lundi 26 août 2013

Ah gosto!

As chuvas, os buracos, os acasos...
Agosto vai chegando lentamente ao fim.

vendredi 23 août 2013

Bobos

Bobos são aqueles
Que tudo sabem
E só eles podem
Tudo dizer

E quanto a menina,
Que dorme
sobre a ignorância,
Como pode ela
 boba ser?

mardi 20 août 2013

Da minha varanda

Trovador,
Cantas uma música,
concedes-me quase presente.
Revelas oráculos e me deixas
Tão atônita diante dos mistérios

Tenho aprendido contigo
A escutar imagens,
Enxergar silêncios
Duvidar dos despropósitos
De mero acasos...

Teu lirismo tem tomado
Aos poucos minhas manhãs

Percebo-me coberta
por seu manto,
Como pequeninas gotas
De orvalho,
que umedecem  as folhas
Ao nascer do dia.

Assim repousam
Tuas delicadas palavras
sobre mim

dimanche 11 août 2013

Engano III

Palavras,
esses seres
estranhamente
encantadores.

Dize-me:


Dizer-te quero:
Quero-te,
Não digo-te,
Com-tudo.

Queres,
E dize-me
Sem dizer.

E se quero-te?
Só se
Com tudo
ou
Toda via
Querer-te,
Dir-te-ei.

.

Croquis pour Condaline

Condaline fermait les yeux et  faisait des rêves eveillés.
Autant d'amours elle avait que son coeur risquait d'exploser.
La fille a perdu les notions de temps et de spacialité,
Son corps ne faisait que se balader
Autour des arbres verts et du vent de l'été...
Condaline ne connaissait rien de ce que disait les sieurs
sur le mystères de la vie, de la nature ou de son corps ou coeur
Mais à chaque fois qu'elle fermait les yeux un nouveau sentiment
découvert et reveillé se dessinait de la pointe de ses pieds jusqu'au
plus court fil de cheveux

jeudi 8 août 2013

Memória do corpo

I
O encontro
Cheiro de pele fresca, doce pele a sua. O cabelo molhado, os cachos que me beijam junto com a boca, umedecendo meu rosto. Seu nome é fruta madura em meus lábios. A voz tranquila, meio menino, meio distante, mais distante. As mãos são veludo, mas de temperatura boa, água morna em dia de chuva. As mãos tão perto, que não faz sentido a voz longe. Despido-me para sentir meu peito tocar você. Carne macia, identifico sua altura, a textura de seu peito contra o meu, nossas diferenças. Elas estão, principalmente aqui, na textura/ matéria/disposição/conteúdo de nossos peitos...

II
A lonjura

Tenho só lembrança sua. Algumas delas. Umas se confundem com sonhos antigos, outras, com histórias que inventei, outras ainda são não-lembranças ou lembranças de uma ausência.
A pele que me contorna, que ficou tão perto, tão dentro, é também estranha e inóspita. Às vezes, não reconhecia suas notas, seus timbres, que são muitos. Eram estranhos os passos na dança, não houve dança. A dos quadris sim, a dos órgãos, não. Houve silêncio. O silêncio das montanhas. O silêncio me fez desconhecer você. Meu silêncio nasceu da distância de sua pele na água gelada, do não afago na beira da água, da terra perdida que nos levou à água escura. Quase tudo em você é desconhecido...não-presença?  Não-querer? A pele era tão doce junto à minha, mas as noites perto eram tão longe. O silêncio da mata juntou-se ao som da água... Não, nada é certo...e os silêncios podem ser só a espera, pelo amor que não vem.

Passando longe...

Dormia eu,
em sua cama
lado seu, lado meu
e continuava só.

Atravessava eu,
a ponta da Bahia
com o outro,
mar imenso, sol caindo
e continuava só.

Lia eu,
lindos poemas
do outro,
de flores, datas,
memórias de mim
e continuava só.

O amor passando longe daqui...


mercredi 7 août 2013

Vinheta para Gael

Vem tranquilo,
Gael.
Vem, pequeno gigante,


Vem sereno,
Gael,
Que o mundo nasceu
pra você nesse instante.

Imagem-passado

Um filme de rolo
com fotografias
desconhecidas
foi encontrado.

Um filme de rolo
velado
com fotografias
escondidas
repousa sobre
a escrivania,

Um filme que não,
jamais será
revelado.

Um filme com histórias
repetidas
que ninguém
mais
quer saber.

mardi 6 août 2013

Branco

Uma conta branca em sonho
Se arrodeava no pescoço.
Todos esses oxalás
ao redor de mim,
Chegando...

O branco da calma,
Vem manso
Cobrir os arrepios
Enxugar os olhos.
Chegando...

A calmaria vem em sonho,
Acordo procurando
Esse branco,
Essa calma,
Oxalá em mim...