mardi 26 septembre 2006

Seus olhos despencam cansados. Sobre o caderno aberto sonhos se reproduzem sem autorização. Ela cansa sem esforço, pesa sem carga. A cabeça fechada, atos falhos, cansando de falar... ela dorme. Sono interditado e vontade que cansa.
Que vontade, meu Deus, que vontade... Ela acorda para si e inventa diálogos que nunca acontecerão. Nunca é a palavra que a persegue e no momento da fantasia volta sempre ao nunca. Levanta-se, olha-se no espelho, finge e pronuncia:

- Eu não sou de qualquer um... Em verdade, pertenço a quase ninguém, até de mim sou escorregadia e não pense que isso é voluntário, porque se eu pudesse escolher não estaria aqui, tirando a roupa em sua frente, mostrando minhas vergonhas para você... Você não me conhece, nunca se atreveu a chegar mais perto e essa maldita falta de interesse só me deixa com mais vontade... E um motivo desconhecido, sabe? Eu não queria, aliás, não quero. Mas existe algo pulsando aqui dentro que me empurra para esse desepero de te encontrar em qualquer lugar, de sentir essas mãos tranquilas passando por essa carne de puta casta, tem um qualquer enigma nesse jeito debochado que você tem de me olhar, me desconcerta com esse maldito sorriso... e eu que achava descobrir um perverso, me engano - duas vezes- sem saber o que é você: o menino tranquilo que me olha pelos espaços entre as pilastras ou o infame que brinca com o mundo... E eu, que não pertenço a ninguém, fico presa na ponta de um abismo entre querer e não poder.

Falta o ar, há o nó na garganta, olhos que quase transbordam mas seguram firme e nunca se permitem, mãos travadas de ódio, não se conhecer é assustador. Ela senta no chão, as mãos agora apoiam a cabeça que olha para baixo e se movimenta num não... Respira fundo, engole tudo.

Há muito pouco tempo para pensar sobre si. Levanta, penteia os cabelos, liga o som e dança.

dimanche 10 septembre 2006

De uma manhã de quarta-feira
8:35h- Essa música me sacudindo por dentro...
Cenas inéditas em horas matinais improdutivas,por onde andam esses pés? Os meus, aqui, inquietos agarram-se às lajotas enquanto tentam concentrar-se para alçar vôo. Inútil tentar, eles nunca se livram da corda amarrada à pedra, que é pesada demais, e se encaixa num NÃO.
Quero água doce, limpa e gelada... Caindo da nascente diretamente em mim. Quero sabor e embriaguez, olhos fechados e voz alta, quero a força dessas cordas vocais explodindo entre as paredes e alcançando o outro lado: de mim, do mundo e de quem ouve. Quero uma gota tranqüila pingando dos olhos, olhos que brilham e não têm culpa.
10:32h- Explode, dasanda, encanta a mim, o meu, meu corpo manso, aqui, seu, todo, trava, finge, saliva, me engole, emudece, me enche, assim inteira e o céu redondo que é... Não sou à vontade, nunca sou à vontade, me inquieta, só, esta; me vence e não pede medalha. Onde anda? Onde está? Me amarra, me esconde, me prende e me conta, então. Motivos concretos para esee desejo desconhecido, concretos de cimento em um prédio megalomaníaco, que contenha em toda sua escadaria esse grito, que minhas amígdalas já não vibram... Já não sentem e não têm lembranças do que já engoliu...
Eu me esqueço, desarmo e continuo:
- Glândulas lacrimais.
- "Você é louca?"

dimanche 3 septembre 2006

Bienvenue! Et les mots continuent...


Meu corpo é dócil
Sou toda obediência
Sorriso e complascência
Concordo em toda constância

Crescente recesso de mim
Um frágil deserto
O avesso do animado
Em todos os tempos de fim
Sou silêncio e respondo
Correspondo ao outro
Em direções as quais não pertenço

Reconheço sílabas com estranheza
Vivo rumo à negação
Nego quando sou
Sendo só consenso

Mansa e sutil
Doce, dormente
Em nós quebrados,
Todo o meu corpo (con)cede.