vendredi 26 septembre 2014

Das enumerações

Enumerar virou questão de ser.
Em cadência.
Organizar-se.
Alocar o caos em números.

Particularmente vão III

Este imenso alto penhor, abismo,
pede perdão
por todo ato de amor não vivido.

Particularmente vão II

Este pequeno grande abismo meu
pede desculpas e derrama uma lágrima
por todo ato de amor não visto.

Particularmente vão

Este pequeno abismo pessoal intransponível
levanta uma pequena bandeira branca
e pede desculpas
e trégua
por todo ato de amor não feito.

Poema para Isadora

Das bailarinas que passaram
por mim,
tu foste a primeira
e a que ficaste.

Passaste do fundo dos meus olhos
fechados, distantes,
a circular as minhas veias, sangue,
Te espalhaste por todo canto de mim
e reservaste em meu peito
um lugar teu.

Eis que és, ainda hoje,
ainda sempre,
minha pequena bailarina
dos braços compridos, circulares
do tronco relaxado, do plexo
voltado para o ar, para a terra.

És ainda, aquela menina
de pernas cruzadas na sala vazia
que teme a morte
e que justo pois, celebra a vida,

Espero-te nascer todo  dia,
Isadora minha,
bailarina dos braços longos
arcs-en-ciel

Poema para Aurora

Hoje quis escrever-te,
aurora,
para ver-te nascer.

Luminosa, em meu ventre
ver-te, quando eu,  do alto
da minha pequenez,
baixasse os olhos.

Quis que nascesse em mim,
tu,
assim reluzente,
menina semente, amarela,
radiosa, luz.


mercredi 10 septembre 2014

Viagem sem volta II

Aqueles olhos verdes em mar
amarelos em terra
Meus cúmplices em todo ato
de amor e cuidado
Aqueles olhos me viram nascer
me fizeram gente
ensinaram-me os primeiros passos
Ensinaram sorriso e fé.

Os olhos verdes deram-me a mão
e me ensinaram
que as águas águas mais bravas
eram gentis
se o corpo soubesse se deixar levar
Os olhos amarelos seguraram-me a mão,
quando o coração desmontava em medo

Todas as minhas canções de amor
foram e serão tuas, olhos meus.
Meu mais nobre pedaço e minha gratidão

Desde que foram embora,
me reviro a encontrá-los...
como quem procura colo pelos olhos


Fecho então, os meus olhos
canto em silêncio nossas canções-olhares- de amor
e procuro aqui dentro
esses olhos de cumplicidade
que já não estão aqui fora, ao meu lado.
Suspiro longo e pesado de saudade




Viagem sem volta I

Ao redor, saudade
dentro, saudade
embaixo, saudade
Em cima, saudade
Saudade por todos os lados