lundi 28 décembre 2009

Surrender

E lá estava ela, com seus lábios rosados e sua pele alva. Inefável e infalível, como se seu sorriso caminhasse em câmera lenta para os outros mortais e seu olhar oblíquo perverso fosse certeiro em minha direção. Doce enigma, pequena silenciosa, em olhares vagos, vagueia em mim, sorriso solto... sabe bem o que falo, volta prosa, sem nem embaraço, pra no próximo passo te encontrar de surpresa e só.

dimanche 20 décembre 2009

Grão

"Se meu coração explodisse agora viraria nada. Desmancharia em muitos pedaços que, em câmera lenta, migrariam como que na ausência de gravidade, para lugar nenhum, desaparecendo dessa órbita para uma outra não-órbita qualquer."

- Não sabia nomear suas vontades, não sabia pronunciar seus desejos, não lembrava o que lhe apetecia os dedos ou salivava a boca, não sabia qual sua cor preferida, nem do que não gostava, não tinha memória recente de prazer imenso, nem borboletas no estômago de acontecimentos de agora. Era uma pequena criatura paralisada.

jeudi 17 décembre 2009

Crise

Será bendito fruto dessa agonia
se bonito for saber um dia,
que entre tantos desacertos,
houve em todo passado erro
medida exata solução.

São Paulo

Enterra longe
passando foi passado
De-la pra cá
Per-Correu mundos,
distintos foram enganos.

Salvando-se pois a saliva,
guardando em brancas nuvens,
inocência em caixa de doce,

Chão de cimento,
asfalto molhado,
escoa água suja,
suja cidade,
chove sobre a terra preta,
que de preta só a sujeira dessas
secas faces,
Seco olfato de quadril duro,
de muita brancura,
que não a convence de outro estado,
que não aquele de céu azul onde nasceu.