samedi 25 février 2017

Sonho

Uma cidade com chãos de pedra
Meus pés que deslizavam sobre elas
Meus pés que levavam meu corpo
Incerto mas firme
Em velocidade pelo chão
Que de casas pequenas do interior
Iam se transformando em mata
Agora eu deslizava muito rápido
Pelas pedras entre a mata
Muitas águas frente a mim
Ao meu redor
Eu em velocidade na mata
Diante das águas

De tão veloz
O medo me acelerava a alma
E de súbito parei
Me vi sentada
Águas pesadas reluzentes
Em minha frente

Lá adiante,
Cavalos
Cavalos soltos ao longe na mata

Quero me levantar
Ao que percebo
estar com o dorso apoiado
Num corpo quente de bicho

Sobre o ventre do cavalo
Que deitado me aninhava
Eu parei

De tão veloz
Parei no ventre e não no lombo
Do cavalo

Agora o medo de sair dali me tomava
Porque estava tudo maravilhosamente
Bem
Mas eu precisava ir
E se o bicho não gostasse e me machucasse

Penso comigo que nada de mal vai acontecer
E que tudo posso resolver
Resisto e insisto que só pode ser um sonho
E é.

Desperto

 Sinto ainda a respiração ofegante dele
O barulho das águas
O cheiro da mata em mim.
O cheiro das águas o barulho da mata nossa respiração de bicho


jeudi 16 février 2017

Carta para minha mãe

Mae,
Há tempos te devo uma carta.
Uma declaração em palavras que demora a vir.
Eu nasci de sua barriga,
e não consigo te escrever.

Hoje eu dancei pra você
Ainda que você não estivesse lá
Percebi ali
Que não é preciso te dizer

Você está inscrita em mim
No sorriso
Nas ancas
Nas pernas

As palavras estão ali
Em corpo
Quando te busco das águas
E te trago no colo.

Mãe minha que me carregou
Agora sou eu quem te carrega
Te tenho no corpo
Te alimento
Te dou amor

lundi 6 février 2017

Ignorância 2

Quero te comprar uma roupa bonita
Que caiba meu abraço

Quero te dar um presente
Que te sirva
A respeitar e a compreender
Os corações valentes

Um pingente, quem sabe
que te mostre a verdade
Que no fundo, irmão
Somos tão pequenos
como o caroço de feijão

Que nada sabemos
e nem somos maior que ninguém
E que todo presente que damos e temos
É por querer nos fazer bem.

ignorância

Saber pouco da vida
Nao planejar o futuro
Respirar sempre fundo
Olhar no oco e enxergar o mundo
De mim
Dele
de você
De nós todos

Só aprendi mesmo a amar
Embora, as vezes torto,
Diante de meus olhos bobos
Esta é a única condição que há.