Ele senta na porta de casa todo dia que chega da lida, geralmente com o pôr do sol. Acende um fumo, pensa na vida. Nessa hora passa por dentro um sofrimento que não é sofrimento, é mais um alívio de ter acabado o dia. Não sofre não, agradece estar vivo.
Uma tragada e a tosse grossa saindo junto com a fumaça. Não tem mal tempo, acorda às 4:30 da manhã, inchada de um lado, facão do outro, tem que ter mãos fortes e grossas. Ele não estranha o trabalho. Não brinca em serviço, nasceu no mato e sabe diferenciar tranquilamente cascável de jubóia, mutuca de mosca de fruta.
Senta no batende de cimento e terra, calça encardida, mãos amarronzadas. Tem sertão em seu rosto, em cada marca nos braços. Tem a fome de todo seu povo, a sabedoria de existir sem se perguntar por quê.
1 commentaire:
Aplausos para esse.
Arrepio para o outro.
Alegria de ver o movimento!!!! =**
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