mardi 31 mars 2015

Abandonar-se , entregar-se, desamparar-se

https://www.youtube.com/watch?v=SUaMJ_xGK9o

3rd Abandon

" O que é Derrelição, Ehud? vem, vamos procurar juntos, Derrelição Derrelição, aqui está: do latim, derelictione, Abandono, é isso, Desamparo, Abandono.(...)"
" Desemparo, Abandono, desde sempre a alma em vaziez, buscava nomes, tateava cantos, vincos, acariciava dobras, quem sabe se nos frisos, nos fios, nas toçuras, no fundo das calças, nos nós, nos visíveis cotidianos, no ínfimo absurdo, nos mínimos, um dia a luz, o entender de nós todos o destino, um dia vou compreender, Ehud." (...)
Hilda Hilst

Lavoisier senão

Arremessar-te o peito contra o asfalto quente,
arrastar-te sobre o negror, rente
fazer-te empalidecer 
esvaziar-te de si
para livrar-te dessa estúpida umbiguez
para ver se jorrado ao sol, do escarlate

nasce

qualquer algo que valha o risco de
ser amado
ser dito

Ver-te virar terra,
voltar ao centro
ao fundo lavoso-impossível-devastação
para ver se do âmago do adormecido vulcão
resplandece vida
ou qualquer fragmento de coisa
que se sinta

dimanche 22 mars 2015

De te olhar os olhos e sumir nos braços ou bilhete III

Estive ontem em teus braços,
fiz-me criança,
ingênua em teu afago,
Atravessaste minhas pupilas ,
os medos recentes
E antigos,


Disfarcei ainda
No silêncio
O que é sagrado
E Secreto em mim

Por tua pele
Deixei escorrer
Minha vontade
O cuidado e  o querer

Para te ver pássaro
Em minhas mãos de menina
Sabendo que teu vôo
tem ouso certo
em meu corpo...

mardi 17 mars 2015

15.03.2015

Cisco verde-amarelo
no branco de meu olho,
já não enxergo bem,
já não vejo clareza.

vendredi 13 mars 2015

Véu

Quis desvelar-te
por haver nisto,
algo de desvendar-te
ou revelar-te

Mas é sob o turvo negro
do tecido
que te vejo ainda
e por entre fios
me dedicas raios poucos
de teu olhar furtivo

E ainda que te veja
assim por entre
cultivo
uma total hipótese
velada de quem és.

lundi 2 mars 2015

Nasci

Entrei foi de cabeça nesse mundo.
Depois  berrei forte
para não haver dúvidas
de que todos saberiam
de minha chegada.

Quente

Chão de areia quente sob os pés de argila.
seria teu todo o sonhar.
Sorriu pra mim ao longe,
pensamento longe.

Era alto, sorriso claro,
olhar apertado.

Queria não estar neste lugar,
Quantas mulheres cabem em um porao,
quanto amor em um alçapão.

Quisera arrancar o teu,
pra ver se bate aqui fora,
quando o ar nao é filtrado
e o sangue nao jorra.

Derrama nesse frasco uma lágrima,
veste a ti de luto,
eu busco uma folha sagrada  
te dou descanso.

Descanso.

Expulso todas
e o coraçao volta a ser terra fértil,
onde irá brotar um.

Ramo comprido verde,
 as folhas se espalham,
emaranhando-se ao redor
de tudo,
para deixar tudo
mais verde-vivo.

Há 10 dias gesso ,
sua boca,
branco,
gelado,
teso.
11 dias, rasguei com a faca da verdade minha língua,
a despejei bandeja de prata,
não,
bandeja de arame farpado ,
agora eu nua  língua rasgada
não despejo sossegada em bandeja alguma.

Farpado sim,
como os olhos dela de carne sobre mim.
Te lamento,
como quem lamenta a si
Nao há mais espaço para engodo.

Já disse adeus.
cumprimentei os convidados todos,
os habitantes bobos de mim.

Ele nao.
 intruso fez casa em mim,
agora se demora a ir
cava fundo em minhas veias.

A gota escorre no dorso
expiração lenta,
cabe o mundo nesse suspiro
nós ao menos.

Exala-te-de-mim ou me tem para sempre.


Os cavalos lá fora aguardam as moças.
Para que nao haja destino trágico.
Vão para mata,
para muito adeus,
longe de mim.

Inspirei-te de novo,
ontem
após dias no frasco.

Ausência insone,
sonho-te,
agarro-te,
quero-te.
Antes que já não seja tempo,
agora. agora, agora.

Chão de areia quente sob pés de barro.
Caminho para onde haja água.