mardi 20 octobre 2009

Do sumiço

Em decisão firme e pragmática, com pouco amor, como só poderia ser, ele decidiu não responder. Quis desaparecer porque achou não valer, "onde não há o que insistir melhor deixar morrer".

E assim desapareceu, deixou algumas pegadas no chão de areia que o vento fez questão de desmontar. Com ela ficou a vaga lembrança de suas botinas marrons, de quem anda pelo mundo grande, sem pressa e sem parar, como se procurasse seu lugar. Não achando, sai por aí tentando, provando abraços pra ver em qual vai se encaixar, por vezes dá uns passos em falso e desiste por desacreditar que repousaria ali um sossegar. Não se sabe se é preguiça ou intuição, ou mesmo seus pés que não grudam à nenhum chão.

À ela deixou o silêncio, o não-dizer que dizia muito, linhas em branco, caixa vazia, um pôr-do-sol cumprido e mais todos os outros em aberto.

4 commentaires:

Anonyme a dit…

ai, ai...
suspiro longo

Lua a dit…

lindo, lindo...

Emmanuel Mirdad a dit…

Impressionante como todo vôo traz a ânsia do pouso. Ah, o sossego...

Anonyme a dit…

Gosto do texto !!
O silencio é surpreendente o que seria a musica se não fosse o silencio