jeudi 30 décembre 2010

Meia luz entra tímida,
Toca meus ombros sutil,
Me leva embora.

Euforia de inverno, é o sonho do verão.
Desejo que não sabe nunca o que quer.

Perdi meu cachecol,
Deixei de lembrança,
Antes nunca tivesse pego de volta.
Pra ter ainda algo físico meu.

Esse sono duro, essa saliva seca...
Eis que depois do branco, tudo derrete em água.

lundi 13 décembre 2010

Presença/ausência ou o que será o amor?


Caminhar à duas sombras,
Bocejar ao mesmo tempo,
Sofejar a mesma música,
Rir do imprevisto,
Inventar imprevistos.
* * *
Agora, as folhas na rua secam de tanta ausência,
E meus olhos esquentam a falta,
De tamanha distância,
é ainda o que chega mais perto de mim.
Pequena que fico em suas mãos,
e em suas palavras que me colocam no colo.
De repente viver é tão raro.

E aqui não tem estrelas cadentes,
nem fontes de desejo,
e o meu se esforça a ser forte.

Sua companhia vem me buscar
e me ajuda a matar os leões nesse lugar.


mardi 30 novembre 2010

Tempo do desencontro

Cheguei,
partiu.
Parti,
chegou.

Je suis arrivée,
Tu es parti,
Je suis partie,
Tu és arrivé.

lundi 29 novembre 2010

Da neve e eu ou do espírito infantil

Na minha meninice,
congelador no verão,
filme na televisão,
só podia ser assim,
E ouvia minha vó falar.

Depois, grande pequena,
Festa na montanha,
Coração quente,
Papai Noel disfarçado de motorista de taxi,
Aproveitava a folga de julho
Pra fazer felizes outras crianças.

Agora, nessa adulteza,
Entre bicos e rezas,
no frio que já é frio,
Vem ela branquinha e leve,
Despertar sorrisos e festas.

Flocos

Branco caindo miudinho do céu,
Ralador de gelo de Deus.

Da Janela, que tarda a clarear,
O escuro hoje amanheceu clarinho, clarinho.

Os galhos, tristes e secos, coitados,
Se levantaram acompanhados,
acolchoados na companhia branca macia,

Os carros calorentos,
despertaram fresquinhos,
geladeiras ambulantes
Carregando seus produtos congelados.

E eu, aqui, brigando com o sono,
Sem saber que lá fora já me esperava
branco o dia.

mercredi 10 novembre 2010

Nuit blanche

Quase quatro e tudo preto
em minha noite branca,
meus olhos vermelhos,
minha pele.

Quase cinco, sonho apressado,
acordo quente,
cangote molhado,
noite fria.

Quase seis, olhos fechados,
corpo aceso, cansado.

Quase sete, ainda hesito,
Labirinto de mim,
pra não sonhar, nem adormecer,
Vem minha pele me chamar, arder.

Quase oito, o preto no branco,
tímida, ela que foi branca,
vai se escondendo no cinza que começa.

Quase nove, desperta-dor,
tudo lá fundo nos olhos
me entregando,
Entregando à mim o recado.

Que seja bom dia.

mercredi 27 octobre 2010

Tudo mentira, Caetano.

Meu coração só se cansa,
Meu coração só se cansa,
Meu coração só se cansa,
Meu coração só se cansa...

Um dia vai ser melhor?

Agoragonia

Tenho os mesmos grilhões,
As mesmas amarras,
Os mesmos pesadelos.

O que é, que enfim não solta,
não larga,
não enxota,
não me deixa ir,
não me livra?

Tão assim invadida de mim,
assusto e sufoco.

Acordo suor em noite fria,
durmo agonia nas pernas,
no rosto, no corpo inteiro.
Choro música de metrô,
Agrido amor.

Não acredito.
Não digo,
Não.
Não ouço sim.

Preciso me salvar de mim.

jeudi 14 octobre 2010

Indefinir.

Meu coração não é daqui,
ando desalento, sem saber
Se construi o afeto, se ele a de vir.

Por ora, não filtro nem aqueço o ar,
Desce gelado e novo,
Tocando a garganta e o corpo por dentro,
Esfriando tudo, deixando tudo gelar,
Para conservar mais, ser mais durável,
Não envelhecer, não apodrecer.

Que não congele,
não vire sólido, porém.
Que seja quente e derretido
como o chão de mim, como meus sonhos.

Que o abismo vire mirante
e que os olhos alcancem para além da queda.

mardi 7 septembre 2010

Do pensar.

Não dormiu,
Nem acordou.

Nem dormiu,
e não acordou.

Descordou,
ainda de olhos abertos,
de ter sido assim.

A cor dou a que couber,
com nuances de verde alfazema
preto no branco e toques de pele clara macia.

Não preciso de provas,
ainda que fotos documentem
e que reste uma caixa preta de memórias,

Ser impreciso é mais difícil,
É decifrar pensamentos e
fazer entender
o que "eu mesmo" não entende.


Amanheceu.

E se seu cheirinho grudar no meu?

mercredi 25 août 2010

Jardim de flores.

Criei um jardim de flores e plantei nele as flores mais belas, reguei todos os dias esse jardim, até as flores ficarem mais bonitas, vistosas, mais brilhosas com o sol. Prestei atenção meticulasamente em como umas preferiam a sombra, outras gostavam mais do calor, outras exigiam muita água e outras nem sentiam falta.

Vi cada flor crescer e se tornar especial, com cores diferentes e folhas exóticas, fui transformando meus dias de acordo com as histórias das flores. Quando via algo estranho, alguma manchinha de inseto, ou uma pétala mais murcha, tentava compensar com mais carinho, passava horas pensando em como o jardim podia ficar mais bonito...

Meus dias foram começando a se configurar pelas histórias que as flores plantavam em mim e eu me perguntando, me transformando também pela beleza delas, me via contemplando-as e pedindo ao que quer que fosse, que nunca me tirassem esse jardim, pois desde que ele chegou ali, me mantinha mais viva com suas cores, seus cheiros ...

Tirei muitas fotos das flores, as guardei em albuns, em murais, em memórias, queria ter pra sempre a lembrança delas em seu formato mais pleno, mais forte, mais belo. Volta e meia lembrava de como havia sido o início, como elas eram botõezinhos tímidos, desengonçados, ainda tão verdinhos, e aos poucos foram virando Rosas, Camélias, Margaridas, Orquídeas, Violetas, Girassóis tão lindos...

Cheguei a filmar as flores, havia reparado que às 5:10 da tarde quando o sol se repousava oblíquamente sobre elas com seu amarelo, lhes dava uma cor tão especial que era como se eu pudesse ver sob aquela luz tudo que cada uma tinha vivido até então.

Depois de um tempo, fui sendo tomada por um medo horrível de que as flores murchassem, de que a terra secasse, ou de que meus cuidados não fossem suficientes. Comecei a temer perder as minhas flores, vê-las se transformar em plantas enrugadas, que não brilhassem mais com o pôr-do-sol ou com as histórias que eu lhes contava...

Fi então que comecei a perceber que o jardim existia além de mim, que ainda que eu tivesse todo cuidado com elas, vinha um vento forte, um dia seco, a água que não era suficiente ... Notei que elas continuavam lindas também em minha ausência, e que sabiam voltar-se para o sol se precisavam de luz o ir mais fundo na terra se buscavam água...

Vi que, além de mim, haviam muitos pássaros por ali que as vinham visitar, até cortejar, e que eles espalhavam seus pólens por todo o lugar, depois de mais um tempo, os tantos cuidados além tudo pelo que passavam ajudaram a fazer-las fortes e permitiu que elas mesmas descobrissem suas formas de"acontecer" no mundo, com os pássaros, com as formigas que carregavam para longe as folhas antigas e as pétalas que caíam, com as árvores de quem aproveitavam as sombras, com o Sol, de quem tomavam a luz, até com o vento que levava embora os insetos insistentes, com a água da chuva que caía doce sobre elas, as deixando ainda mais vivas...

Aos poucos, comecei a frequentar menos meu jardim, notando que, para além de mim, elas eram lindas as minhas flores, e que cada uma a sua maneira, continuava ali, forte e viva, ainda sem meus cuidados, percebi que cada uma cultivava agora novos brotos ao redor, que em breve virariam lindas flores também, e que cresceriam todas e se renovariam e seriam as mesmas e tão diferentes com o tempo...

Depois de observar cuidadosamente como elas estavam lindas e independentes, vi que era hora de deixar o jardim, jamais abandoná-lo, mas deixar que vivessem livres e lindas as minhas flores, cada uma com sei jeito de levar a vida e transformar sua beleza, deixá-las tranquilas com as forças da natureza, que elas mesmas sabiam muito bem o que fazer e como melhor lidar...

Deixar para fazer-las florescer ainda mais, com mais brilho e intensidade, mais destreza e força. Levá-las comigo em coração, em todas as memórias, em todos os filmes e fotos apenas; levá-las comigo, para agora, eu mesma descobrir como viver longe do meu jardim, carregar cada perfume em meus póros e sair pelo mundo desvendando seus mistérios. Senti-las viver e florir ainda que de longe e ter certeza de que tudo está bem, aprender com elas como ter força, intensidade e destreza para procurar o que se precisa, o que se faz bem e ainda levar a beleza incomparável de ser única.

Soltar o meu jardim e ir para longe, livre e levando tudo o que meu jardim criou em mim, notando que enquanto eu acreditava dar todo o cuidado e carinho, recebia de volta ainda mais, recebia ainda tudo aquilo que agora me despertara, me impulsionava a ir, a viver, para florescer e para voltar ainda mais flor e ainda mais forte, como as minhas flores, as flores que ficam nessa imensidão de jardim e que vão comigo de corpo e alma e perfumes e cores e delicadezas e espinhos e beleza e tanto mais ...

mardi 17 août 2010

Demorei de ir por suspeitar que não iria mais voltar.

Agradeço por saber e sentir forte o chão de barro de onde eu vim
e o cheiro de mar.

"Dia dos Pais" OU "Criança de mim" OU "De quando eu subia em seus ombros" OU "Poxa, como eu te amo".

Para alguém como você,

Eu não poderia só um bilhete escrever,

Pois sei que nem uma carta pode conter,

A felicidade que é ter um pai como você.

Que me ensinou a andar, e desde então,

esteve sempre por perto para a minha mão segurar,

Até quando meus passos não eram os que você queria ver,

Nunca deixou de sua mão me estender.

E sempre que a sopa foi ruim de tomar,

Você tinha um chocolate para me dar.

Foi você quem me ensinou a mergulhar e

Não desistir de alcançar a areia no fundo do mar.

E eu sempre soube que poderia ir até lá,

Pois com você por perto nenhum perigo ia me tocar.

E em seus ombros tantas vezes eu passeei

E tantas gargalhadas dei,

e na piscina grande ou de plástico brinquei.

Sempre com a câmera a postos e mesmo sem estar,

Você sempre filmou tudo,

Soube de tudo, entendeu tudo só com o olhar.

Até mesmo meu jeito engraçado (desengonçado) de lambada dançar,

E assim fui aprendendo integridade e amor,

E matemática, com (pouca) paciência também,

Mas sempre com o cuidado e a alegria que me fazem tão bem.

Aprendi que às vezes o coração é frágil,

Mas que ele se engrandece com zelo e cuidado.

E qualquer batimento errado,

quando se tem uma família por perto

Pode ser curável.

São tantos os anos, as lembranças e as presenças,

Que nenhuma carta suficiente iria ser,

Pra eu poder descrever o tamanho de meu amor por você,

E à Deus eu tenho muito que agradecer

por estar mais esse dia com você,

Lembrando sempre de aproveitar cada instante e cada lugar,

Em que um abraço eu possa te dar,

E pedir que esse amor, (respeito, atenção, cuidado e carinho...)

Possam sempre me guiar.

Te amo, pai.

vendredi 30 juillet 2010

Do medo.

Buscar aqui o que perdi,
E esses olhos me fitando firmes e seguros, me deixando ver ao fundo da retina,
o mar de ondas fortes em ventania que me ergueu.

Desafiando a dor, a solidão, as verdades,
tragando o gosto denso, carregando dessa tal coisa vida.
Vacilando entre holocausto e delicadeza.

Deixa marejar e não escorrer, porque tudo é forte,
brusco demais e preciso, e exato o momento do sim
Para não hesitar, nem tropeçar na dúvida.

Só fincados o coração, mas flutuando e presente,
só o que resta e não se rouba do homem: a paixão.

mardi 29 juin 2010

Bandeira que me prende.
Me lambe dos pés à cabeça.

dimanche 27 juin 2010

Presente de São João

Eita mania essa de fantasiar!
hoje eu pude imaginar
que essa noite ia acabar era num outro lugar.

Pois que se eu chegasse mais de junto,
A gente ia então prosear
E quem sabe, até,
acalmar a ventania desse lugar.

Que São João é boa coisa,
Mas sem fogueira, quentão e mugunzá...
Na capital é difícil passar...

Mas como que sem hora,
Que danadice essa de me avexar,
Com qualquer presença, menção ou sinal
de quem não conheço já,
Que duas palavras, sequer,
são é difíceis de trocar...

E aí,
chegando em casa
enquanto o sono foi passear,
me resta só é lhe comunicar
os pensamentos que por aqui vieram anuviar,

e dizer que da próxima vez,
eu vou bem é lhe chamar e
nem que seja uma carona
eu vou lhe dar!

mardi 22 juin 2010

Incansável leveza.
Tem gente que é assim,
vem ao mundo para fazer sorrir.

lundi 21 juin 2010

Molhado céu

De quando em vez
tudo é silêncio
Rarefeito ar
que para respirar,
quieto e umidificado se faz.

No longe só cheiro de manhã,
depois de noite chuvosa,
As flores ainda dengosas a se despertar.

Os olhos não repousam,
mandam recados atentos,
sem tilintar, sem ruidar,
voam despersos sobre as janelas.

Ter silêncio é guardar o mundo,
ninar quieto os amores,
guardar forte os sabores,
sorrir e deixar passar...

lundi 24 mai 2010

Liquidificar

Deságua em mim todo acerto,
de moinhos e vento,
girando em água para liquidificar esse peso.

Cair de cabeça nesse mar,
desembocar em oceano,
cortar ao fundo essa liquidez,
me fazendo em escamas de pele doce l
eve que desliza em poça de saudade.

Deixa cair dos olhos,
engolir na boca, esse gosto incípido,
inodoro.
Me entorna em desejo,
cobrindo todo esse corpo fraco,
levando cada gota ao limite de mim.
E tudo em volta será água.

dimanche 2 mai 2010

Até logo, adeus.

Foi-se em vão
Deixou um vácuo,
Um vão, foi-se em vácuo.

Sobre a mesa as chaves,
a despedida no cartão
e o velho violão remendado.

Passou os olhos no que ficou,
Respirando fundo seu amor,
Para não ir além do nó o que abandonou.

Levou um coração ao meio,
Algumas roupas novas,
Deixou uma vida e meia
e algumas velhas histórias.

Abraçou o medo
foi dele companheiro,
guardou a promessa e o antigo abraço,
Deixou seu cheiro e mais alguns retalhos,

Para não deixar esquecer
que ainda são seus
todos os encontros de céu com mar
nessa longitude - latitude
que é sempre seu lugar.

dimanche 11 avril 2010

Deu branco.

Sobre o que eu falo?
Sobre o que escrevo?
O que é escrever?
Quem escreve?
Escrever dá conta de que?
Escrever dá conta?

Há algum tempo não sinto o gosto das palavras, nem sei o porque delas existirem, começo a desbotar o grafite, a tintura sendo molhada desfaz os versos solitários, que caminham sem propósito de ser, com suas trouxinhas de roupa presas nos cabos de vassoura, povoando como formigas, em dias de chuva, a folha em branco.

Fui desaprendendo a girar o caleidoscópio, tudo agora é estático, nada se versifica.
Só congelo ... e ainda tem tanto para ser contado.


4 de Abril

Hoje voei,
passei entre nuvens,
as engoli algodão gelado que se desfez,

Virando chuva e cortada pelo sol
vi viverem as sete cores do arco-íris,
e as cruzei.

Viver faz todo sentido
quando se vê o mundo pequeno lá de cima.

mercredi 31 mars 2010

Cordão umbilical

Devo 2 compilações de palavras (porque não sei o nome que elas merecem) à minha mãe, mas sempre que tento discorrer sobre elas, minhas linhas se dissolvem e o amor não deixa.

Meus sinceros bilhetes de amor se transformaram,
Meus sentimentos não cabem mais em folhas de papel,
Os origamis que um dia dobrei, não encontram simetria,
Me perco em seus formatos, não decifro seus signos,
No tempo presente,
Editei a simplicidade de dizer 'eu te amo'.

Lonjura

Quem é da cidade, se acostuma com o canto,
cabe mudo em multidão,
dorme e acorda sem faltar.

Já quem vem do mato não quer saber de beira
todo o canto desemboca numa curva
que cai nos braços de um outro.

Assim, se dão sonhos inevitavelmente diferentes.
Um pra ter saúde.
O outro pra rodar o mundo.

Distância

Hoje minh'alma debruçou-se,
calma e branda
seus cotovelos sobre minha janela,

Num prisma translúcido, sussurou
Delicadamente em meus ouvidos:
- Ando tão ausente de ti.

jeudi 18 février 2010

Lembrança de carnaval.

O último retrato
tirei em álcool e suor
Quando de longe te vi,
de olhos apertados e escancarado riso,

De branco,
Abraço forte,
Os olhos desviando e encontrando,
por quase azar, o que não era vão.

Fez-se minha última lembrança
daquela terça-feira de fogo:
você calando ali a música.

lundi 1 février 2010

Odoyá

Amanhã faz um ano.

E o resto são só as dobraduras desse papel amassado

Amanhã faz um ano.

E as minhas roupas ainda tem esse cheiro,

Meus olhos derretem em seu amarelo.

Amanhã, joguei uma rosa ao mar e colhi solidão,

confusão, corrosão, coerção, compaixão, paixão.

Amanhã me dividi em fatias bem pequenas,

Milimetricamente ajustadas por lâminas frias.

Amanhã corri um tumulto pra te encontrar,

Abracei forte o gosto amargo desses braços,

A revolta seca dos lábios.

Amanhã desconfigurei as lembranças,

Tornei rotina ao avesso,

Caminhei contra o vento,

Senti o barulho cansado da respiração,

Senti secar o rosto molhado

Na brisa quente de verão.

Amanhã ainda tem gosto de sal,

Ainda tem flor vermelha ao mar,

Minha boca em câmera lenta

Dizendo não foi por mal,

Seu coração gelado me fitando

No nó apertado na guela,

A saída do carro,

O diz que não era pra acreditar.

Que amanhã faz um ano e tudo é tão fresco.

mardi 19 janvier 2010

Caiu em agonia,
constatando mais uma vez
que é assim.

lundi 11 janvier 2010

Instantes

De repente me deparei com o agora.
O momento exato em que tudo acontece.
Um clarão forte com cheiro de manhã,
sendo também madrugada.

Quando a mão tocou,
O olhar parou,
O coração gelou
As pernas tremeram
Cederam,
Correram.

O cruzar do outro,
O gosto que chega na língua,
E não se desfaz em verbo.

As bolas de sabão caindo do céu,
Meu doce mar de saudade,
Um algo que desponta dentro,
Mas não cabe em metro quadrado.

O instante do ato,
Que nem precisa ser de fato
Momento vivido,
Sendo talvez inventado
Mas vindo desse contato
Do mundo se imprimindo em mim.

Como forte ou fraco
Com contornos espessos e bem marcados,
Quando exploro o fundo
E me dou a sentir
Esse espasmo sem o quê, nem caso,
Que me espalha em
Traços,
Figuras,
Passos
Dando formato
A essa multidão que há em mim.

dimanche 10 janvier 2010

Eu sou virgem, ela é leão.

Foram anos de descoberta,
de criar e recriar teorias que circunscreviam o mundo,
imaginar sons,
ser derrubadas pelo mar,
dar as gargalhadas mais demoradas,
ver o filme que mais faz chorar,
se convencer a cometer erros,
se abraçar nos desalentos,
ter tantas paixões.

Tomar banho de água gelada,
descobrir aos poucos
e juntas
quem era quem.

Isso é de Fernanda,
isso é de Gabriela.

O tempo é magnânimo e cruel,
mas sábio também.
Algumas coisas precisam acontecer
para o mundo sacudir
e não esquecermos
aquilo que descobrimos quando éramos jovens.

samedi 9 janvier 2010

sensação

É botar na boca e sentir arrepiar o corpo.
é sentir cheiro e reviver história.
É olhar vivo e faltar saliva,
É ter medo e perder o equilíbrio das pernas,
É ...

Do desejo que escapole

Desejo é aquilo que desliza,
e que voltamos sem mais,
esquecemos também,
mas sabemos demais.

Desejo,
penso fundo,
entrego inteiro,
percorro tempos
buscando encontrar o meu.

Aquele que consagra milagres
e paixões,
costura o real em chão de taco.

mercredi 6 janvier 2010

O sopro e o arrepio

Desejei aquelas mãos
enquanto outras tocavam a pele,

senti aquela palma áspera e forte
passeando sobre meu dorso,
assim como senti seu cheiro
nos ombros,

cheguei a travar as sílabas entre os dentes,
pois, de certo,
desembocariam num corpo
que não era seu.

Aquela outra presença ia me enchendo
de você pelos póros e,
já embebida em sua ausência,
tudo o que queria saber
era o por quê de ali não ser você.