lundi 9 février 2009

Não sabia explicar.
Só sabia que aquilo era amor.

mercredi 4 février 2009

Existem gotas de vida em qualquer parte do mundo.

Um vendedor de colares foi em direção a duas meninas na praia,
Ele baiano, elas também.

Ele ritmo suave, tranquilidade,
barganha sem pressa,
simpatia na voz,
sorriso devagar,

Elas desconfiadas, apressadas,
não carregavam sentido na fala,
duas cabeças em outros lugares,
perdiam o tempo (sempre) sem perceber
e não perdiam tempo com a vida.

Ele na mansidão mostrou um, dois, três cores...

Não sei as cores dos orixás,
mas esse aqui tá bonito.
Já fui em mãe de santo,
mas não sou assim de candomblé não.
Eu fico sempre por aqui, faço uns trabalhos.

Esses daqui eu fiz alguns, tem uns que vem pronto também,
Esse aí ficou lindo em você.
Eu gosto de fazer amizade, sabe?
Tem gente aí que explora,
vê que o pessoal é de fora...
mas eu não, eu gosto da conversa.
Gosto de parar aqui e trocar uma ideia com vocês.


Mais cumprido? São todos do mesmo tamanho.
É que as vezes fica um pouquinho maior que o outro,
mas é tudo igualzinho.

Sou daqui mesmo,
todo mundo me chama de Timba.
É porque no Carnaval eu pinto a galera de timbalada.
quando vocês passarem e me virem,
pode falar "e aí, Timba", eu vou lembrar de vocês: "ah, as duas meninas da praia."
Todo mundo aqui fala comigo, eu gosto.


Elas nem sabiam mais o que era mesmo,
ele vendia colares e elas não queriam comprar colares
Ele distribuía palavras tranquilas,
Tinha um gosto doce na voz,
Parava o mundo quando falava.

Elas levaram os colares,
levaram sorrisos,
levaram um pedaço de vida se fazendo.

A cor do santo não se sabe.
Cada uma ganhou uma fita e três pedidos.
Pedidos de coração, de ritmo manso,
de quem pinta as pessoas no Carnaval.

E uma sensação de que a vida se esconde nos parênteses.

mardi 3 février 2009

Mundo do desconheço.

(Essas são linhas de saudade.)

quando menina eu era multidão,
tinha uma relação estreita com o mar e tudo que vinha dele.
Era íntima das profundezas,
Vamos ver quem consegue trazer areia?
Acho que foram 6 metros, pai!
Entrou água, mas consegui tocar no chão.

Tudo era azul, meu pés iam mais rápido que a cabeça,
meu coração segurava a mim e ao mundo
e não hesitava no percurso.

Era tempo de cor forte, cor de céu em Salvador.
Em que o mundo era fluido e eu escorregava em seus braços,
nada pesava, era tudo sopro de vento manso,
abraço apertado de amor puro,
chuva de felicidade.

Vivi num tempo em que uma voz em mim que cantava sem precisar de autorização
e cantava em tom limpo e certeiro, sem técnica,
só de intenção.

Tudo era paz,
e se eu nadasse o máximo que pudesse
conseguiria todas as coisas,
meus amores só iriam morrer aos 400 anos,
meu pai ia ter o coração mais forte.
Meus pensamentos tinham a força de mudar o curso de todas as coisas.
De meu silêncio saíam todas as soluções para o mundo.


Quase tudo que pedi o universo me deu. Só esqueci de pedir para não perder essa força, a coragem e a inocência. E de repente elas se foram, sem aviso prévio.

Minhas certezas ficaram espalhadas pelas águas azuis de antes,
a fluidez se dissolveu no calor da terra.
Em vez de ser grande, ser inteira,
conheço pedaços que não me pertencem
e não sei aonde pertencer.

Sou de lugares que não me cabem,
não me respondem, não me olham nos olhos.
Estou por aqui e por ali, sem cessar,
em todos os cantos à procura do que se perdeu,
de um mundo que ficou no fundo do azul.

Hoje eu sou um pouco .
Sou metade, não reconheço um terço dos sentimentos que me habitavam.
Desconheço o mar, tenho medo de sua força, de seu azul, de sua profundeza.
E quem era gauche me soprou um dia e tinha razão: os medos crescem junto com a gente.


Não consigo mais tocar no fundo,
tenho medo de águas frias e escuras,
tenho medo de montanha russa,
tenho medo de cachorro grande,
tenho medo de andar só à noite,
tenho medo de solidão,
tenho medo de ter medo,
tenho medo de esquecer quem eu sou,
tenho medo de não ser,
tenho medo de não saber quem sou,
tenho medo de perder,
tenho medo de não ganhar,
tenho medo de acreditar,
tenho medo de amanhã...
Aos 23, meus medos são arranha-céus. E tenho medo que com o passar dos anos, eles ultrapassem o céu.