A origem do mundo é um quadro
Pausa do olhar no eterno movimento de nascer e morrer
Um buraco, não
Uma passagem escura
Silenciosa e desconhecida
Se recolhe em si mesma
Para gerar o futuro.
Escorregam águas leitosas
Rubras, caudalosas, negras, translúcidas
Entrelaçam-se morte e vida
Mês a mês no interlúdio da dúvida do por vir
Entre minhas pernas
Entranhas estrangeiras nascerão
A origem do mundo é a origem de tudo
Do nome que ainda não saiu de minha boca
Do amor do pai que não sente,
Sente? mas vê
Do descomunal que separa
O antes e o que virá.
Virei
Passagem e encarno
De pernas ossos veias vias abertas
por tantos meses quanto
Quiser o destino
A tessitura densa de bordar
A partir do que fora meu corpo
Um outro
Mundo a que darei origem.
Eis o quadro.
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