vendredi 31 mai 2013

Levestar

Sonhar é sempre
o início.
...

Leve que é,
não tem em si
a idade do mundo,
nem a idade do sonho.

Leve, pois,
a mim
em todos os seus encantos.

Leve cada pedaço
e eu assim só
quero conhecer
seus cantos

Levar suas mãos
leves sobre minha
pele
ado-sê-la.

Sem raízes,
levitar os pés
até o toque
seu chegar
leve até o meu
coração.

Levada
vou,
assim sem
pensar em
nada.

Mais leve
que dias de sol
no mar,

Mais calma
que a voz sutil
que sai.

Leve, pois,
tudo,
deixe-me reduzida
a nada.



mercredi 22 mai 2013

Divido dívida. Interessado(a), favor se apresentar.

Devo-te poesia.
Percorro as mãos por um bolso,
não encontro.

Estão apenas  papéis velhos,
antigas presenças,
dias que deixaram
só esse resto de lembrança.

Procuro pela pele...
não encontro.
 Aqui estão arrepios,
muita solidão
e algumas gotas
da chuva
de dois dias atrás.

Insisto no peito,
oco está.
Tão fundo
que faz eco.
Buraco negro,
escuro...
nada há.

Com pesar,
respiro e
devolvo-te o olhar
e em poucas palavras
repito

o mesmo ditado
velho ditado:

Devo, não nego.
espero, em breve,
poder pagar.

mardi 21 mai 2013

Do desnecessário.

I

Desnecessariamente,
criou-se a poesia
para passar o tempo,
desnecessário,
daqueles
cujo coração
não se equilibram

ao útil,
ao que serve,
ao que funciona
para

algo.


II

Desnecessariamente,
as bocas se beijam,
as peles se tocam,
os olhos se olham.
Desnecessário é
o não amor,
do corpo.

Desnecessário pensar.
E outra vez,
mais uma
vez,
pensar.

Desnecessário foi
deixar o tempo
passar.
E deixar o necessário,
desnecessário estar.



Reinventando:

Bom humor tem limites.

lundi 13 mai 2013

A pele

 Prólogo:

Tecido
que absorve
tudo
o tempo
inteiro.

A minha
anda
procurando
cheiros
virando
esquinas

Repetindo
as frases
esparramando-
-se
sobre
si
mesma.

...

Quand
ta peau
est devenue
salive
sur mon sein
tout que j'ai
absorbé
était
tien.

je t'ai eu.

afogada.

A cidade segue tomando banhos diários
Eu enxugando o rosto molhado,
Entre um suspiro e outro,
alguns sonhos escapam
no ar que sai.

Iemanjá não deve gostar de mim,
ou faz de pretexto por gostar demais.


É muita água, água demais,
escoando, caindo, voltando,
indo, indo, indo...

jeudi 9 mai 2013

Traços ou íntimo exposto ou lembranças após um filme de lembranças.

Porque ao bater a porta, tenho que me esforçar para lembrar de não te esquecer. E para te esquecer, é só ouvir as outras vozes, que ecoam, à essa hora, 23h51, todas do mesmo quarto, onde a TV e muito amor estão acesos.
Mas ainda se ouço outros, ainda assim não te esqueço. ponho um pedaço de açúcar na boca. Sinto toda a língua salivar o doce, o sangue adoçar, acalmar... devagar adoçar... Mas ainda não esqueço.

Pensei que se tudo estivesse guardado em uma caixa, e que se a colocasse lá no fundo do armário, depois de alguns anos, algumas traças e mofo, isso tudo não mais existiria. Mas não há doce, não há outras vozes, não há sossego. Em verdade, tudo isto há, mas você está sempre lá.

Não, não se trata aqui do amor que passou, não me refiro àquele que chamava de meu há algum tempo atrás. O que insiste aqui é outro, é outra. A mesma, a de sempre. A que vaga sem destino, circulando, embaralhando fazendo nós em si mesma. E de repente, me vem a cena da moça que dança com a corda e que dançava com a lua. Esta aqui também dança. Não com a lua, corda também não há e não, felizmente, tamanha tristeza. Há essa incansável, incessante, impossível, esta incontornável, esta indizível, esta.
Esta que tentou colocar-se em uma caixa e guardar-se no fundo do armário. Que se camuflou, escondida, tentando caber no coração do outro, que agora perdeu. Que se dobrou organizadamente em duas malas de 32kg, pegou um avião e cruzou o atlântico. Esta que não atravessou todos os oceanos. Que abandonou aqui   o seu amor, jogou ao chão os buquês de margaridas. Tudo o que fica sempre é esta.

A que olha no espelho e vê um rosto bonito às vezes, narigudo às vezes, com orelhas grandes às vezes. Uma boca bonita, olhos impossíveis, olhos que não se sabem, olhos que não se lêem, olhos. Que aguardam e se agarram a qualquer mínima pista de alguém que os leiam. Olhos castanhos escuros, janelas.

Então não coube em 64kg, nem em uma caixa no fundo do armário, nem em espaço algum não cabe. A moça me contou lembranças de outra e eu a vi costurando lembranças suas. Para descobrir o que da outra não a era, não precisava sê-la, não será.

E dela, nesta, ficou o que se dança. Os passos pequenos de pés crianças, embalando o sonho. Ficou o dançar solitário, os olhos de Belilove em meu corpo de menina, que aprendia a pôr no corpo, em todo ele, o coração. O baú de fantasias coloridas, numa casa enorme, frente ao mar, onde às sextas-feiras, esta aqui podia ser tudo o que cabia em seus sonhos e em seus passos...  Ficou também o desencanto mais tarde. Um vazio que não sumia com nada e o corpo que se paralisou pelas vozes dos outros.

Mas esta não cabe numa caixa e tudo está aqui, circulando ainda e ainda e encore e encore, en corps, en corps... Quando a França faz sentido e correr solitária pelas madrugadas do deuxième arrondissement parece ser mais um acontecimento do corpo, encore. Quando o silêncio se fez e me disse que seria melhor se não olhasse a verdade. Que os olhos no espelho não tem fundo, não tem fim, não se sabem... Encore...

A água, o tempo, a sutileza, a delicadeza, o furacão, o corpo, a água, o tempo, a delicadeza, a sutileza, o silêncio, o vazio, o furacão, a calmaria, o choro, o mar, a água, a delicadeza, o corpo. São as letras que mais me encantam, me emovem, movem-(m)e, fazem-me dançar.

dimanche 5 mai 2013

Lições de um amor perdido

Coração,

Você me contou histórias
de barcos e navegadores,

Você me tirou para dançar
no quiosque,
me disse que eu era
a mais linda
e que seus filhos sairiam
de minha barriga.

Coração,
como é mesmo o nome daquele
pintor?
Você me mostrou
o vaso de Duchamp
e o azul de Klein.
Abriu a porta para mim
e abriu para você
o meu
coração.

Agora você se foi,
coração.
E ainda me pego
fazendo planos.

Mas quando respiro
um pouco mais fundo,
Percebo que conheceria mais

e outros mundos sem você,
e que à parte
esse buraco negro de decepção,
um baú cheio de lembranças
e uma caixa preta fechada,
tudo que você me deixou
foi sua ausência.

Respiro outra vez
e percebo que se
não tivesse você
aberto meu coração,
nem uma vez,
por nem um instante,
ele seria seu
e eu não haveria
desperdiçado
tantos sonhos
em vão.

Assim,
docemente te digo:
- Vá e não volte
mais, coração.

mercredi 1 mai 2013

Em algum lugar perdido de 2008

"Ele todo é samba.
Em compassos marcados de sorriso e prosa.
Escorregando entre notas,
entre as curvas
de escalas espaçosas.

Ele todo em ritmo.
Um maracatu de um homem só,
só e se basta de tanta música
que exala
em encontros desmarcados
andando no contra-tempo
solfejando os rumos de nós.

Ele todo o groove,
o balanço do corpo
em passos distraídos

Leve que nem bossa
dia de domingo,
Intenso como um soul
Ele todo reservatório de música...

E eu me pego dançando."