mardi 24 septembre 2013

Me abriga

Queria que  fosses uma rede,
Despojaria então meu peso
Sobre teu tecido
E teria teu balançar
A Ninar meu sono...

Os sonhos viriam frescos
Como as frutas de tua terra
Acompanhados de música
Doce como as de teus dedos.

Sê rede... e eu me entrego
sonolenta e cansada a ti...

lundi 23 septembre 2013

Amanheceu

Não há inspiração nas manhãs de segunda-feira.
Há preguiça, dúvida, saudade, resto de sonho, calor, preguiça, saudade, dúvida, fuga, vontade, saudade, preguiça...
Onde está o amor nas segundas-feiras?

Rir

Gargalhar
é lembrar
que viver
é só estar
Presente
e rir
de si
dele
do mundo.

Gargalho e sou viva.


Vi

 Um corpo que se arrebenta e mil flores sobre o túmulo de vidro. Quem ela ama?

Tempos de guerra e amor.

Seguro sua mão...
E solto.
Olho você...
E esquivo.
Abraço você...
E te largo.

Ando em guerra
por dentro,
As trincheiras
já gastas,
Revelam
a traição:
querer passar
oculta
para o outro
lado
é um desejo
incessante.

Toco você...
E desvio.
Amo você...
E te deixo.


"Você vai ver o que você quer ver"

Tantas mulheres
Me contaram histórias
Com seus versos
Seus gestos
Às vezes,
Com só um olhar.

Revisitei hoje
todas elas.
Pelo corpo
E voz
De uma outra
Que veio também
me ensinar.

Em gratidão
deixei
espalhadas
sobre o chão
onde pisava
gotas transparentes
de amor e saudade.

dimanche 15 septembre 2013

Reconhecimento IV

Aviões de papel
Bilhetes escondidos
A rua dançando
na madrugada
garoa testemunha
de nós.

Símbolos de guerra
regados
em doce graviola-cajá

Descanso em ti
sou menina
caretas
chistes
sou
.
.
.
Me olhas
te penso
e te reconheço
querido
quase amor

vendredi 13 septembre 2013

Reconhecimento III

A ovelha negra,
a mais perdita.

Eu.

Reconhecimento II

A de voz mansa,
pueril,
que guarda um diabo
-quase doce-
por dentro:

Eu

Reconhecimento

Aquela que repara a barriga
e o olhar perdido
de alguns pássaros.

Sou eu.

ausentar-se, apresentar-se

O presente me revela:
ausência e  presença;
contraditória moeda
de dois...
tantos...
lados.

Me ausento
pois ainda há
espaços vazios
e partes mal encaixadas
de mim
em mim.

Quando sou presença,
estou inteira,
consigo costurar
quase todos os fios
meus.

Quase sempre
é o presente que
me traz,
me faz
presença.

Quando sou ausência
são eles
os devaneios
quase sempre
do passado
que me dispersam
em meu corpo...

E este,
ainda que invólucro
constituído de tecido único:
pele,
Não dá conta
de me fazer presente...
e me distraio novamente.

Caixa preta

A caixa foi a única
sobrevivente
do amor que
aqui houve

Preta,
abarrotada
de besteiras

Se a tivesse
descoberto antes
saberia antes.

Todas as bobagens
que ali estão,
- E ressalvo disto
apenas Alberto Caeiro-
Hoje quando reveladas
Se mostraram presságios
envelhecidos...

Do fracasso que

seria

era,

foi

nós

dois.


Jetlag

Aeroportos para mim
Tornaram-se a lembrança
De seus olhos apaixonados

À espera pelo amor
distante

Passo pelos aviões
Suas portas abertas
E não há mais nada.

Como você pôde
ter morrido tão brutalmente
Sem rastro
Afago
Afeto

Os aeroportos
Andam vazios
De amor.

E eu já não entendo
Nem acredito
Em nada que
Trate deste assunto.

lundi 9 septembre 2013

Morar na Urca

Passarinhos cantam
em nossa janela
enquanto o café
perfuma a mesa
na varanda

Te espero
ouvindo uma música
e rodopiando
passos de dança

O sol ainda
amarelo claro
nos observa
começar o dia

Mais uns instantes
e chegam teu riso
e tua matutina
poesia

Tudo aqui
é tão doce
quente e calmo
como o o amor
que eu queria.

Rio de Janeiro

Imensa solidão de verão
com enormes possibilidades
de amor e promessas.

jeudi 5 septembre 2013

Eixo

Escorrego
minha língua
sobre
a sua.

A sua lambe
a minha pele
(já não mais)
arredia.

Deixo os lábios
aqui para
sua mordida.

Mordo
os seus,
Saboreio
você,
Desarmo
você.

Está feito.

Cadenciamos
o transe
de minha boca
(minha pele, minha carne, minha...)
na sua
e da sua
na minha.




mardi 3 septembre 2013

a tarde e suas cores

Pássaros cantam em agonia,
o céu cai de azul turquesa 
à um azul-alaranjado-rosa-magenta

Em minhas costas
os grãos de beleza reconhecem
os olhos que os vêem,
seu timbre e
o peso de seu corpo 
sobre as estrelas deste céu.

A noite vem, 
ternamente 
cegando tudo 
silenciando e
acalmando os vulcões

[ainda que o sangue esteja lá.
Vivo e vermelho.]

lundi 2 septembre 2013

Sobre a guerra

Fracasso e derrota
são os nomes
desta segunda-feira,
Desta casa,
Dessas pernas
E da ausência dele.

Fracasso e derrota
Ressoando nos ouvidos
Nos olhos e
em meus pés moles.

Fracasso e derrota
São os nomes
das últimas segundas-feiras
Deste ano.
O não reconhecimento do corpo é ordinário nas ruas onde ando.

Breve diálogo com o estrangeiro

- Ainda não entendo
- O que não entende?
- Como conseguiu...
- Mas o que de tão extraordinário?
- Se vens de tão longe...
-Sim, minhas estradas são outras.
-Não entendo como pôde ser tão fácil pra ti
-Tenho lá minha sapiência.
- As portas estavam fechadas e tudo já tão enferrujado...
- Mas não se trata de força, de fato...
- Suas mãos de fora conseguiram abrir essas portas de ferro, que há tanto guardavam esses  \cantos inabitados de mim. Chega você, estrangeiro, e me revela esses lugares, abrindo as portas e me deixando cara a cara com esse pedaço estranho de mim.

- Não vejo para que tanto, eu sou apenas um homem só procurando abrigo e suas portas fechadas me pareceram esconderijo perfeito.