mercredi 29 février 2012

infinito

Despertou para a doçura,
a beleza repousa em qualquer esquina
deitando suas mãos delicadas sobre o vento.

Há algum tempo, essa felicidade efêmera
sonda os espaços que ocupo
Percebo aqui um corpo cheio de si
solto no mundo,
guiado por uma música eterna e anônima.

Solta-se livre,
gargalhadas ao vento.
E ele vai despindo,
arrepiando a espinha,
acordando tudo
todo
o corpo.

Sou tão viva,
vida minha.

Existir às vezes faz sentido.

lundi 6 février 2012

O tempo é um imperativo.
O tempo é imperativo.
O tempo é o imperativo.

Até onde vai o pertencimento

À cada vez que te deixo,
é um pedaço de mim fica aí,
com você,
desse outro lado de um oceano que é tão imenso.

À cada vez que parto,
endureço mais um pouco,
de tanto calejar
essa minha carapaça escorregadia
e perdida no tempo.

Ainda que endurecida e dividida,
algo amolece e se desfaz em líquido.
Durante dias,
quando volto para esse cinza,
qualquer palavra mais amarga
me faz desmontar.

Entre o momento que chego
e as 48 horas que o seguem,
ainda sob efeito de um "jet lag" mal colado,
em um fuso horário
que nunca se acostuma ao velho,
sou toda olhos marejados,
cortando o vento dessas ruas frias.

E o vento seca quase tudo:
boca... pés... mãos ...
em pequenas rachaduras pelo corpo
reconheço a falta de toque.
À cada vez que piso aqui
sou mais do outro lado.

Ao olhar nos olhos dessa gente estranha,
essa disciplina tão recalcadamente ofensiva,
sou sempre mais aquele calor
e o sangue que corre quente.

Fecho os olhos.

Do lado esquerdo ele não para,
pulsa grave e quente,
como o som de onde venho.

Minha pele endurecida
não cansa de me repetir:
não sou daqui.

[De olhos fechados,
me calo de medo.

A memória é fraca,
o tempo é imperativo.

O entre é um lugar que não existe.
Não deixar o tempo ofuscar
as lembranças e a identidade
é um exercício diário.
Hoje faz 506 dias que te deixei.]