mercredi 31 décembre 2014

Translação

Levantaram-se os últimos raios de luz do dia,
este último desta jornada...
Despeço-me desde agora
até o seu pousar sobre as águas

Quando despejando seu alaranjado
ele nos relembrará dos suspiros
das presenças, das saudades,
das dores e dos amores
desses dias longos que se foram

Na quietude laboriosa e serena do peito,
lanço sobre o céu meu pulsar
de despedida, compreensão,
coragem e esperança.

Levemente,
após o negror estrelado
de desejos e sortes ao mar
Ergo-me e abraço
o novo grande giro
que já vem...


mercredi 17 décembre 2014

Passagem

Eu estive lá e vi o amor desfalecer em seus olhos
vi na esquiva deles a displicência e nossos sopros de adeus

Ensaio para PELE: 1o rabisco.

Infinitos, ínfimos buracos negros
donde  despontam fios
que eriçam ao frio
calor, lambida, júbilo,
ou outra forte emoção .

Cor de vida, de sol,
mais escura ou clara
preta, amarela, alaranjada...

O tempo marca aí sua passagem
em pequenas estrelas, grãos de beleza
que se espalham
em constelações inéditas
indecifráveis, intermináveis.
O pequeno microcosmos
da galáxia íntima
visível apenas a si
e ao que de tão perto digna-se
amor.

Os anos abrem-se em  fendas:
Contos vividos
registrados no desenho
de  traçado fino ou espesso
que desdobra sobre si mesma...
Na fronte, tensão  
Mais abaixo,  riso largo...
Nos olhos, atenção...
No tato gasto, as mãos ...

Reveste e contém
de paixões  a desamores
crueldades e lembranças

Envolve o mistério
do desconhecido pensamento febril
e seu peso absoluto
e variável em dias de sangue
graça ou desespero.

Aquece, aquiesce o outro
gela, agarra ou abandona

A mais ampla possibilidade
de contato entre duas ou mais solidões.
O abrigo silencioso profundo
vasto e  vibrante de almas.





Revoluções I

Quando meu amor me deixou, comprei um vaso de flores.

Oraiê iê ô

Ela diz que desce para banhar meus sonhos
eu aqui na multidão de uma mulher só
desperto com o grave de seu peso
a tocar tudo que é chão.

Gelada, deixa limpa minha pele
derramando suas gotas
lenta-descompassadamente

Meus olhos quentes esfriam dela
de sua coberta molhada
Silencia minha boca
encharcando lábios secos histriônicos
Percebo-a me tocando
Calo  o coração diante de sua beleza.

mercredi 10 décembre 2014

Límpida

Verde água,
claro,calmo,
espelho do sol,
do corpo molhado por dentro,
embaixo.

Longos cabelos,
azul claro em seus seios,
da boca, canto,
enlouquecedor, canto.

samedi 6 décembre 2014

Sinestesia

Essas são minhas notas de adeus
a contramão do meu desejo

E de  olhos cerrados, imagino:

- A temperatura que tens:
aproximadamente 36,8 graus

- O cheiro do teu suspiro:
água de côco

- O cangote:
céu azul, sol de verão

- A textura dos cabelos:
algodão, flor de laranjeira

-A pele do teu rosto:
Pétala de jasmim
...

Acendo os olhos. sobre o chão, o barro, a terra, meus pés, chão.
Caminho, te levo, te deixo.





dimanche 30 novembre 2014

Selvagem vida.

É uma estrada de barro
mais ou menos estreita
mais ou menos  vazia
acostamentos e valas
Assim pra baixo...
assim pra dentro...

É um longo ou curto caminho
E as árvores se sacodem
Umas folhas voam e se despedem
outras só ressoam o toque
de umas nas outras

É um sereno que cai
Uma escuridão vagarosa
tomando as vistas pela beira

Um vôo acendendo nos olhos
lá distante
e já  perto
nos ouvidos que dormem


A poeira subida que sacode tudo
e sua difusa fina existência de pó...
e o caminho é tão vasto profundo
não se sabe pra onde leva...
Nem se em si ou em que
termina

samedi 29 novembre 2014

Dos presentes pedidos

O silêncio voou para o telhado do vizinho
fez daquele canto vazio
seu ninho.

O menino disse ao velho barbado
que como presente
queria um ninho de passarinho.

Mas o certo é que
o menino queria mesmo
era o silêncio
E ver do alto do telhado
todo dia
o sol nascer e morrer.
E eu te digo sempre:
o melhor do mundo
é que ele é tão pequeno
quanto eu  e você.

mercredi 26 novembre 2014

sabores

A cor da fruta
é a cor do lábio.

Pitanga
Pitangueira
Boca vermelha

Açaí
Açaizeiro
 purpúreo beiço

O sabor da fruta
é o sabor do lábio

Pitanga: delicada, cheirosa, azeda
Açai: forte, presente, denso.

Loalização

Na nuca
Onde?
Na nuca
Onde?
Na nuca

dimanche 23 novembre 2014

Desenlaço a cintura
arrodeada pelas mãos
rodopio em seu eixo
deslizo os pés pelo chão

as gotas de sal nos cobrem
escorrem cheiro de sol
dançamos
asfalto mato
floresta afora

samedi 22 novembre 2014

Fragmentos oníricos de 22/11/2014

Havia um passarinho amarelo e branco,
que sobre meus ombros batia as asas
e me aproximava para perto do moço.
O rapaz de quem eu devia me aproximar,
ele apontava com o bater de suas asas.

Como se me desse o recado
e soubesse por onde
os rumos do coração fossem dar

Ao que eu mostrava o feito para alguém
explicava como o passarinho me levava,
agora um outro, agora verde,
tinha um prego entre as asas,
que lhe prendia o vôo.

Ele, agoniado, tilintava as asas,
mas não se movia.
Eu lhe segurei o corpo e arranquei o prego,
deixando-o  seguir  vôo.
Ele não se aproximou de ninguém
O segui com o olhar
 até que no alto,
ele se transformara em algo outro...
 uma mulher talvez, uma ninfa,
 ou algo solar...

lundi 17 novembre 2014

Inverso

Adormeci  e aos teus braços distantes
ali tão perto
disse adeus.

Reconheço nesses lábios
algo que não toco
não é meu
não sou eu.

A tempestade se anuncia
fecha o dia
e nela o prelúdio
da já antiga despedida

Ah estupidez,
Onde anda  esse peito
que não renuncia
a tanta ausência
reminiscência de um amor
que morreu

Eu antes aqui
diante de ti
te beijo a pele
o dorso

Procuro te acordar
te inventar um encanto,
um desencanto
uma fúria
te despertar
vida no olhar


Ela diz à serenata

Se a lua que minha é mãe
pede desta boca o uivo
solitário, certeiro
Eu a sigo e canto ao longe,
este minguante sopro
de adeus

O cavalo sem cela
e a raposas me fitam
se entreolham
e me esperam
eu os acompanho
no caminho

Sigo nua,
iluminada por ti
amada lua
nesta imensidão
floresta fechada
intempérie coração.

mercredi 12 novembre 2014

Ronda

Sigo tua sombra em silêncio, 
te rondo porque te tenho vivo em mim.  
E a perdida ingrata em teu peito sou eu. 
Que sussurra afagos
e em olhares perdidos lamenta ao tempo, 
as rajadas de vento úmido
que seca o suor teu em meu rosto. 

À noite, quando a lua mingua longe,
uma canção toca ao pé do ouvido 
e ela tem teu nome, 
um rastro de riso,
um susto inesperado no escuro. 

A dúvida que é dádiva
é a mesma que amedronta a alma. 

E meus pés teimosos não te deixam vagar só.

lundi 10 novembre 2014

Fragmento de Cassandra para Belona: o pesadelo

O que mais me atormenta é que ainda longe , aonde quer que eu vá você me persegue, você vive dentro de mim, seguindo meus passos, murmurando em meus ouvidos . Basta que eu sossegue qualquer instante  e te vejo: - silencio - imunda, os olhos borrados, o sangue descendo pelas pernas. Te vejo e essa imagem me enjoa... me apavora... maldita...  o buque de flores  mortas nas mãos, as maos manchadas , e eu nesse corredor imenso, sem fim. Eu correndo, você me perseguindo , e eu corro, corro, corro tanto,  -ela corre- até que os pés já não aguentam, as pernas já não tem forças, olho para trás e você quase me alcança, quase me toca, e eu correndo cada vez mais rápido nesse corredor sem fim, até que, sabendo que não vou mais conseguir, desisto, respiro forte e decido te encarar. Me viro. -Silencio ofegante- e primeiro vejo esses malditos brincos e quando finalmente encaro os seus olhos, lá dentro estou. Estou eu, eu... eu e seus cabelos são meus, sua boca é a minha, suas orelhas, sua pele. E acordo no súbito grito de pavor porque eu sei que você quer me devorar, mas você sou eu, eu, eu.
É preciso coragem para desbravar o abismo
(Seu e do outro )

Amor de pai

Quantas vezes fosse preciso
Eu cruzaria aquelas águas,
Buscaria areia bem fundo no mar
Para te ter aqui por perto sempre
A me guardar.

Minha casa vazia

Esta casa vazia me adormece os dedos
Esquenta meus olhos em seu silêncio.
Aqui habitam meus medos e receios.

Criei-me nesta casa
com a janela virada para o naccente
Na escuridão, trancava-me
Na solidão da vista que abria-se
Para a cidade e para ninguém

Hoje, depois de criada,
O silêncio que ja me foi caro
Revela-se densamente dolorido
Revira buracos em mim
Que jamais serão tapados
Esquentam os olhos até
Se revelarem em lágrima

E eu mais uma vez silencio
Permito-me na solidão
Apresentar-se o pavor
A saudade e a desesperança.

lundi 3 novembre 2014

Desceu os andares às pressas
passos largos pelo mundo
caminhou desenfreadamente
rua acima sob tempestade
cruzou a avenida aos prantos


para desaparecer assim
repentina
no meio do asfalto.

jeudi 30 octobre 2014

Retratos/Imagens contemporâneas

Imagem I 

Endireitou-se na cadeira pela quinta vez,
como se esta não lhe coubesse.
O incômodo que subia das nádegas
até o pescoço
revelava seu silêncio no corpo.
Não havia posição que lhe ajeitasse,
lhe acomodasse,
lhe aquietasse.

Imagem II 

A posição em contra luz,
permitia ver,
quase que em negra cor,
o branco da roupa
que se esforçava em ser vista branca
pelos olhos dos outros.

Mal sabia o velho
que para vestir branco,
é preciso ter,
além da vestimenta,
o coração quente,
os braços ternos e sobretudo,
amor.

(Anti) Imagem III

Dentro de si,
haviam frases desconectas
ou quase.

Dizeres fragmentados
ou quase.

Imagens soltas
ou  quase.

E tudo seguia em ciclos,
ou quase:
Não há palavra, se não há paixão,
não há gozo, se não há amor.

Não há palavra, não há paixão,
não há gozo, não haverá amor.

Selvageria e fome

O animal tem saliva escorrendo pela boca,
o líquido visgoso
escorrega vagarosamente
por entre os dentes,
desenhando sua boca sedenta
de bicho.

O olhar intacto,
impacto certo
fulminante

Olhos negros fuzilam
qualquer cheiro de sangue

Cheiro que é vida
Vibrando corpos
Vivificando na escuridão

A fúria  no suor,
na pele, no pulso
no coração arredio

Repele qualquer sopro
que o desvie da vontade
do núcleo
da fonte
da primazia do desejo

Todo o resto é uma lama preta.
os pés  fincados ao chão
não mechem nem uma gota, nem um passo
sua fúria contida no olhar, na saliva, no compasso.

Ele  frente a mim
Meu olhar se esgueira
dentro de si
procura refúgio no olho
de dentro da carne

Ele me fita e mede
Cheira ao longe
meu pescoço fino

Refletem-se em seus olhos
o pavor
a paralisia
o porvir distante
de minha inércia

Seu olhar me queima
sem encostar na pele
faz de mim fogueira
incêndio.

A saliva desce
vagarosamente queixo abaixo
va-ga-ro-sa-men-te
persegue o reflexo de seu corpo
no ar

para enfim sentir
a gota quente tombar
sobre os pés

E ali
Naquele instante  aturdido
Render-se irrompendo
na constatação:

O bicho sou eu.



dimanche 26 octobre 2014

Do desconhecido em si.

Me recolho ao silêncio desta noite
Onde a lua é nova
A estrada é nova
O coração antigo
Para buscar no doce
De tuas águas
A sabedoria que vive
sagradamente guardada
Em teus seios
Ancas
Em tua voz doce

Eu humilde me desnudo
Me entrego às tuas correntezas
Que se forem por bem
Serão calmas,
E se revoltas
Saberei da guerra e
Serenamente respeitarei
O que me é posto.

Recebo-te nesta noite
Em tuas gotas que escorrem de mim
Em teu silêncio
E guardo-te.
minha fortaleza
Minha sabedoria primeva
Meus seios,
Meu corpo de mulher.




dimanche 12 octobre 2014

Do eterno aprendizado

Poetizar: de virar poeta, 
fazer nascer o mundo, 
revirar as quinas m círculos, 
fazer labirintos, 
fazer palavra virar outra coisa, 
ainda que ela mesma.

vendredi 26 septembre 2014

Das enumerações

Enumerar virou questão de ser.
Em cadência.
Organizar-se.
Alocar o caos em números.

Particularmente vão III

Este imenso alto penhor, abismo,
pede perdão
por todo ato de amor não vivido.

Particularmente vão II

Este pequeno grande abismo meu
pede desculpas e derrama uma lágrima
por todo ato de amor não visto.

Particularmente vão

Este pequeno abismo pessoal intransponível
levanta uma pequena bandeira branca
e pede desculpas
e trégua
por todo ato de amor não feito.

Poema para Isadora

Das bailarinas que passaram
por mim,
tu foste a primeira
e a que ficaste.

Passaste do fundo dos meus olhos
fechados, distantes,
a circular as minhas veias, sangue,
Te espalhaste por todo canto de mim
e reservaste em meu peito
um lugar teu.

Eis que és, ainda hoje,
ainda sempre,
minha pequena bailarina
dos braços compridos, circulares
do tronco relaxado, do plexo
voltado para o ar, para a terra.

És ainda, aquela menina
de pernas cruzadas na sala vazia
que teme a morte
e que justo pois, celebra a vida,

Espero-te nascer todo  dia,
Isadora minha,
bailarina dos braços longos
arcs-en-ciel

Poema para Aurora

Hoje quis escrever-te,
aurora,
para ver-te nascer.

Luminosa, em meu ventre
ver-te, quando eu,  do alto
da minha pequenez,
baixasse os olhos.

Quis que nascesse em mim,
tu,
assim reluzente,
menina semente, amarela,
radiosa, luz.


mercredi 10 septembre 2014

Viagem sem volta II

Aqueles olhos verdes em mar
amarelos em terra
Meus cúmplices em todo ato
de amor e cuidado
Aqueles olhos me viram nascer
me fizeram gente
ensinaram-me os primeiros passos
Ensinaram sorriso e fé.

Os olhos verdes deram-me a mão
e me ensinaram
que as águas águas mais bravas
eram gentis
se o corpo soubesse se deixar levar
Os olhos amarelos seguraram-me a mão,
quando o coração desmontava em medo

Todas as minhas canções de amor
foram e serão tuas, olhos meus.
Meu mais nobre pedaço e minha gratidão

Desde que foram embora,
me reviro a encontrá-los...
como quem procura colo pelos olhos


Fecho então, os meus olhos
canto em silêncio nossas canções-olhares- de amor
e procuro aqui dentro
esses olhos de cumplicidade
que já não estão aqui fora, ao meu lado.
Suspiro longo e pesado de saudade




Viagem sem volta I

Ao redor, saudade
dentro, saudade
embaixo, saudade
Em cima, saudade
Saudade por todos os lados

mardi 5 août 2014

Em chamas

Guerreiro de peito e flancos.
Coração e pulmões
Em constante batalha

Se Gatos têm sete vidas e saem ilesos
Ele tem algumas mais,
Mas carrega consigo
as marcas de todas as lutas.

Uns traços no queixo,
outros no tórax,
Debaixo da pele mais cicatrizes,
 navalhadas e muito  amor...

Eu sou aquela que acena o lenço
e despeja lágrimas em sua despedida
E a que ao lhe esperar,
tem certeza de sua volta.


Tempo de delicadezas


O vento forte na cidade cinza
O sol vem leve trazer esperança
O Frio chega pelos ossos, pescoço .
As mãos se entrelaçam
Eu Mocidade, ela mais idade:
O calor entre nossas mãos
É feito de amor e fé...

jeudi 24 juillet 2014

Marieta cantou as desgraças dos homens
ontem e hoje
Passaram-se um, dois anos

Marieta sozinha e a catástrofe
Desce goela abaixo
amargando...

O sol da terra trincando no pino
Dia após dia
em chuva ou tempestade
O calor no lombo para lembrar

Marieta sozinha caminha para o mar

pedido maior

Deus protege
Protege, Deus
Protege
Deus, protege
Por favor, Deus
Protege?
Protege!

Deus, por favor, protege
nosso amor.

vendredi 18 juillet 2014

Recado dos céus

O fogo queimou os cabelos
e para apagá-los
à água entrou primeiro pelos olhos.

Deixou branco o sorriso nos dentes,
Amansou os braços
que descansaram sobre os ombros
da outra.

Ela olhava longe as luzes dos barcos
Imaginava o que os homens de lá faziam.
Viu-se seios sobre ventre
ventre sobre sexo
sexo sobre pernas
mulher sob braços descansados
do desconhecido fogaréu e água.

Os olhos d'água e os olhos de terra
sabem a densidade e a devastação
do fogo sobre os homens
sobre quase tudo.



Depois de tanto fogo
e água
e dança
só se poderia ...

Não
Não  se sabe o que se poderia...

dimanche 13 juillet 2014

Diário de bordo

D'água quente
da sede e da vontade
e também dessa
visgosa solidão.

vendredi 11 juillet 2014

Findou-se o dia
E enquanto promessas se quebravam
A lua  imensa nascia

jeudi 10 juillet 2014

É preciso se dispor a sonhar. Se não há sonho, não há vida.
Te digo, como se repetindo a mim, essas palavras consolo,
clichês de livros de se bem-querer.


lundi 7 juillet 2014

À meu irmão, com amor.

Sangue do meu sangue,
os grãos que caem no solo
seguem rumos tão distintos,
próprios...

Nossos caminhos são opostos,
nossas escolhas são outras.

Que o amor seja resguardado
e nos destroços da guerra
nossos corações não virem pedra.

Para sempre te levarei
nas minhas brincadeiras de criança:
O piloto do avião,
o dono da mansão.
Será sempre você,
meu irmão,
que a infância levou
que desencantou na crueldade da vida

Se por qualquer motivo
hoje não te reconhecer
Meu amor será a saudade
do coração puro,
dos olhos molhados,
do perfume [seu que eu deixei] quebrado,
das brincadeiras vespertinas,
das bobas brigas
de nosso amor.

mercredi 2 juillet 2014

Para um pássaro triste.

Pai,
Sussurro em teus ouvidos
Sempre que te abraço em silêncio:
Te mostro a cor do céu
E do mar quando se beijam
Docemente no horizonte;
Te dedico pelos olhos
Esse amor imenso
Que veio de ti pra mim.
Te devolvo em meu olhar,
Na temperatura das mãos e do abraço
A alegria de ter a vida como palco
A felicidade de ter filhos
e um amor que resiste ao tempo e às guerras ..
Respiro fundo e expiro essas e outras lembranças
para que não te esqueças do júbilo
que é ver cada aurora nascer ...

Pra eu te ter amor

Se te enlaço em meus braços
é pra não mais soltar.

Te contorno as bordas
não te deixo vazar

Amparo todos os teus passos
com minhas mãos sigo teus traços

Tudo sim,
Se antes me olhares de perto
de peito
pupila
iris
janela
alma
corpo
inteiro

vendredi 20 juin 2014

Desencantamento do Mundo
é um senhor velho e carrancudo
que mudou-se para a casa ao lado.
Vez em quando, abro a porta
e percebo seu olhar enrijecido e gelado
me fitar por detrás do olho mágico.

Vez ou outra, já em casa
quando deixo o cansaço pender-se
sobre os ombros,
sinto ainda sua presença,
como se estivesse na cadeira ao lado
a me fitar
de novo e de novo...

Tão perto que gelo de pavor
que ele toque em mim.

samedi 7 juin 2014

Bilhete

Amor,

o café ainda está quente,
o pães no forno,
na mesa,
o queijo, os biscoitos
e a saudade.

Te escrevo na distância,
e te peço:
volta pra casa

dimanche 11 mai 2014

A luminária vermelha

A luminária vermelha
era contornada por vidro
seu interior ficava então
transparente

Eles formavam um hexágono
que protegia a luz da luminária
e lhe garantia alumiar

A luminária vermelha
ocupou a estante da cômoda branca
desde o dia que ganhou vida

Mas no fundo e até hoje
a luminária vermelha
carrega em si
a varanda
onde nunca habitou


Ainda do vento

Queria que parasses
de gritar aos meus ouvidos
os berros do que já me causa horror

Queria só que me acarinhasses a face
enxugasses o corpo
fosses morno nos dias de frio
e fresco nos de calor.

Vento forte causa de morte

A cadeira agora vazia
Está repleta de ausência

A ventania que corre nas ruas
De minha cidade esses dias
É do mesmo cinza
chumbo manchado do silêncio
Da perda, da morte
Aterradora, imperiosa, tirânica.

A janela batia forte
Empurrada e puxada pela força
Dos ventos
eu dormia sem saber
Que levaria almas
Em seu furacão
Mas esse é o sempre

Ficam: a cadeira,
a voz doce da moça
 (e que voz sua irmã teria?)
Os olhos tristes do cão
o desconsolo da mãe
A dor da impossibilidade
Da ultima vez


jeudi 8 mai 2014

Sol é mudo

Era perto das cinco
quando o sol descia calmo
por detrás dos montes
da mata onde
íamos para respirar

Era quase cinco e quinze
e nossos corpos deitavam
sobre a pedra
colchão ingrato
esperando dia e noite se abraçcar

O acalento das águas
em meus ouvidos
me levavam embora
ninada que eu ia por ela
e o vento minha coberta
me amolecia sobre a pedra

Ali adiante
você deitava
seu corpo solidão
se esparramando
sobre a saudade...
lembrança...
minha presença...?
quem saberá...

Era quase cinco e quarenta
quando de um sono leve
você despertava
E de lá longe se aproximava
encostando devagar
 a mão esquerda sua
sobre a direita minha

Pouco antes,
cinco e meia talvez
eu já havia percorrido
castelos e jardins
já tinha visto o dia morrer
e nascer em mim,
já tinha sido assustada por um leão
que se tornara amigo
e por ele tinha sido levada
até a beira da queda...

Mas agora,
que você chegava,
eu tinha só os olhos cerrados
e todos os poros abertos
para sentir inteira
sua presença quente
encostar na minha

Víamos dali o sol se despedir
em silêncio,
com as mãos em concha
e com segredos
jamais revelados.
Éramos juntos
no escuro das horas
na quietude do toque...

e o dia virou noite.

jeudi 1 mai 2014

Íris & pupila

Os olhos meus
que de te desviam

De longe, te perguntam:
- Então, como foi o dia?
Imaginam respostas ...

Criam histórias,
percebem o cansaço,
alguma  tristeza,
o intento de um abstrato
abraço

Reconhecem a calça antiga,
dos tempos de outrora,
criam cenas de um encontro...
e suspiram
o desalento
e a saudade

Em seguidao,
eles cabisbaixam,
respiram fundo
e seguem

dimanche 27 avril 2014

Das Penas ao Mundo Virtual / ou Do Tête-à-tête ao Écran-à-écran

Quando o mundo era feito à mão
os corações eram mais quentes.

Lápis e tinta são mais densos
que telas e teclados.

Me recolho ao silêncio
do desencontro
E daqui percebo

Cada um de nós
implode solitário
e frio
em seu berço esplêndido.

mardi 22 avril 2014

Chega mais perto o ouvido
e daqui te conto os mistérios
da lonjura dos olhos
dos corações feridos
dos horizontes em água...

Quem sabe então
saberás onde repousam
os pássaros e as mulheres...

lundi 14 avril 2014

jeudi 10 avril 2014

Du balcon, je vois la ville

T'en sais rien,  mon petit
des chemins deserts
où je marche les soirs
de la solitude de ces mots
de la perte de ce coeur

T'en sais rien, mon grand
de la distance du vide de ces yeux
Du desire qui circule ce sang...

Il n'y a que cette absence bruyante
Que fait compagnie à cette âme
Il n'y a que ce silence saveur
de l'abisme...

Je ne peux rien d'autre
que cette tragédie ...

lundi 7 avril 2014

"Muita gente desconhece olará, viu? "

Desacostumando da sombra
o sol faz espremer os olhos
castigando as vistas

Cegar ou ver demais?
Nos perguntamos
no domingo à noite
Enquanto os anos,
escritos mais na carne
e na retina
que nos versos
seguem desenhando
seus rumos.

E já não temos mais 16 anos
nossos olhares de desinocentes
nos revelam
no sadismo dela
em sua fragilidade
em meu desassossego.

Logo ali no dorso
do pé esquerdo
a marca daquele dia
em que abrimos mão
do nosso mundo,
o que já não nos cabia.

E antes dessa,
através dela e depois
outras marcas
de quedas, arranhões,
lágrimas, amores,
perdões, culpas, desastres.
Ainda outras tantas virão...

Ver-te aqui ao meu lado
se perguntando sobre
tudo.
Lembrar-te no banco
do metrô na madrugada fria
Ter-te perto
Em toda difícil doçura
forte delicadeza.

É saber ainda um pouco mais
de mim
De quem fui
fomos.
já tendo quase saudade
desse instante que se esvai
enquanto rememoramos
essa eterna reconstrução
de nós...

E sim,
que nãos nos esqueçamos
nunca
Que se por acaso
nos perdermos
a gente se procura.
Mas a gente se procura
muito.

samedi 5 avril 2014

Lá longe um navio
a noite escura
as luzes do cargueiro
alumiando a vista...

Uma quietude distante
Uma quietude aquosa

Lá longe um navio...
Uma solidão
uma partida...
em breve uma chegada...
lá longe

lundi 31 mars 2014

Aconcheguei-me de lado,
mão esquerda sob a cabeça,
dedos emaranhados aos cabelos
quente, respiro, suspiro,
vou desacordando, desamparando...
Cheiro de sono
é quase floral-cítrico-doce-lavandar...
Ponho-me entregue até o despertar...

Cafonice meninice

Amor,
Quando ler essa carta,
volta correndo pra casa,
te espero acordada,
antes da madrugada
antes de mais nada...

Laroiê

A bocado mundo abriu-se
E meus poros ergueram-se

arrepio

arrepio

Arrodeia-me, bará

Escuto o mundo

Escuto o mundo em mim
Caos em tudo

"Um corpo sem Exu é um corpo em coma"



Amarelo Ouro

A dona da minha cabeça tem olhinhos oblíquos
olhos de ressaca de mar...
correnteza doce sobre esses furacões.
Quem é traiçoeira, eu lhe pergunto
serão eles todos
ou ela só em sua doçura ilusão ?
Quis-te tanto amor
que agora
só tenho enjoo
de querer

Quero agora
só boiar
da barra até itaparica

Ver onde o corpo vai me levar
O mar

Hasta luego

Deixar ir
é quase parir.

O mundo
O novo
o re-começo

Deixar
ir

samedi 22 mars 2014

Km 17

Cruzar as ruas engarrafadas e
chegar até...
itapuã.
Estar em itapuã
Respirar itapuã
Me despedir de novo
de itapuã

Mas sem antes
notar
como eu fui
feliz ali

jeudi 20 mars 2014

Desabitando

Me desculpa o desarranjo, senhor
Há qualquer coisa em mim
que cisma em esbarrar
derrubando todo o entorno que há


Perdoa o desconserto, senhor
há qualquer coisa de desencaixado
em mim
que cisma em não se ajustar

Peço passagem para ir, senhor
há qualquer caminho
dentro de mim, senhor
que precisa se traçar...

Volto mais a tarde,
quando todos dormirem,
e só o silêncio puder me acompanhar
Vão

mercredi 19 mars 2014

amanhecer de lua cheia

O sol nasce a 183 graus
em oposição à lua cheia
Eles se encaram na aurora

Ela vai sumindo enquanto ele desponta rei
Ela, que era imensa,
vai se escondendo longe, diminuindo...
Até quase desaparecer.

Ela dá espaço para ele tudo queimar

Exposição

Despiu-se
era assim:
homem nu desarmado.
alguns arranhões antigos
no rosto
nas mãos ásperas
alguns calos

No peito
levemente à esquerda
uma cicatriz profunda
fechada, larga
e eternamente dolorida.


vendredi 14 mars 2014

Corpo abissal

Abissal somos nós
Não o mundo
o penhasco
Ou o mar

Somos eu , você
E esse peito aberto
 escuridão

mercredi 12 mars 2014

Ja é madrugada
quando em seu colo
ela serena...

Sereia e caçador
cansado de guerras...

Um carinho no cangote,
alfazema dela
nas mãos dele

Silencia o mundo,
a revolução acontece

lundi 10 mars 2014

Encontro/ Desencontro

Silêncio iniciático
vs
Louca dispersão.

Essa é nossa versão.

Drama para que te quero coração

Um soneto de Shakespeare,
Um poema em gratidão,
Um espelho...
Esses e mais
alguns (des)casos
me fazem chorar nesses dias
de fim de verão.

Amor maior.

E sei de toda essa vida
no sorriso
no afago
no afeto
no colo pequeno
Na gargalhada inocente
Nas mãos pequenas
entre os fios de cabelo

A pele lisa, fina, suada.
O amor, o mais profundo.
Eterno, incondicional,
Sem hora, nem data
Sendo
Agora e sempre.
...

No colo pequeno
Nos olhinhos miudinhos
nas sílabas indecifráveis
no abraço
no afago
no afeto
Toda essa vida,

Eu sei.

Memória

Da árvore de algodões, busca vida
O rio, o sol, a argila
O piano
As palavras de açúcar sobre o sono pesado
Tudo é passado


Anoiteceu, vasta solidão

Sobre a grama verde e as estrelas desse hemisfério sul.
Tenho a ti, a mim e nada mais.
Peito pesado neste solo tropical úmido
arrepio todo na imensidão do colchão terra.

Sei-te aqui todo o tempo
Neste imenso vazio silêncio
Ouço a gota
a mesma
que cai do último andar
da frestra desse penhasco
vida

Sou eu essa fresta
essa gota
e toda a imensidão terra chão
que a suporta.

jeudi 27 février 2014

flor Maria

Minha orquídea,
rara flor
floresceste.

Tuas pétalas cintilam
Teu caule verdeja
como nunca dantes.

Ver-te assim
tão vistosa
após este longo inverno
enche meu coração
de esperança
e amor.


lundi 17 février 2014

Loboratoriando

Meu corpo-casa quer construir suas paredes de movimentos no ar.
Este é meu abrigo invisível no mundo.

Sambas de uma noite de verão

Encanta-me o cheiro do verão
Encanto-me toda de brisa amarela
En(qu)(c)anto sambo
para a lua grande.

De la doçura ou de la proximité des lettres.

Papillons.
Paupières.
les prémièrs, colorés,
volent sur le bleu du ciel

les dernières, noir et blanc,
atterissent sur le chaud de tes seins.

Pálpebras

Pálpebras:
O cansaço do olhar...

(pausa)

da vida...
se expressam aqui.


Paupières:
La fatigue du régard...

(pause)

de  la vie...
s'expriment ici.

samedi 15 février 2014

2013

Entre mortos e feridos
alguns nasceram
outros morreram
eu sobrevivi

jeudi 13 février 2014

Hiato

Lá longe
ouvi as folhas da mangueira
se esfregarem umas nas outras
foi quando percebi
o tamanho de seu silêncio.
da proa do navio
sopra o vento quente
de sal e suor
dessas noites
 intertrópicos.

Meus pés afundam
nas  argilas movediças...

Respiro fundo
o salitre
minha paixão
minha força
minha solidão

ouço as vozes
os tambores...
mais uma noite
de viagem começa
mais uma
única noite...

jeudi 6 février 2014

Até a alvorada

Querido,
As noites de verão
devem ser respiradas
profundamente.
A maresia morna
entrando nos pulmões...
e sentimos nos poros
o salitre das águas calmas
de todos os santos.

O cheiro de sol
deve estar em presença
nos cabelos
nos seios
no corpo.

Essas noites são para serem vividas,
amor,
guardadas
no mais sagrado
altar das memórias.

Noites de se entender
o calor
e as certezas da vida.

Assim,
Avisei ao marinheiro.
Amanhã ao entardecer,
no cais do porto,
ele deixará um barco,
duas garrafas de vinho
e um violão.

De resto, leve apenas seu corpo
alguma poesia
uns dois dedos de paixão ...


Du mystère et de la musique...

Tu te rappelle?
le jour quand on a trouvé le ton
sur le piano
nos coeurs avaient qu'un son
nos yeux un seul pont
entre moi et toi
rien était distant...

ils ne regardaient qu'au fond
d'eux même
et ses propres éclats umides...
Les petites gouttes d'amour
que de là jaillissaient...

Ce jour là,
tu te rappelle, mon coeur?
Quand on a été heureux...



mercredi 5 février 2014

Absence

Mon silence,
le plus profond
De son  bout...
Te dit
Tout doucement:
Bonne nuit...

lundi 3 février 2014

Deserto de gente

Uma multidão febril e tantos olhares perdidos.

samedi 1 février 2014

Perdi a conta dos versos que te escrevi
e a água doce apagou.
Foram tantas doçuras de amor
não ditas...
O pior dos consolos é
querer-te bem ou mal
agora e amanhã também

mercredi 29 janvier 2014

Adeus, bela traidora...


Você que é antiga,
tão jovem, tão menina.
Nascida na guerra,
movida de amor,
perdida no jogo
da carne, do poder,
do terror..
.
Viveu em mim
tantos meses cansativos
encheu-me de ousadia
Paixão, pensamentos exatos...
Conseguiu, me dominou...
Recebeu juras, presentes,
ritos do amor...

Me mostrou mais ardis que amor,
me confessei tão franca a ti,
Te mostrei meus monstros,
ofendi-me com tua companhia
de beijo dado ou recebido...

Fomos verdadeiras até o fim
mesmo com olhos que desviavam daqui e dali
Dancei a ti com meus braços,
meus seios, meu corpo.
Entreguei-me inteira à tua meninice guerreira...

Hoje me despeço, levando o que aprendi
de tua ruína, tua graça, teu amor,
tua verdade...

Um beijo e adeus...

mardi 21 janvier 2014

Aqui há.

Ainda que alguns versos sejam de tristeza,
mora em mim,
lá,
linda e  protegida,
uma flor em botão
Uma força
bruta e pueril
imensa
de vida
de amor
de poesia
rodopiando
em furacões
e erupções
derramando-se
líquida doce...

Lá dentro em mim
por debaixo
de todas as carapaças duras
moro eu.

dimanche 19 janvier 2014

Quisera eu despir-me ...
Quem dera eu fosse...
Quem sabe eu soubesse...
Quem soube todo esse tempo...

Quisera eu poder...
Quem dera ele tivesse...
Quem sabe eu aprenda...
Quem soube onde ir...

Que pena, amor
que pena...

dimanche 5 janvier 2014

Do equívoco III ou IV ...

Minha cegueira foi tanta
que confundi fogo com água.
Queimei as mãos
Acreditando 
banhá-las...

No entanto, ainda que 
em ordem trocada,
compreendi
que o amor
,esse, 
que emana de mim,
ele sim, é água.

E disse assim:
"Meu amor é água. Doce, salgada, delicada, intensa,forte, imensa, mar...."

samedi 4 janvier 2014

"Chora, menina"

A primeira vez que senti
Meu corpo
Inteiramente
Entregue
A ti,
Estava nua
E sobre você.

Meus lábios não conseguiam
Conter
O imenso prazer
Em te contar:
Eu finalmente
Te pertencia.

Vivi,
Sonhei
Pesadelos 
Te amei
Virei outra
Te senti tão amor
Como há muito
Não via.
Talvez nunca senão...

Meu corpo livrou-se
De ti
Há algum tempo
Ainda não encontrou
Lugar
Afeto
Amar
Em outro.
Mas hoje,
Pela segunda vez
senti
O que não era
para ter sido.
Abro as portas
Docemente
E novamente

te dou adeus.