samedi 5 décembre 2015

Sobre o amor ser ridículo quando em cartas

Dos caracóis negros do topo
ao escarlate dos teus lábios
em que miro os olhos

desde os três sóis estampados no peito
aos ângulos incertos dos dedos

Amo tudo em ti
Os pedaços e por inteiro.

  

jeudi 19 novembre 2015

Todo dia

 Reinventar o amor é lhe passar protetor solar

Escutar

Nasci mulher nessa vida
E aqueles homens que não serei
me fazem mais gente.

Prejudica, sim senhora.

Salvador acordou aos berros
Disse que não
hoje não

Porque hoje tudo

Carimbos no pescoço
Metal nos quartos
Frieza nas juntas

Hoje tudo sim
Então trocar o sangue
não

Salvador
Como nós
Precisa trocar o sangue
Pelo menos 3
3 vezes em 7 dias
Ele troca o sangue
Para  viver

Mas hoje nao





mercredi 9 septembre 2015

Todos os dias serão de versos nossos.

          De costas
           te vejo
             nu:
    homem menino.

 Conheço o perímetro
   desse teu território
    que de tao perto
      desejo dentro
        desejo meu.

Homem menino meu.
     
            Arrepio
a quentura de tua pele na minha
     enquanto meus poros
               te olham
              e beijam
os mínimos pedaços teus.



lundi 3 août 2015

Muita escuridão aqui dentro

De longe a silhueta piscava
como a luz da sala
que conduzia
a bebedeira
quase besteira
de uma noite vazia

Os acordes me diziam
a história do que você pensava
e enquanto imaginava
lá vinha ela me contar
falando da sereia
(bem ela,  Iemanjá...)
"tem dó de ver o meu penar"

Sao esses os jogos
de fazer sentido
que brincamos solitários
nesse mundo,
mas era tudo tao escuro
que no fim de tudo
nem nos víamos.

Quase

Um fio
é a medida que separa
tudo

Ainda que eu ou você
nao vejamos
estamos sempre por
um fio

Amor en portuñol

Tenemos las manos,
Es todo.
Tu, las mias
Yo, las tuyas

Te adentro fondo
Los ojos castaños
Entregan te

Guardamos
À nosotros
En la misma caja negra
Del amor

mardi 7 juillet 2015

Desprotegida, ela disse.

Um olhar perdido
um rosto abatido

Elaborar
requer labor
ela labor ar

ela bor(r)ar

E la, bora?...


Nem sabemos bem
o motivo
ou como dissolver
essa tristeza.

Escuta

Escuta esse barulho,
é o vento gritando
empurrando contra a corrida
acordando o ouvido a noite
deixando inquiet'alma

O lobo espreita medroso
o mundo
pela fresta entre a floresta
e seu coração de lobo

A coragem mora
em algum lugar escondido
desse peito assustado

A vertigem nao te deixa
nos momentos difíceis

O vento é mais forte
nos dias de chuva
os olhos dele

O lobo
o coração
o esconderijo
o mundo


mercredi 24 juin 2015

Viva São João

"A água que escorria
de nossos poros
Era salgada como a do mar

O mesmo mar que não chega
nas nossas raízes primevas
Mas cobre nossos olhos
desde o dia em que se cruzaram "...

Na praça enfeitada
Uma multidão passava, corria ,
se entreolhava
E ali,
Entre identidades perdidas,
Carteiras de vento no chão,
Gengibre engarrafado com cravo...

Minha pele encostou na sua
Dos quadris renasci
Da voz soprano perto
De suas mãos acordando
tudo em mim

Um sol quente nascia
No passo no pulso na pele
Em nós


dimanche 7 juin 2015

Pra te ver voltar

Abro-te a porta
Para que daqui a pouco
Sintas vontade
De voltar.

Cavalo

A crina ao vento
as patas correm o monte
um pasto ou pouco
o caminho inteiro
o mar revolto
seus olhos de adeus
equino
A loucura rebeldia
em sao roque
E a liberdade de cavalgar
Até a curva de tudo
Equestre alma
De partir
De correr
De desbravar a si
E ao Mundo

Amor

Essa madrugada
Acordei num repente
Te vi contornando a mim

Soprei baixo
O que senti ali:
O amor acontece assim,
Nas horas vagas
Na madrugada
Na padaria
Na estrada
Ou em qualquer instante.

mercredi 13 mai 2015

Desde que fitei esses seus olhos de menino
Soube
que seu melhor lugar era ao redor
Do corpo meu.

mardi 21 avril 2015

Pouco antes
de nos deixar ,
Meu pai já tinha olhos de adeus

dimanche 19 avril 2015

Dois cantos de mundo

As marés que ainda sobem e descem
serão as mesmas águas de antes?
De quando
Entre a rede amarela e os olhos dela
as palavras do poeta se desdobravam
Lá fora a umidade salgada
e a dança das águas que nos assistiam

Hoje no grave da voz
na proximidade das almas
as palavras acordaram
depois de longas jornadas

Na notícia de uma outra janela
que abre os braços para as  mesmas águas
que quem sabe serão lar
para novos olhares
outra rede
nossas novas jornadas




mercredi 8 avril 2015

Uma despedida para Lady Macbeth.

Vesti pela última vez tuas mãos sangrentas,
provei do gosto doce do amor
que tinha  pelo homem

Evoquei pela última vez
a força que te moveu
e as feras que te alimentaram

De dentro do útero
livrei a espiral que era preciso
para fazer-te viver

Senti a correnteza se afastar
rubra...
E negra levando embora
a sanidade

Fui corpo para tua dança
ontem, pela última vez
voz
para tua loucura

Abandonei-me na morte
aos braços do amor apodrecido
do homem que te era também vida

Com os olhos cerrados
em silêncio e despedida
deixei o palco
e deixei a ti
pulverizada nas memórias infinitas
daquelas madeiras sagradas.

Levo-te agora no peito,
és uma das mulheres que me adornam
e que vivem ainda em mim
habitam a minha morada
e vez em quando despertam
dançam em nostalgia,
depois descansam
no pulsar do peito meu.

jeudi 2 avril 2015

Fauna

Que me perdoem as margaridas,
E até as minhas rosas queridas,
Mas nada é mais encantador
Que o mistério das orquídeas

mardi 31 mars 2015

Abandonar-se , entregar-se, desamparar-se

https://www.youtube.com/watch?v=SUaMJ_xGK9o

3rd Abandon

" O que é Derrelição, Ehud? vem, vamos procurar juntos, Derrelição Derrelição, aqui está: do latim, derelictione, Abandono, é isso, Desamparo, Abandono.(...)"
" Desemparo, Abandono, desde sempre a alma em vaziez, buscava nomes, tateava cantos, vincos, acariciava dobras, quem sabe se nos frisos, nos fios, nas toçuras, no fundo das calças, nos nós, nos visíveis cotidianos, no ínfimo absurdo, nos mínimos, um dia a luz, o entender de nós todos o destino, um dia vou compreender, Ehud." (...)
Hilda Hilst

Lavoisier senão

Arremessar-te o peito contra o asfalto quente,
arrastar-te sobre o negror, rente
fazer-te empalidecer 
esvaziar-te de si
para livrar-te dessa estúpida umbiguez
para ver se jorrado ao sol, do escarlate

nasce

qualquer algo que valha o risco de
ser amado
ser dito

Ver-te virar terra,
voltar ao centro
ao fundo lavoso-impossível-devastação
para ver se do âmago do adormecido vulcão
resplandece vida
ou qualquer fragmento de coisa
que se sinta

dimanche 22 mars 2015

De te olhar os olhos e sumir nos braços ou bilhete III

Estive ontem em teus braços,
fiz-me criança,
ingênua em teu afago,
Atravessaste minhas pupilas ,
os medos recentes
E antigos,


Disfarcei ainda
No silêncio
O que é sagrado
E Secreto em mim

Por tua pele
Deixei escorrer
Minha vontade
O cuidado e  o querer

Para te ver pássaro
Em minhas mãos de menina
Sabendo que teu vôo
tem ouso certo
em meu corpo...

mardi 17 mars 2015

15.03.2015

Cisco verde-amarelo
no branco de meu olho,
já não enxergo bem,
já não vejo clareza.

vendredi 13 mars 2015

Véu

Quis desvelar-te
por haver nisto,
algo de desvendar-te
ou revelar-te

Mas é sob o turvo negro
do tecido
que te vejo ainda
e por entre fios
me dedicas raios poucos
de teu olhar furtivo

E ainda que te veja
assim por entre
cultivo
uma total hipótese
velada de quem és.

lundi 2 mars 2015

Nasci

Entrei foi de cabeça nesse mundo.
Depois  berrei forte
para não haver dúvidas
de que todos saberiam
de minha chegada.

Quente

Chão de areia quente sob os pés de argila.
seria teu todo o sonhar.
Sorriu pra mim ao longe,
pensamento longe.

Era alto, sorriso claro,
olhar apertado.

Queria não estar neste lugar,
Quantas mulheres cabem em um porao,
quanto amor em um alçapão.

Quisera arrancar o teu,
pra ver se bate aqui fora,
quando o ar nao é filtrado
e o sangue nao jorra.

Derrama nesse frasco uma lágrima,
veste a ti de luto,
eu busco uma folha sagrada  
te dou descanso.

Descanso.

Expulso todas
e o coraçao volta a ser terra fértil,
onde irá brotar um.

Ramo comprido verde,
 as folhas se espalham,
emaranhando-se ao redor
de tudo,
para deixar tudo
mais verde-vivo.

Há 10 dias gesso ,
sua boca,
branco,
gelado,
teso.
11 dias, rasguei com a faca da verdade minha língua,
a despejei bandeja de prata,
não,
bandeja de arame farpado ,
agora eu nua  língua rasgada
não despejo sossegada em bandeja alguma.

Farpado sim,
como os olhos dela de carne sobre mim.
Te lamento,
como quem lamenta a si
Nao há mais espaço para engodo.

Já disse adeus.
cumprimentei os convidados todos,
os habitantes bobos de mim.

Ele nao.
 intruso fez casa em mim,
agora se demora a ir
cava fundo em minhas veias.

A gota escorre no dorso
expiração lenta,
cabe o mundo nesse suspiro
nós ao menos.

Exala-te-de-mim ou me tem para sempre.


Os cavalos lá fora aguardam as moças.
Para que nao haja destino trágico.
Vão para mata,
para muito adeus,
longe de mim.

Inspirei-te de novo,
ontem
após dias no frasco.

Ausência insone,
sonho-te,
agarro-te,
quero-te.
Antes que já não seja tempo,
agora. agora, agora.

Chão de areia quente sob pés de barro.
Caminho para onde haja água.

   

mardi 24 février 2015

Despertar

Amar-te ia
tao perto de meus seios,
coração.

Vagueio-sereno-fingimento.
mas querer-te ia
entrelaçado entre as mãos

Tao honestamente
foste homem
que ver-te ia
outra vez
como outrora
como nesse instante
logo agora


Quando bem te vi
tive a ti
tao perto:
doce
sagrado
mar
e solidão  


samedi 14 février 2015

Forte

Perdi-me de todos
Encontrei a mim,
 brutalmente

É preciso se perder para relembrar o adeus

Os olhos de naufrágio são os meus
Fitando essas embarcações atracadas

São meus os olhos do adeus irrecuperável
Minhas pupilas de saudade
O sal em meus lábios
As mãos sobre a pedra e o até nunca mais

A revolução começou ali
sobre as terras da glória
Entre a poeira, a brisa, o sal
E o naufrágio

mardi 3 février 2015

Bilhete ao silencio

Sigo com esses olhos marejando ao encontro das palavras que me desvendem algo de teu paradeiro. Em minhas andanças quietas, percorro  alguns tons de azul, outros alaranjados, chego a um vermelho febril e essas cores só vem  contornar minhas perguntas irrespondíveis sobre ti. Te desenhei menino em minha memória, minhas lembranças te contornando: as mãos doces,  o olhar vago, um peito cintilante, discreto e macio.
Em muitas vezes que calei, estive inteiramente entregue aos teus braços. Quis ser nuvem leve em teu colo, despir-me pros teus olhos, beijar-te tanto e chegar muito perto para que fosses meu.
Amanhecia e me dizias adeus, te perdia a cada cantar de galo em que fora tua na madrugada... foste sempre uma despedida... e hoje ainda, longe e recluso, te despedes.
Dessa  vez eu te deixei. Vagarosamente ergui meu braço e acenei ao longe, minha mao, tao tua, para dar-te outra vez adeus...

E tudo isto, eu invento, para fazer-te existir em mim e ser essa lembrança de amor. Do que poderia ter sido, do que fomos quando pele contra pele, teu suor escorrendo sobre a minha, meus dedos te tocando a face, e eu silenciosamente te amando....
foi um longo suspiro e nada mais.
Depois da euforia
o lixo e a água suja
ocupam meus lábios
e as ruas do bairro

Ruptura

Desta vez rompeu-se
agulha em balão d'água
escorrendo o líquido
gosto de nosso cuidado

Desta vez, fui
cega, de olhos e tato
ao desencontro teu

Na outra beira
tua esquiva, meu desconsolo
de perceber
a insignificância desse amor
que nem chegou a dizer
adeus  

vendredi 30 janvier 2015

Manhã nublada

Respirei eu fundo
silenciei depois que me invadiste
De algum modo tua presença
tornou-se perturbadora

De mulher à fêmea
de bicho  à pedra

Sucumbi ao vazio de meu peito
à força aguda de uma ausência
ao despertar silencioso
do vulcão

mercredi 28 janvier 2015

Fragmento para Pele II ou Alvorecer no entre

Das nossas?
quando se encontraram
lá no azul
vi estrelas explodirem
em cascatas luminosas
e silêncio

Fogos de artificio
sinceros, quentes
não de artifício

A carne da boca macia
exalando doce
a cana de açúcar
e frescor em mim

O furacão na nuca
e ali morava
o amanhecer

lundi 26 janvier 2015

Azul claro

Encantar-se
Encantar-me
Encantar-te

Cantou-me
Para encantar-se
Para desencantar-me

Em tamanho canto
não calou um segundo
sequer

dimanche 25 janvier 2015

Será que a partir de hoje
hei de te dedicar poesia?

Diferença/coincidência

O mesmo nome,
mas olhares distintos.
Sobre signos e ascendentes
já não sabemos ao certo

Mas os olhos
como eles me fitam
os outros não fitam

O mesmo é só o nome
todo o resto é diverso

jeudi 22 janvier 2015

Que nos versos sopro vida

A fragilidade  anda tão quente
sobre meus ombros
que sua  presença forte
ao meu lado
faz sua grafia ausente
em minhas linhas

em algum lugar
devo ser forte e
faço-me assim
em meus versos

que são meus só
e de mais ninguém
Aqui sou eu
a amazonas selvagem
que cavalga nua pela
floresta densa

Sou eu a loba
que fita a ameaça
e lhe faz fugir
amedrontada

Sou eu a sereia
que desponta da rebentação
canto abrupto
suntuosa beleza
Dona dos mistérios
que quaisquer lábios
nunca hão de desvendar

Sou eu tantas deusas
de seios fartos e curvas cheias
em que a força se expressa
no amor, na coragem
e na delicadeza...

Pois como a outra e sempre
"antes de ser mulher
sou inteira poeta "

"A brevidade do voo do passarinho..." ou "Para a partida de Dr. Fernando Hoisel, com amor"

Alçaste voo passarinho
depois de pousar leve
frente aos nossos olhos

Foste leve aqui e também
em direção ao alto,
longe
nós, de baixo,
seguimos teu rastro

Tu deixaste em nossos
olhos a saudade
e esses corações
encharcados de amor

 

samedi 17 janvier 2015

Adeus teus cachos meus cuidados

Caíram os cachos
de teu cabelo que eu cuidei.
Eles se foram antes
que eu me despedisse,
sabendo antes tu
que para mim era dado
o feito de seu fim.

Com teus cachos partidos
foram junto meu bem-querer
e esperar.
Tinha guardado nos caracóis
a longa trança que cosia-descosia
até o dia de cruzar teu olhar

Foram-se pois
teus cachos e meu cuidado
e por ti segue então
só tua sombra observadora
e serenamente vazia...

mercredi 14 janvier 2015

Pai

Passaram-se  então os dois dias
O de sua ida e o de sua chegada
Um quase seguido ao outro

Entre eles, sentei-me à porta
pés na escada, mãos ao queixo
Esperei-te

Seguiram-se horas
de meu olhar longo ao vento
o cheiro da palmeira da infância
o  de sol sobre a pele
e de sal nos cabelos rebeldes

Esperei-te e só pude te encontrar assim
nos fios finos da lembrança
e então te ver...

Lembrando-me de nossa despedida
 te convenci,
"está tudo bem"
e senti por suas mãos:  
podia agora partir

E eu, desde esse dia, repito:
"está tudo bem"
Acredito fundo e silenciosamente


E agora, espero-te
sabendo que toda viagem tem volta
e todo amor é eterno