mardi 6 décembre 2005

"Ao amor que não passou"


Sutileza, querido... É assim que sinto seus olhos sobre os ombros daquela mulher, sutileza é o que vejo despencar das suas mãos quando distraidamente revelam em pequenos gestos repetitivos o desejo. Sutil assim também seu enorme sorriso disfarçado num pequeno mostrar de covas abaixo das maçãs de seu rosto. Sutil, os seus sonhos que aqui de longe eu enxergo, seus sonhos por ela que chegam a mim por tudo que sei de você e que te entrega. E os passos são sutis, chegam até lá, quase não tocam o chão... Essa sua leveza de andar que eu aprendi a reconhecer de antes. Em pequenos círculos disformes seus pés a cercam, um cheiro doce e você percebe como os cabelos dela balançam (sutis) sobre aqueles ombros semi-nus, seus olhos enxergam todas as marcas de suas costas, suas mãos suadas e macias passam tão perto e nunca podem chegar ao final.
Ela ainda não te sabe, querido, nada está perdido, ela só ainda não te viu como eu vejo. Talvez quando essa minha razão, que não sei por onde anda, voltar, então eu a explique, ela vai entender a sutileza necessária para ouvir sua voz, mesmo quando ela não fala. Eu mostrarei porque você é encantador mesmo quando não percebe, como você pode observar essa via das sutilezas quieto e sem ofensas, tenho certeza que ela entenderá. Mas por enquanto, me desculpe... Meus lábios não conseguem se mover, que dirá contar a ela seus segredos sutis que eu aprendi a guardar...

PS: Daqui uns dias isso aqui vira um daqueles romances breguinhas de bolso de antigamente... Que horror, me protejam de mim!