mercredi 25 août 2010

Jardim de flores.

Criei um jardim de flores e plantei nele as flores mais belas, reguei todos os dias esse jardim, até as flores ficarem mais bonitas, vistosas, mais brilhosas com o sol. Prestei atenção meticulasamente em como umas preferiam a sombra, outras gostavam mais do calor, outras exigiam muita água e outras nem sentiam falta.

Vi cada flor crescer e se tornar especial, com cores diferentes e folhas exóticas, fui transformando meus dias de acordo com as histórias das flores. Quando via algo estranho, alguma manchinha de inseto, ou uma pétala mais murcha, tentava compensar com mais carinho, passava horas pensando em como o jardim podia ficar mais bonito...

Meus dias foram começando a se configurar pelas histórias que as flores plantavam em mim e eu me perguntando, me transformando também pela beleza delas, me via contemplando-as e pedindo ao que quer que fosse, que nunca me tirassem esse jardim, pois desde que ele chegou ali, me mantinha mais viva com suas cores, seus cheiros ...

Tirei muitas fotos das flores, as guardei em albuns, em murais, em memórias, queria ter pra sempre a lembrança delas em seu formato mais pleno, mais forte, mais belo. Volta e meia lembrava de como havia sido o início, como elas eram botõezinhos tímidos, desengonçados, ainda tão verdinhos, e aos poucos foram virando Rosas, Camélias, Margaridas, Orquídeas, Violetas, Girassóis tão lindos...

Cheguei a filmar as flores, havia reparado que às 5:10 da tarde quando o sol se repousava oblíquamente sobre elas com seu amarelo, lhes dava uma cor tão especial que era como se eu pudesse ver sob aquela luz tudo que cada uma tinha vivido até então.

Depois de um tempo, fui sendo tomada por um medo horrível de que as flores murchassem, de que a terra secasse, ou de que meus cuidados não fossem suficientes. Comecei a temer perder as minhas flores, vê-las se transformar em plantas enrugadas, que não brilhassem mais com o pôr-do-sol ou com as histórias que eu lhes contava...

Fi então que comecei a perceber que o jardim existia além de mim, que ainda que eu tivesse todo cuidado com elas, vinha um vento forte, um dia seco, a água que não era suficiente ... Notei que elas continuavam lindas também em minha ausência, e que sabiam voltar-se para o sol se precisavam de luz o ir mais fundo na terra se buscavam água...

Vi que, além de mim, haviam muitos pássaros por ali que as vinham visitar, até cortejar, e que eles espalhavam seus pólens por todo o lugar, depois de mais um tempo, os tantos cuidados além tudo pelo que passavam ajudaram a fazer-las fortes e permitiu que elas mesmas descobrissem suas formas de"acontecer" no mundo, com os pássaros, com as formigas que carregavam para longe as folhas antigas e as pétalas que caíam, com as árvores de quem aproveitavam as sombras, com o Sol, de quem tomavam a luz, até com o vento que levava embora os insetos insistentes, com a água da chuva que caía doce sobre elas, as deixando ainda mais vivas...

Aos poucos, comecei a frequentar menos meu jardim, notando que, para além de mim, elas eram lindas as minhas flores, e que cada uma a sua maneira, continuava ali, forte e viva, ainda sem meus cuidados, percebi que cada uma cultivava agora novos brotos ao redor, que em breve virariam lindas flores também, e que cresceriam todas e se renovariam e seriam as mesmas e tão diferentes com o tempo...

Depois de observar cuidadosamente como elas estavam lindas e independentes, vi que era hora de deixar o jardim, jamais abandoná-lo, mas deixar que vivessem livres e lindas as minhas flores, cada uma com sei jeito de levar a vida e transformar sua beleza, deixá-las tranquilas com as forças da natureza, que elas mesmas sabiam muito bem o que fazer e como melhor lidar...

Deixar para fazer-las florescer ainda mais, com mais brilho e intensidade, mais destreza e força. Levá-las comigo em coração, em todas as memórias, em todos os filmes e fotos apenas; levá-las comigo, para agora, eu mesma descobrir como viver longe do meu jardim, carregar cada perfume em meus póros e sair pelo mundo desvendando seus mistérios. Senti-las viver e florir ainda que de longe e ter certeza de que tudo está bem, aprender com elas como ter força, intensidade e destreza para procurar o que se precisa, o que se faz bem e ainda levar a beleza incomparável de ser única.

Soltar o meu jardim e ir para longe, livre e levando tudo o que meu jardim criou em mim, notando que enquanto eu acreditava dar todo o cuidado e carinho, recebia de volta ainda mais, recebia ainda tudo aquilo que agora me despertara, me impulsionava a ir, a viver, para florescer e para voltar ainda mais flor e ainda mais forte, como as minhas flores, as flores que ficam nessa imensidão de jardim e que vão comigo de corpo e alma e perfumes e cores e delicadezas e espinhos e beleza e tanto mais ...

mardi 17 août 2010

Demorei de ir por suspeitar que não iria mais voltar.

Agradeço por saber e sentir forte o chão de barro de onde eu vim
e o cheiro de mar.

"Dia dos Pais" OU "Criança de mim" OU "De quando eu subia em seus ombros" OU "Poxa, como eu te amo".

Para alguém como você,

Eu não poderia só um bilhete escrever,

Pois sei que nem uma carta pode conter,

A felicidade que é ter um pai como você.

Que me ensinou a andar, e desde então,

esteve sempre por perto para a minha mão segurar,

Até quando meus passos não eram os que você queria ver,

Nunca deixou de sua mão me estender.

E sempre que a sopa foi ruim de tomar,

Você tinha um chocolate para me dar.

Foi você quem me ensinou a mergulhar e

Não desistir de alcançar a areia no fundo do mar.

E eu sempre soube que poderia ir até lá,

Pois com você por perto nenhum perigo ia me tocar.

E em seus ombros tantas vezes eu passeei

E tantas gargalhadas dei,

e na piscina grande ou de plástico brinquei.

Sempre com a câmera a postos e mesmo sem estar,

Você sempre filmou tudo,

Soube de tudo, entendeu tudo só com o olhar.

Até mesmo meu jeito engraçado (desengonçado) de lambada dançar,

E assim fui aprendendo integridade e amor,

E matemática, com (pouca) paciência também,

Mas sempre com o cuidado e a alegria que me fazem tão bem.

Aprendi que às vezes o coração é frágil,

Mas que ele se engrandece com zelo e cuidado.

E qualquer batimento errado,

quando se tem uma família por perto

Pode ser curável.

São tantos os anos, as lembranças e as presenças,

Que nenhuma carta suficiente iria ser,

Pra eu poder descrever o tamanho de meu amor por você,

E à Deus eu tenho muito que agradecer

por estar mais esse dia com você,

Lembrando sempre de aproveitar cada instante e cada lugar,

Em que um abraço eu possa te dar,

E pedir que esse amor, (respeito, atenção, cuidado e carinho...)

Possam sempre me guiar.

Te amo, pai.