mardi 1 juillet 2025

uma carta para Joana

 Te escrevo com os olhos e os braços a cada madrugada, te ver repetir, encaixar, caminhar, viver, me enche o corpo todo de uma alegria desconhecida. Você é meu destino e minha alforria, ao tempo que minha fuga e minha prisão. Me desvelo na tentativa da perfeição para inutilmente deixar o mundo bonito para você. Enquanto te levo no colo, vou abaulando as quinas, retirando os cacos, os estilhaços, limpando o céu. Assim, enquanto eu te levo, você verá o sol e em seguida as estrelas e seus pés não conhecerão a dor. 

Mas eu duro alguns instantes na linha da vida, minha filha. Instantes que, oro, sejam eternamente resistentes para te fazerem lembrar até o último suspiro, que a força está com você e que vale tanto, tanto a pena viver. 

Te quero bem, desde antes de conhecer o que era esse amor. Quando te senti mexer na barriga, deitada na grama numa tarde de sábado, foi quando trocamos as primeiras palavras. Desde então, você vem me ensinando também como estar nesse mundo de outro jeito, dando absolutamente importância à delicadeza do encontro, do simples, de brincar de se esconder até às cócegas na barriga, da lagarta na ponta da orelha ao boi da cara preta. Cada instante que vivo contigo, me ensina mais sobre ser gente e fazer parte de uma irmandade, chamada humanidade. 

Quero te ver alegre e bonita, com a cabeça firme, o coração valente e cheio de amor. Que não te falte esperança e cuidado, e que você consiga aprender com a vida o que eu não conseguir te mostrar, mas que esse aprendizado não te doa tanto, mas que doa o suficiente pra te fazer forte. 

Essa é uma carta sem fim, como não termina nosso caminhar e nem as palavras que tenho para te dizer. Espero que esse pequeno compilado te encontre em todas as horas que você precisar, e que, mais do que ele, meu abraço seja sempre sua casa e seu acalanto, meu amor. 





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