lundi 24 juillet 2006

Da manifestação dos desejos.


#1, início de Férias.

Conheço esse lugar, ela pensou. Realmente lhe era muito familiar, convivera com aquelas paredes, os muros, aquele cheiro de coisa velha durante muitos anos... Longos 11 anos... ela lembrava bem. Era curioso amanhancer ali numa noite qualquer, quando no dia anterior não tivera nenhum acontecimento marcante que remetesse àquela cena, mas como muitas coisas não se explicam, ela estava lá...

Pareceia uma amnhã bonita, não havia rostos em todo o espaço, haviam alguns carro, mas todos desabitados... Ninguém que fazia parte do cenário. Ela esta no estacionamento, na ala dos professores, usava uma calça jeans e uma blusa branca, uma mochila nas costas. Quando a história se iniciou, a cena era essa. Ela, de roupa comum, uma mochila e alguém. Uma pessoa sem rosto que apenas se despedia e falava algo não relevante, andando para longe em seguida.

Sozinha então, ela abria a mochila e tirava um lenço de cabelo, vermelho rubi (ou vermelho sangue?). De alguma forma parecia que a pessoa que se despedira falava algo sobre o lenço...
Ela tinha o cabelo solto e após retirar o lenço da mochila, o amarrou na cabeça, ficava como uma passadeira, e lembrava muito aquelas tiaras de personagens como a branca de neve e outros conhecidos...

De repente, ao dar o nó no lenço, sua roupa toda mudara!!!! Ela agora usava um vestido, vermelho como o lenço, todo rodado, num estilo retrógrado que remetia à decada de cinquenta. Ela estava feliz! E começara a correr e a pular pelo estacionamento, indo parar na frente da igreja velha de sempre... Mas algo incrível acontecia... Toda vez que ela pulava ia muito alto, muito mais alto do que um simples pulo aguentaria!!! Ela mesma tinha medo! E seu vestido abria-se em uma circunferência vermelho sangue, vermelho vida! E tudo que via lá de cima era seu vestido vermelho sobre o passado. Sobre a paisagem do colégio antigo, desabitado de rostos conhecidos... E pulava cada vez mais alto e a sensação de pouso no chão era tão gostosa e assustadora como estar lá em cima...Era voar?!?!

E assim continou... Não contava os pulos só sentia o frio na barriga... Era muito bom... Em instantes surgiram mais dois para a acompanhar!!! A Bailarina e o Palhaço! Eles também vestiam vermelho e pulavam como se voassem... Justificaram a aparição por fazer divulgação de algum espetáculo e pulavam para isso, era uma dança no ar...

O Palhaço, a Bailarina e ela... Ela sem definição... Só acontecera de parar ali, no lugar tão conhecido das memórias boas e sua roupa mudara de cor e adiquirira o encanto de pular como se voasse... Era uma sensação inexplicável e isso bastava...

mardi 11 juillet 2006

Automática - Quase catatonia
Do vestido rosa, comprido em flor, deixou o resto, o rosto e o ponto. Um abraço quem sabe, um soluço não cabe em seu céu cor de nú. O fôlego preso e um anel folgado nas mãos do sonho, dormindo em pesadelos do doce desejo de não ser. E quem se vê? No vão do chão onde é o fim e começa de baixo o que não é querer. Nas palavras soltas me desenvolvo em noite escura de vento cantando alto e o automático do coração volta ao vestido no resto. Liga e diz a verdade sobre o que não se sabe, não se prevê. Um tiro no escuro ou no claro,tanto faz quando não se tem alvo, as linhas tortas do mundo, o suspiro profundo, da rima sem dó, nem sentido, nem sol, nem fá sustenido e um jogo de erros e acertos se desfaz e refaz.
Voltando sempre ao início quando a partida acaba.

mercredi 5 juillet 2006

Não dá pra ter rascunho, sabe?

Era puro. Via de fora e sabia que era puro. Fez parte da minha imaginação pré-adolescente, fez parte das minhas imagens de colégio, depois de um tempo passou a fazer mais parte dos meus dias e fez então, parte da minha vida.

Era assim, simples: ele nasceu pra ela e ela nasceu pra ele. Não havia ordem ou caos no mundo que provasse o contrário. Eram como irmãos, as duas peles, os olhos, os cabelos, a música... Era música! Música em todas as sutilezas que eles emanavam quando passavam, era como se todos fossem embalados por uma música que não se ouvia, mas estava ali, clara a todos.

E eram calças largas, rasgadas, sorrisos, mãos dadas, papéis em branco que viravam poesia... Da onde vinha aquilo tudo? Então essa coisa de amor, existe mesmo? O que se via era claro, óbvio e lindo. Não precisava de nada mais e as respostas eram simples. Com olhos de criança, era fácil acreditar em tudo, inocência, sim! porque não? É o que falta, o que se reclama, então que se faça uso... Quando há uma manifestação clara de amor, sem a mínima pretenção de o ser... e inocentemente se faz! Daqui para lá a vontade, a admiração, a curiosidade. De lá para cá, nada que se saiba, mas uma energia, uma força boa vinda de algum lugar sem endereço.

Foram anos, geografia era matéria boba, como ir e vir pode ser trivial. De longe aprendizados, histórias, pizzas e risos... puro... É a palavra que continua a ressoar...

Um 3º me disse:" Há três tempos. O que foi, o que é e o que será". Mas agora, enquanto falo, tudo já não virou passado? Então o que temos? O que foi e o que será? Ou menos que isso?

O que é então?! Agora, neste exato momento? O que é?...

É muito rápido, se desfaz que nem gelo, não dá pra ter rascunho, sabe?