dimanche 11 mai 2014

A luminária vermelha

A luminária vermelha
era contornada por vidro
seu interior ficava então
transparente

Eles formavam um hexágono
que protegia a luz da luminária
e lhe garantia alumiar

A luminária vermelha
ocupou a estante da cômoda branca
desde o dia que ganhou vida

Mas no fundo e até hoje
a luminária vermelha
carrega em si
a varanda
onde nunca habitou


Ainda do vento

Queria que parasses
de gritar aos meus ouvidos
os berros do que já me causa horror

Queria só que me acarinhasses a face
enxugasses o corpo
fosses morno nos dias de frio
e fresco nos de calor.

Vento forte causa de morte

A cadeira agora vazia
Está repleta de ausência

A ventania que corre nas ruas
De minha cidade esses dias
É do mesmo cinza
chumbo manchado do silêncio
Da perda, da morte
Aterradora, imperiosa, tirânica.

A janela batia forte
Empurrada e puxada pela força
Dos ventos
eu dormia sem saber
Que levaria almas
Em seu furacão
Mas esse é o sempre

Ficam: a cadeira,
a voz doce da moça
 (e que voz sua irmã teria?)
Os olhos tristes do cão
o desconsolo da mãe
A dor da impossibilidade
Da ultima vez


jeudi 8 mai 2014

Sol é mudo

Era perto das cinco
quando o sol descia calmo
por detrás dos montes
da mata onde
íamos para respirar

Era quase cinco e quinze
e nossos corpos deitavam
sobre a pedra
colchão ingrato
esperando dia e noite se abraçcar

O acalento das águas
em meus ouvidos
me levavam embora
ninada que eu ia por ela
e o vento minha coberta
me amolecia sobre a pedra

Ali adiante
você deitava
seu corpo solidão
se esparramando
sobre a saudade...
lembrança...
minha presença...?
quem saberá...

Era quase cinco e quarenta
quando de um sono leve
você despertava
E de lá longe se aproximava
encostando devagar
 a mão esquerda sua
sobre a direita minha

Pouco antes,
cinco e meia talvez
eu já havia percorrido
castelos e jardins
já tinha visto o dia morrer
e nascer em mim,
já tinha sido assustada por um leão
que se tornara amigo
e por ele tinha sido levada
até a beira da queda...

Mas agora,
que você chegava,
eu tinha só os olhos cerrados
e todos os poros abertos
para sentir inteira
sua presença quente
encostar na minha

Víamos dali o sol se despedir
em silêncio,
com as mãos em concha
e com segredos
jamais revelados.
Éramos juntos
no escuro das horas
na quietude do toque...

e o dia virou noite.

jeudi 1 mai 2014

Íris & pupila

Os olhos meus
que de te desviam

De longe, te perguntam:
- Então, como foi o dia?
Imaginam respostas ...

Criam histórias,
percebem o cansaço,
alguma  tristeza,
o intento de um abstrato
abraço

Reconhecem a calça antiga,
dos tempos de outrora,
criam cenas de um encontro...
e suspiram
o desalento
e a saudade

Em seguidao,
eles cabisbaixam,
respiram fundo
e seguem