mardi 30 juillet 2013

Da redondeza do viver

I
Havia uma tartaruga
sem vida na areia.
A morte da tartaruga e
Seu cheiro forte.

O mundo deixando
seus recados...
A vida acontece
no invísível.
Embaixo d'água
ou sobre a terra.

II
Margarida era flor
Deixou o jardim
Foi-se margarida.

Dias antes
chegava
o jardineiro.

Gael, sereno,
doce, menino.

Recomeçando tudo,
todo o ciclo.
Regando flores,
margaridas,
violetas,
rosas...
flores.

samedi 27 juillet 2013

Engano II

Onde se vê calma,
Há um inferno.

Superfícies de vulcão
São sempre
terrenos mansos.

jeudi 25 juillet 2013

Cuidado

Tiquinho mais de você
Mal nenhum ia fazer

lundi 22 juillet 2013

domingos e fins

A melancolia desponta
pelo filme na tela
pela tela em branco
pela ausência.

Outro dia
tudo era antes
quando eu
Outrora
Era tudo tão
Naquela época.

Hoje, agora
o domingo acaba
levando em seus braços
esse sem nome
que desce em lágrima
ou em aperto no peito
ou em saudade de nada.

Hoje, agora,
já virou antigamente
de novo...

Das conclusões

A carne antecede o verbo.
O verbo dignifica a carne.

dimanche 14 juillet 2013

"Como dois e dois" ou Caetano é uma grande companhia.

A música ia e vinha e fazia voltas em torno da moça.
Ela tinha olhos profundos e cansados.
Rodopiava sua taça de vinho.
Pés descalços, vestido comprido.
"Tudo em volta está deserto".
O resto já não lembrava.

Uma garrafa ou duas?
Quantos amantes?
Destes, quantos amores?
Quantos cigarros esta noite?
" Tudo certo"?

O tapete colecionava manchas.
Cada uma, uma longa, triste, feliz ou curta
história.
Ela rodopiava sua taça de vinho.
A lua esta noite era crescente.
Crescente como as incertezas.

O refrão era o único mote.
" Meu amor"
Mais um gole, um rodopio.
Mais um tudo em volta está deserto.
Mais um tudo certo.
Tudo certo...


Engano

Tanto ruído
por nada.

Pouco
muito pouco.

Quase nada.

Equívocos
não deixam nunca
de acontecer.

mardi 9 juillet 2013

Vi você de longe, sentado tranquilo na mesa do bar
Inclinei a cabeça, tentando encontrar seu olhar...
Nada mais ao redor precisava rimar,
insisti em me fazer, por você, notar
com tal certeza, só não perceberia, quem não fosse de acreditar em
ilusões, em histórias,  em canções em amar ...
usei os meus, os seus, pedi a bença de todos os orixás
sabendo que por alguma razão havia de ter cruzado seu olhar...

Segui com muita paciência todos esses anos
inquietude, ainda que momentânea teve seu lugar
levei outros rumos, outros amores; você, os seus, outros, outras...
Vida nem sempre espera o tempo do encontro, mas fiz com toda calma
aguardar...

Ainda me perco em seu tempo,
titubeio com seus sinais,
ando tonta com seus cheiros...
Há de haver deciframento para esse alfabeto,
inclusive para essas palavras que são só silêncio...
Deixam-me endoidecida de tanto pensar... mas
encontro você e todo o resto parece se acalmar...

Gangorra coração.

Oscilo meus dias
entre adivinhar você
e quando vai aparecer...

Distraio muitos instantes
com essa saudade-não-saber

Surge você
meus olhos amornam
emudeço
quase acredito saber
te achar

Some você
oscilo meus dias
entre adivinhar
sonhar
se vai
aparecer...

Surge você
com a notícia
de que vai
sumir mais

Some você...
Surge você...
Some cadê...
Surge ...