Como te nomear se nunca te vi?
Ainda nem sinto você me dizer
se gosta assim
ou de outro jeito
não sei o formato de seus olhos
se sua boca parece com a minha
se temos o mesmo sorriso
ou a mesma alegria
Como te dar um nome se não sei nada ainda?
Sei apenas da mudança
do descontrole do corpo
da natureza imponente e exata
Te daria pois o nome de Revolução?
Combinaria contigo, já que revolução é sempre mulher
Tentemos assim, então:
pequenina revolução, assim te chamo e já te amo pelo que é
e pelo que virá.
Ou te chamaria Mistério?
Cabimento justo nesse tempo do desconhecido,
Aceito Mistério e respiramos fundo todos os dias
Perguntas abertas ao infinito
Respostas dispersas no tempo.
Ou te chamaria Tempo? Que em si contém Mistério e Revolução?
Entraríamos aí em acordo cósmico?
Numa via láctea explodida em meu baixo
(v)entre,
te (entre)vejo,
Tempo, minha filha,
que é revolução e mistério crescendo em mim.
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