jeudi 30 octobre 2014

Retratos/Imagens contemporâneas

Imagem I 

Endireitou-se na cadeira pela quinta vez,
como se esta não lhe coubesse.
O incômodo que subia das nádegas
até o pescoço
revelava seu silêncio no corpo.
Não havia posição que lhe ajeitasse,
lhe acomodasse,
lhe aquietasse.

Imagem II 

A posição em contra luz,
permitia ver,
quase que em negra cor,
o branco da roupa
que se esforçava em ser vista branca
pelos olhos dos outros.

Mal sabia o velho
que para vestir branco,
é preciso ter,
além da vestimenta,
o coração quente,
os braços ternos e sobretudo,
amor.

(Anti) Imagem III

Dentro de si,
haviam frases desconectas
ou quase.

Dizeres fragmentados
ou quase.

Imagens soltas
ou  quase.

E tudo seguia em ciclos,
ou quase:
Não há palavra, se não há paixão,
não há gozo, se não há amor.

Não há palavra, não há paixão,
não há gozo, não haverá amor.

Selvageria e fome

O animal tem saliva escorrendo pela boca,
o líquido visgoso
escorrega vagarosamente
por entre os dentes,
desenhando sua boca sedenta
de bicho.

O olhar intacto,
impacto certo
fulminante

Olhos negros fuzilam
qualquer cheiro de sangue

Cheiro que é vida
Vibrando corpos
Vivificando na escuridão

A fúria  no suor,
na pele, no pulso
no coração arredio

Repele qualquer sopro
que o desvie da vontade
do núcleo
da fonte
da primazia do desejo

Todo o resto é uma lama preta.
os pés  fincados ao chão
não mechem nem uma gota, nem um passo
sua fúria contida no olhar, na saliva, no compasso.

Ele  frente a mim
Meu olhar se esgueira
dentro de si
procura refúgio no olho
de dentro da carne

Ele me fita e mede
Cheira ao longe
meu pescoço fino

Refletem-se em seus olhos
o pavor
a paralisia
o porvir distante
de minha inércia

Seu olhar me queima
sem encostar na pele
faz de mim fogueira
incêndio.

A saliva desce
vagarosamente queixo abaixo
va-ga-ro-sa-men-te
persegue o reflexo de seu corpo
no ar

para enfim sentir
a gota quente tombar
sobre os pés

E ali
Naquele instante  aturdido
Render-se irrompendo
na constatação:

O bicho sou eu.



dimanche 26 octobre 2014

Do desconhecido em si.

Me recolho ao silêncio desta noite
Onde a lua é nova
A estrada é nova
O coração antigo
Para buscar no doce
De tuas águas
A sabedoria que vive
sagradamente guardada
Em teus seios
Ancas
Em tua voz doce

Eu humilde me desnudo
Me entrego às tuas correntezas
Que se forem por bem
Serão calmas,
E se revoltas
Saberei da guerra e
Serenamente respeitarei
O que me é posto.

Recebo-te nesta noite
Em tuas gotas que escorrem de mim
Em teu silêncio
E guardo-te.
minha fortaleza
Minha sabedoria primeva
Meus seios,
Meu corpo de mulher.




dimanche 12 octobre 2014

Do eterno aprendizado

Poetizar: de virar poeta, 
fazer nascer o mundo, 
revirar as quinas m círculos, 
fazer labirintos, 
fazer palavra virar outra coisa, 
ainda que ela mesma.