mardi 21 avril 2015

Pouco antes
de nos deixar ,
Meu pai já tinha olhos de adeus

dimanche 19 avril 2015

Dois cantos de mundo

As marés que ainda sobem e descem
serão as mesmas águas de antes?
De quando
Entre a rede amarela e os olhos dela
as palavras do poeta se desdobravam
Lá fora a umidade salgada
e a dança das águas que nos assistiam

Hoje no grave da voz
na proximidade das almas
as palavras acordaram
depois de longas jornadas

Na notícia de uma outra janela
que abre os braços para as  mesmas águas
que quem sabe serão lar
para novos olhares
outra rede
nossas novas jornadas




mercredi 8 avril 2015

Uma despedida para Lady Macbeth.

Vesti pela última vez tuas mãos sangrentas,
provei do gosto doce do amor
que tinha  pelo homem

Evoquei pela última vez
a força que te moveu
e as feras que te alimentaram

De dentro do útero
livrei a espiral que era preciso
para fazer-te viver

Senti a correnteza se afastar
rubra...
E negra levando embora
a sanidade

Fui corpo para tua dança
ontem, pela última vez
voz
para tua loucura

Abandonei-me na morte
aos braços do amor apodrecido
do homem que te era também vida

Com os olhos cerrados
em silêncio e despedida
deixei o palco
e deixei a ti
pulverizada nas memórias infinitas
daquelas madeiras sagradas.

Levo-te agora no peito,
és uma das mulheres que me adornam
e que vivem ainda em mim
habitam a minha morada
e vez em quando despertam
dançam em nostalgia,
depois descansam
no pulsar do peito meu.

jeudi 2 avril 2015

Fauna

Que me perdoem as margaridas,
E até as minhas rosas queridas,
Mas nada é mais encantador
Que o mistério das orquídeas