samedi 26 mars 2011

Penso alto.

- Sempre quis saber do amor, confesso que te ver dormir me dá uma pista enorme.

Simplicidade.

Queria levar em meus versos s'o o m'inimo,
O que de t~ao pontual e certeiro me levasse sem escalas a seu cora'cao

Queria te dar de presente em palavras,
o que aqui dentro 'e tao 'obvio em sensa'cao.

Trazer para os dedos
o que esse olhar faz em mim,
decifrar em toda s'ilaba
cada gota de felicidade 'e voc^e.

Saber p^or assim em verbo o mesmo sentimento bom
de estar sobre seus ombros
e o mundo poder terminar ali.

Mas a verdade 'e que eu nunca soube ser simples.

Primavera

Enquanto os últimos sopros frios desse longo inverno me acordam de longe, deixando insistentes o recado de " at'e breve", vejo os pequenos pontos luminosos tocar sutilmente a secura da minha rua.

O carinho iluminado dele vai chegando devagar, como se contasse aos poucos seus segredos a tudo que est'a a minha volta...
L'a longe os arbustos cinzas e t'imidos, come'cam a se colorir outra vez em pequenas folhas verde-escuras, as 'arvores enormes do meu quintal recuperaram o abra'co de suas trepadeiras, que fugiram antes com o frio...
Por onde ele anuncia sua chegada nascem flores. As amarelinhas folgosas, as doces rosas, as vermelhas mais apaixonadas...
As ruas vao se descongelando e os pr'edios beges j'a sao quase salmon...
Eu mesma, sentindo ele se aproximar, acordo mais cedo e vou at'e a janela, ele vem delicadamente quente a cada dia mais e mais cedo, me acordar, me lembrando que em poucos dias, o tempo ser'a s'o de flores.
Eu amole'co em sua lveza, contando os dias caminho at'e meu quintal, olho as 'arvores, os ramos, as flores, as copas amarelas e brancas, todos me observando, comentando entre si, assim como eu bem sei daqui:
- L'a vem a primavera...

samedi 12 mars 2011

De dar luz à escuridao.

Que virou sonho,
tomou corpo, ganhou espaço,
aproximou desejo e cuidado,
escolheu nome, traços,

Que ouvia crescer,
tomar forma,
viver.

Que criou fortaleza,
deixou florescer,
Fez primavera,
algodao doce,
Paixao e pelucia.

E de tao imenso, despencou do alto do céu,
explodiu em farelo, despedaço, desarmado corpo,
Fragmentos doloridos, machucados, de cada minima ausencia
que a perda se fez.

Descoloriu, pintou de cinza escuro, grafite borrado,
desmanchou sonhos e derrubou o palco.
Ficou guardado, nos pés do santo
o fim antecipado, dilacerado caminho,
que entre a escolha e a vida,
encontrou-se nao, gritando forte,
ensurdecedor, cortando de dentro a fora, impedindo,
sugando vida, restos, traços, nomes....

Desespero guardado, acorda de vez em quando,
em suor e pesadelo e tendo sempre o desejo
de ficar tudo bem...

Maldade, Deus, maldade.

Amargo, perdao.

De tanto querer lembrar,
esqueci.
Tudo o que cruzei até chegar,
quantas vezes senti o coraçao parar.

Me perdoa, coraçao,
perdi a rota, a direçao.
Nao cuidei
e assim como de la,
eu que nao soube amar.

Deixa quieto agora o amargo,
Nao é de se desconsolar,
nao é regra ter o afago,
nem a atençao tem sempre lugar.

So guarda assim calmo, coraçao,
assim, de vez em quando, sereno,
pra nao correr com a enchente,
o resto tanto de amor entre a gente;

E faz lembrar, coraçao,
Que nao se pode deixar perecer
esse tanto de amor que é o aue faz viver.