mardi 19 janvier 2010

Caiu em agonia,
constatando mais uma vez
que é assim.

lundi 11 janvier 2010

Instantes

De repente me deparei com o agora.
O momento exato em que tudo acontece.
Um clarão forte com cheiro de manhã,
sendo também madrugada.

Quando a mão tocou,
O olhar parou,
O coração gelou
As pernas tremeram
Cederam,
Correram.

O cruzar do outro,
O gosto que chega na língua,
E não se desfaz em verbo.

As bolas de sabão caindo do céu,
Meu doce mar de saudade,
Um algo que desponta dentro,
Mas não cabe em metro quadrado.

O instante do ato,
Que nem precisa ser de fato
Momento vivido,
Sendo talvez inventado
Mas vindo desse contato
Do mundo se imprimindo em mim.

Como forte ou fraco
Com contornos espessos e bem marcados,
Quando exploro o fundo
E me dou a sentir
Esse espasmo sem o quê, nem caso,
Que me espalha em
Traços,
Figuras,
Passos
Dando formato
A essa multidão que há em mim.

dimanche 10 janvier 2010

Eu sou virgem, ela é leão.

Foram anos de descoberta,
de criar e recriar teorias que circunscreviam o mundo,
imaginar sons,
ser derrubadas pelo mar,
dar as gargalhadas mais demoradas,
ver o filme que mais faz chorar,
se convencer a cometer erros,
se abraçar nos desalentos,
ter tantas paixões.

Tomar banho de água gelada,
descobrir aos poucos
e juntas
quem era quem.

Isso é de Fernanda,
isso é de Gabriela.

O tempo é magnânimo e cruel,
mas sábio também.
Algumas coisas precisam acontecer
para o mundo sacudir
e não esquecermos
aquilo que descobrimos quando éramos jovens.

samedi 9 janvier 2010

sensação

É botar na boca e sentir arrepiar o corpo.
é sentir cheiro e reviver história.
É olhar vivo e faltar saliva,
É ter medo e perder o equilíbrio das pernas,
É ...

Do desejo que escapole

Desejo é aquilo que desliza,
e que voltamos sem mais,
esquecemos também,
mas sabemos demais.

Desejo,
penso fundo,
entrego inteiro,
percorro tempos
buscando encontrar o meu.

Aquele que consagra milagres
e paixões,
costura o real em chão de taco.

mercredi 6 janvier 2010

O sopro e o arrepio

Desejei aquelas mãos
enquanto outras tocavam a pele,

senti aquela palma áspera e forte
passeando sobre meu dorso,
assim como senti seu cheiro
nos ombros,

cheguei a travar as sílabas entre os dentes,
pois, de certo,
desembocariam num corpo
que não era seu.

Aquela outra presença ia me enchendo
de você pelos póros e,
já embebida em sua ausência,
tudo o que queria saber
era o por quê de ali não ser você.