mardi 29 mars 2016

às 9h20 eu saio

Choveu
E já nao tenho assunto
O dia está quente
Eu  ausente

Cuidado e amor
São pílulas inventadas
Para curar nossa indiferença

Nao devo satisfações
Ainda assim, acordo cedo
nos dias de folga

Um lugar longe e frio
Nao sossega o coração vazio
Um saco cheio de vento

De volta à eterna curva de si
A mesma velha repetição
E nem há mais afago nos braços do outro


Ainda chove e continua calor.
Tudo tao quieto
Tao mudo
Tudo tao silêncio
Tao calado
Tao assim...
Surdo?

mardi 1 mars 2016

Arara era o bicho de hoje
Vermelha e comprida
ela me dizia algo
que nao consigo desvendar

A arara vermelha gigante
tinha segredos no bico
e eu ignorância nos ouvidos

E bastará

Te vi tao lindo
Eras menino do coração sagrado
De áurea azul clara e chão

Foi difícil crer
Que serias gelo cortante
ou incandescente furor

Quis te ter como canção em exílio
Como quem sente as últimas horas
De sol em beira mar

Como quem acredita que há
um lugar seu, seguro,
no peito outro para repousar.

Mas foste ardor, devastação
foste triste lembrança
De querer solidão

Foste a tempestade que vivia em mim
a tormenta escondida, proibida,
domesticada e de portas fechadas
que não devia mais entrar

E eu quero-te de novo áurea azul
cintilante raiar, de descanso de nossas almas
Quero-te carinho nas costas, no peito
Gozo explícito inteiro
Quero-te como quem sonha que pode voar.

Que seja amor, só amor
e bastará.