mercredi 27 novembre 2013

Solidão de manhã

A poesia escorregando por nossas mãos.
Ele a reencontrando,
Eu nem a reconhecendo.

Um silêncio, um silêncio profundo...
Os sonhos emudecidos aos meus ouvidos:
cabeças costuradas, beijos às escondidas,
amantes alheios, as mulheres dos outros
pretéritos perfeitos...

A solidão voraz em meus olhos
quase alcançam companhia em outro
mas não.
Desejo incontrolável
e tudo sempre sob controle.

No desconhecido que atravessa a rua,
a possibilidade de
mas não.
Por que?
é chegada a hora talvez
de ir-se outra vez?

dimanche 10 novembre 2013

Morte súbita

Os minutos finais de uma disputa
acirrada em que só um pode vencer,
é matar ou morrer.

meu ouvidos ouviram essas palavras
repetidas vezes
pela boca verde do estetoscópio
que salva vidas.

"Morte súbita"
minha boca esfriando
os dedos de minha mãe colados
aos meus
nosso silêncio diante do mistério
da graça do destino.

Lá longe você não ouviu
essas sílabas pretas
pontiagudas, metálicas
descendo qual espinhos
sob nossas guelas.

Nós te guardamos
De todo esse mal.
Meu coração, eu te dou
em amor, em saúde,
em respeito, em cuidado.

Aperto sua mão, olho seus olhos,
peço outra vez a todo o sagrado
que seu coração seja herói
e os nossos também,
que a disputa dure
por muitos e muitos anos
e que súbito seja apenas
todo e qualquer encanto
de vida.

Amém.