Minhas mãos escorregam pelas letras
Meu corpo, um dicionário
De uma língua desconhecida
Um dialeto perdido
No meio do mar
Te encontrei
era verde cintilante e você não me via
Eu olhava firme sua ausência
Te buscava longe
naquelas retinas vazias
Tudo que há é pelo amor
Se constrói
Destrói
Reconstrói
Esvai.
Fica.
Segue um silêncio daquelas águas
É difícil chegar ao fundo
Os corais vão até mais longe
Não se deve pisar nos corais
Embaixo dos seus pés
Um coral esmagado
E aquela maré rasa
Aqui não tem ninguém
Não tem problema
Só o céu e a lua
Perdemos os óculos
Foi o presente que ela levou
Isso tudo era sobre outra coisa
Uma pena
Eu disse
Você disse
Nós dissemos
Uma pena
Numa linha invisível que costura
Os corais,
Sonho.
É quando revivo
Acordo em outra vida
Outras letras
.
.
Outro adia quem sabe
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