Escrevo do vão
Abriu-se há um tempo
Um hiato de novos nomes
Novas sortes
Quando encontrar essa nota
Num momento próximo
Já posso não existir
ou
Posso já não existir
Fomos engolidos
Uma boca grande
Invisível
Incurável
Imponente
Implacável
Nos colocou doentes
Encharcando nossos pulmões
Desaprenderemos a respirar
Enquanto isso a terra reaprende
No próximo ano, se escaparmos
escrevo do alto de uma falésia
Quando relembrarei os dias de solidão
Sei que irão persistir, mas de outro modo
Suponho
Mas do alto, escreverei
Sobre o novo, sobre o passado
Que nos paralisou.
Por enquanto sabemos
Apenas sobre a hora que corre.
O mais é mais que sempre
Uma surpresa.
mercredi 25 mars 2020
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