samedi 30 juin 2012

Andar até

De tanto andar,
quase esqueço
o caminho
de volta.

De tanto buscar
um rumo
Perdi a direção.

Foram tantos
os passos
invertidos
desconexos
escorregadios
incertos
benditos
irremédiáveis,
impossíveis,
frágeis,
dóceis,
leves,
pesados,
amargos,
irreversíveis,

tantos.

De tanto chão,
cada feição
fez-se pó.

Engano vão
de achar lá
que longe e fora e


Uma pista
que de tão precisa
desatasse
 o nó
do desassossego


De tanto andar, 
deu-se que
o enfim c-a-m-i-n-h-a-r
só fez-se sentido
quando,
para além de lá fora, 
virou-se andar
ao avesso, 
pus-me então 
a percorrer 
o Dentro de mim afora.


Foi assim que (de) estrada nova
se  fez (me fiz). 






lundi 11 juin 2012

Só a bailarina que não tem ...

Você está no palco,
não há nada além disso.
Não há ninguém.

Não há.
Só há o palco,
E a luz é tão forte
Que não se vê

A ilusão é de multidão,
O corpo é imenso
Mas não há ninguém
Nunca (h)ouve.

Tudo foi num tempo em que
as meninas ganhavam violetas.

- são tão lindas as violetas, mãe.
Eu ganhei violetas,
Tive violetas porque as outras tinham violetas.
Minhas violetas sempre morriam.

E o palco é tão grande,
E lá embaixo é tão vazio.

E de tanto grande
E de tanto vazio.
Fui ficando pequena
Cada vez menor,
Cada vez menos
Até me tornar invisível.




mercredi 6 juin 2012

Ela existe lá de longe
E meu coração acende
outra vez.

Ela, que acredita
ter deixado a candura
Nem se dá conta
de que o que leva
é amor em toda sílaba.

Com ela eu me lembro
flor,
Meu reflexo é qualquer
coisa de melhor,

Por termos nos escolhido
Justamente por isso,

Essa distância é só
um passarinho
diante de tanto amor.


mardi 5 juin 2012

O coração congelou.

Pensamentos indigestos


Engoliu todos assim que deitou. 
Dormiu mastigando-os lentamente,

Para durante o sono,
digeri-los.

Embrulharam-se no estômago
com seus amargos gostos,

O corpo tentou inútil, 
não se tomar inteiro pelo 
hostil sabor.

Era tarde para se opor,
acordou-se ressaqueado,
Todo ele se doía
de uma náusea 
mnemônica e reversa.
de um indigesto (in)sono 
de pensamentos  tolos

Dos buracos que não residem em superfícies.

Tropeço,
Engasgo aqui,
no exato lugar onde
ontem cai.

Amanhã,
caminho
aqui mesmo

de novo
tropeço.

O mesmo.
E eu tão cego
de mim,
não vejo.

Não,
a calçada não
é a mesma.
Eu ainda sou.