mercredi 23 avril 2008

Automático é preguiça e é verdade.

Invadiu meu travesseiro à noite, veio em figura, em vários, em silêncio em olho cheio e grande. Bonito e só, calado, me faz, sem rumo, não ser, não vai, não quer, não foi, deixou. Fiquei.
Enorme, de braços grandes e quentes, boca de fumo, cheiroso, entorpecente, mata e acorda.
Vinho? pode ser, mas onde? Me diz que sim, que não é aquilo que pensei, o que pensou?
Eu encarei, encarei até não poder mais ver, circundei, segui, fui atrás, encurralei, como se não fosse deixar passar, mas deixei, como deixei. Parou, me conhecia? Disse oi, por que não? Quem é? Não sei, e você? Também não sei. Parou, mentiu, olhou nos olhos, fingiu que não via, mas sabia que sim, era ela, era eu. Encarei sim. Fui até chegar perto, sentir respiração, sentir cheiro, sentir gosto, senti vontade.
Encontrei outra vez, algumas vezes, sem tia morta, com tia morta não fui, fiquei. E mudou tudo, virou sombra, fantasma, lembrete de geladeira encrustado para sempre em sonhos e dias de festa. Olhei dentro de novo naquele dia. Abraçou de verdade, é de Oxossi, ele tem ciúmes, Oxossi. Os dois Oxossi? E a combinação se dá onde? As guias estão no pescoço e no corpo. Quente, sujo e cheiro bom. Eu fui lá, olhei de novo, escrevi o que não devia, olhei de perto e de longe, fingi que não vi, morri por dentro, gritei só. É Oxossi, só pode ser filho de Oxossi. Brinca de dizer a verdade para mim, me diz algo, então. É bom falar por que? Tá sossegando por que? Onde eu não fui? Por que parei?Para arrepender?
Tenho agora, vez ou outra, sonho encardido, bom de acordar e respirar fundo. Guarda pra sempre escondido, não pode mais. Volta tempo?

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