lundi 12 juillet 2021

Oh rio

 

A máfia que te toma,

Por uma letra seria magia 

E esse destino destruidor não te assombraria 


Na mesma esquina em que cantamos 

Malandros, boêmios, 

Sambamos os pés, gingando quadris

Na pedra, na areia, na praça 

No mesmo abraço do Cristo no alto

Do pão que é cada vez mais pedra

E menos de açúcar 

Andamos agora apressados pelo medo

Pela surpresa de sermos silenciados 



Queria não ouvir os estrondos 

O gatilho que dispara em série 

Queria só teu funk, teu batuque, tua bossa 

Mas o barulho está tão alto…

 

E tuas águas azuis enrubescem

Quem dera fosse pelo rubro negro de teu time…

Mas o que escorre por tuas montanhas 

É Rio de sangue mestiço, preto, 

A pérola fina dessa nossa terra,

se dissolvendo, massacrada, tomada,ameaçada, 

desfalecendo de vida, empalidecendo sem pulso, escoando suas forças 

na ironia de um povo tão afeito a sobreviver 

 

Estamos cercados,

os devoradores famintos cavam fundo tuas encostas, cegos de poder, surdos de ganância


Seguimos cantando o Rio da memória 

Onde fomos felizes nas tuas praias, 

nas tuas sombras. 

Mesmo eu que nem sou tua filha, 

te amei tantas vezes


Que tua beleza não padeça no desassossego 

Que esse furacão devastador 

sucumba pelo mesmo mal que espalha

Que ainda hajam carnavais 

Para tua gente brilhar

Não só na euforia de poucos dias 

Mas na cadência dos anos

Em que retomarás tua magia 

De ser berço, casa, pátria de nossos 

Corpos e cantos.

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