Não me acostumo com o medo da chuva
Não fui feita pra ter medo d’água
Agora esse pavor
Que a força da água não desmorone tudo
E se o caso for de desmoronar?
Agora vivo eu com medo de desmoronamentos?
O pavor é de perder tudo
De novo
Mas sei, o que tenho é mesmo o corpo
E os demônios que vem com ele
O alagamento tem me invadido
Os sonhos andam encharcados
Escondidos
Reclamo aos céus
Não hei mais de temer
Peço que não me roube
As noites de lucidez
Mas se preciso for,
escapo antes de afogar
Não carrego nada
Que não consiga suportar.
mardi 19 mai 2020
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