mardi 4 décembre 2012

Dor

Dor nas costas,
as costas levam o mundo,
o mundo que nem sempre é leve
dor.

Rima dor
com amor
Dizem que não há por quê rimar
amor e dor.

Ele s'en-dor-me
a-dor-me-ce
E em toda palavra há dor.
Talvez seja da dor,
sempre estar.


dimanche 2 décembre 2012

Somos mesmo todos sós.

Presente, amor.

Tudo o que ficou para trás são restos e cinzas mortas.
Que o vento já soprou tão forte, já levou há tanto tempo embora.

O presente é vivo, me envolve à noite em seus braços, esquenta minhas mãos,
consola meus infernos. O presente só não sabe quão grande ele é, quão real o sinto em mim.

Segue tecelando,  dia após dia, um emaranhado delicado de amor, de cuidado, sigo costurando nele todos os pontos de fé, um botãozinho de vontade, um outro de paixão. Meus olhos só existem para ele, que me cura da solidão, me acende os dias com sua doçura, me dá vida com suas mãos.

Mas o presente me escorrega, insiste em se voltar para trás, em buscar em cinzas mortas um resto de fogo para provocar incêndios. Ele não sabe, não se sabe, nem me sabe. Não entende da dureza de viver e de apagar incêndios. Logo ele, presente tão meu, não vê que o único fogo que há em mim é dele enfim.

Presente, amor meu, que distante seja todo desfalecer, toda dor, que presente seja só a força, a beleza do nosso amor.