, teu suor escorrendo sobre a minha, meus dedos te tocando a face, e eu silenciosamente te amando....
foi um longo suspiro e nada mais.
Depois da euforia
o lixo e a água suja
ocupam meus lábios
e as ruas do bairro

Ruptura

Desta vez rompeu-se
agulha em balão d'água
escorrendo o líquido
gosto de nosso cuidado

Desta vez, fui
cega, de olhos e tato
ao desencontro teu

Na outra beira
tua esquiva, meu desconsolo
de perceber
a insignificância desse amor
que nem chegou a dizer
adeus