A máfia que te toma,
Por uma letra seria magia
E esse destino destruidor não te assombraria
Na mesma esquina em que cantamos
Malandros, boêmios,
Sambamos os pés, gingando quadris
Na pedra, na areia, na praça
No mesmo abraço do Cristo no alto
Do pão que é cada vez mais pedra
E menos de açúcar
Andamos agora apressados pelo medo
Pela surpresa de sermos silenciados
Queria não ouvir os estrondos
O gatilho que dispara em série
Queria só teu funk, teu batuque, tua bossa
Mas o barulho está tão alto…
E tuas águas azuis enrubescem
Quem dera fosse pelo rubro negro de teu time…
Mas o que escorre por tuas montanhas
É Rio de sangue mestiço, preto,
A pérola fina dessa nossa terra,
se dissolvendo, massacrada, tomada,ameaçada,
desfalecendo de vida, empalidecendo sem pulso, escoando suas forças
na ironia de um povo tão afeito a sobreviver
Estamos cercados,
os devoradores famintos cavam fundo tuas encostas, cegos de poder, surdos de ganância
Seguimos cantando o Rio da memória
Onde fomos felizes nas tuas praias,
nas tuas sombras.
Mesmo eu que nem sou tua filha,
te amei tantas vezes
Que tua beleza não padeça no desassossego
Que esse furacão devastador
sucumba pelo mesmo mal que espalha
Que ainda hajam carnavais
Para tua gente brilhar
Não só na euforia de poucos dias
Mas na cadência dos anos
Em que retomarás tua magia
De ser berço, casa, pátria de nossos
Corpos e cantos.
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