mardi 17 juillet 2007




"Ela dói em mim até hoje"

O que a outra pensou foi:

- Beleza aquela que expressa qualquer tipo de sofrimento.

Era a imagem da moça que desencadeava este pensamento.

- São ombros firmes e olhos que vem de longe, olhos cujo brilho vem um pouco mais do fundo, têm uma cor exótica que mistura dor à vida, coragem à ausência. Ela fixa olhares e seus movimentos são sensatos, exatos, deslizam por outros cantos, explodem em sintonias finas de incômodo, leve desconserto no mundo e o pedido por menos, menos falta, menos peso.

Quadris seguros, cintura definida, mãos finas e pés pequenos e ríspidos, já tão acostumados a esse chão quente, chão que adormece desejos. Pisa inteira e só. Mede esforços para não perder a força e ela é toda essa força doída, que toca objetos com propriedade e, por vezes, consentimento. Ela exibe em todos os traços cada feixe de luz que a queima...a cada olhar solto, a cada movimento... aquela beleza sofrida que poucas mulheres conseguem ter.

Parou de pensar neste instante. Não conseguia mais falar sobre ela, não conseguia esboçar qualquer sílaba a mais que pudesse descrevê-la, ficou muda diante da imagem da moça, que poderia nem sequer ser real. Desde o último ponto descrito, só sabia senti-la.


(To be continued?)