mardi 30 novembre 2010

Tempo do desencontro

Cheguei,
partiu.
Parti,
chegou.

Je suis arrivée,
Tu es parti,
Je suis partie,
Tu és arrivé.

lundi 29 novembre 2010

Da neve e eu ou do espírito infantil

Na minha meninice,
congelador no verão,
filme na televisão,
só podia ser assim,
E ouvia minha vó falar.

Depois, grande pequena,
Festa na montanha,
Coração quente,
Papai Noel disfarçado de motorista de taxi,
Aproveitava a folga de julho
Pra fazer felizes outras crianças.

Agora, nessa adulteza,
Entre bicos e rezas,
no frio que já é frio,
Vem ela branquinha e leve,
Despertar sorrisos e festas.

Flocos

Branco caindo miudinho do céu,
Ralador de gelo de Deus.

Da Janela, que tarda a clarear,
O escuro hoje amanheceu clarinho, clarinho.

Os galhos, tristes e secos, coitados,
Se levantaram acompanhados,
acolchoados na companhia branca macia,

Os carros calorentos,
despertaram fresquinhos,
geladeiras ambulantes
Carregando seus produtos congelados.

E eu, aqui, brigando com o sono,
Sem saber que lá fora já me esperava
branco o dia.

mercredi 10 novembre 2010

Nuit blanche

Quase quatro e tudo preto
em minha noite branca,
meus olhos vermelhos,
minha pele.

Quase cinco, sonho apressado,
acordo quente,
cangote molhado,
noite fria.

Quase seis, olhos fechados,
corpo aceso, cansado.

Quase sete, ainda hesito,
Labirinto de mim,
pra não sonhar, nem adormecer,
Vem minha pele me chamar, arder.

Quase oito, o preto no branco,
tímida, ela que foi branca,
vai se escondendo no cinza que começa.

Quase nove, desperta-dor,
tudo lá fundo nos olhos
me entregando,
Entregando à mim o recado.

Que seja bom dia.